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Atividade industrial cai 2,7% no mês; Fiesp deve revisar para baixo previsão para 2014

Segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp, primeiro semestre da indústria este ano mostrou o pior desempenho da história, com exceção de 2009, ano da crise

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho da indústria paulista apresentou queda de 2,7% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, por conta, entre outros fatores, do número menor de horas trabalhadas na produção, reflexo da realização da Copa do Mundo de futebol no país. A queda, no entanto, já era esperada uma vez que o setor manufatureiro vem apresentando um arrefecimento da atividade cada vez mais agravado, de acordo com a análise de Paulo Francini, diretor de Economia da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp)

Os números de junho são resultado do Indicador de Nível de Atividade (INA), elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Segundo a pesquisa, a atividade da indústria no primeiro semestre de 2014 registrou queda de 7,3%, o pior desde 2003, quando o levantamento de conjuntura da produção começou a ser feito, com exceção do ano de 2009, quando o percentual de queda chegou a 15,8%, em consequência da crise econômica mundial.

Já na comparação com o mês imediatamente anterior, o resultado mensal verificado em junho é o pior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2001.

“É um junho ruim que acompanha o andamento ruim da indústria, o qual infelizmente deve continuar ruim durante o ano de 2014 e sem grandes novidades a vir porque as expectativas estão todas voltadas para um novo governo que haverá de tomar posse em janeiro de 2015”, afirma Francini.

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Paulo Francini, diretor do Depecom/Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O dado de junho foi puxado principalmente pela perda de 5,5% no total de vendas reais da indústria e pela diminuição de 2,4% do total de horas trabalhadas na produção, em decorrência do Mundial de futebol realizado entre 12 de junho e 13 de julho.

“Porque você tem 20 dias do mês, praticamente, que coincidiram com a Copa. Estabeleceu-se um conjunto de interrupções dessa e daquela natureza em dias de jogos. Portanto, a queda do mês de junho foi influenciada por esta redução”, explica o diretor das entidades.

Atividade industrial ainda pior

A Fiesp e o Ciesp estimam que a indústria paulista deve encerrar 2014 com queda de 4,4% em seu desempenho, mas o Depecon está trabalhando na revisão para baixo dessa projeção.

“Já havíamos feito uma [estimativa] no final do ano passado, fizemos uma revisão em março e, terminado o primeiro semestre, estamos sendo obrigados a fazer mais uma revisão. E é muito provável que essa previsão de queda aumente para um número ainda desconhecido”, diz Francini. A federação deve divulgar suas novas estimativas ainda em agosto deste ano.

O diretor acredita que os resultados da economia brasileira como um todo devem continuar apresentando números  que ele classifica como “medíocres”.

Pesquisa

Segundo o INA, o desempenho da indústria caiu 3,9% no acumulado dos últimos 12 meses, na leitura sem ajuste sazonal. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) registrou ligeira queda, chegando a 79,1% em junho versus 79,3% em maio, sem efeitos sazonais.

A indústria de Artigos de Borracha e Plástico se destacou entre as perdas com uma queda de 6,1% em junho versus maio, com ajuste sazonal, abatida sobretudo pela queda de 7,6% do total de vendas reais, enquanto as horas trabalhadas na produção desse setor foram reduzidas em 1,4%.

Outra influência negativa sobre a indústria de Borracha e Plásticos é a queda da produção de veículos, a qual, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), contraiu-se em 19,2% entre maio e junho.

O segmento de Metalurgia Básica também computou queda em seu desempenho na passagem de maio para junho com uma variação negativa em 1,7%, com ajuste sazonal.

Na contramão, a indústria de Bebidas se destacou com um desempenho positivo em 2,8%, com ajuste sazonal, impulsionada pelo aumento de 3,9% do total de vendas do setor, em meio a um aquecimento da demanda por conta da realização da Copa do Mundo.

Percepção

Segundo Francini, “vai mal” a percepção geral dos empresários diante do cenário econômico no mês de julho, medida pelo Sensor Fiesp.

De acordo com o levantamento, o Sensor caiu para 45,8 pontos em julho ante 47,2 pontos em junho. Já a percepção quanto ao item Emprego mostrou melhora em julho para 46,3 pontos contra 41,4 pontos em junho.

A variável Estoque caiu de 44,5 pontos em junho para 34,5 pontos em julho, o que significa uma “piora muito significativa com o aumento de estoques”, afirma Francini.

O item Mercado também apresentou piora da confiança em julho para 47,7 pontos, ante 49,5 pontos em junho. O componente Investimento também caiu para 50 pontos em julho versus 53,6 pontos em junho.

A percepção dos empresários com relação a Vendas, no entanto, melhorou para 50,3 pontos em julho contra 46,7 pontos em junho.