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Atividade da Indústria cai 1,5% em fevereiro em meio a sinais indefinidos do empresariado sobre o futuro

Sensor Fiesp e desempenho do setor de Máquinas e Equipamentos sugerem retomada, mas vigor e continuidade são incógnitas

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 1,5% em fevereiro ante o resultado de janeiro, na série com ajuste sazonal. Na leitura, sem ajuste sazonal, o índice apresentou variação de -2,3% na comparação mensal.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (27/03) pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Em comparação com fevereiro de 2012, a atividade industrial também apresentou queda, de 0,8%. Já na comparação dos dois primeiros meses de 2013, contra os dois primeiros de 2012, houve variação positiva de 2,8%.

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Paulo Francin divulga os resultados do Índice do Nível de Atividade da Indústria. Foto: Everton Amaro/FIESP

“A Indústria está crescendo sim, mas em cima de uma base muito ruim vinda do ano passado. Acredito que chegaremos ao final do ano com crescimento e o dado positivo do acumulado dos primeiros dois meses de 2013 em relação ao mesmo período de 2012 indica isso”, afirma Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp.

No acumulado de 12 meses, no entanto, o desempenho do setor manufatureiro paulista apresentou queda de 2,7%, na leitura sem ajuste e em relação aos 12 meses imediatamente anteriores.

Capacidade Instalada

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) manteve-se praticamente estável em 82,6% no mês de fevereiro versus 82,5% em janeiro, com ajuste. Na comparação sem ajuste sazonal, o componente também apresentou estabilidade, ficando em 80,5% em fevereiro contra 80,6% em janeiro.

Dos setores avaliados pela pesquisa, em fevereiro, o desempenho do setor de Máquinas e Equipamentos se destacou, variando 3,6% (com ajuste).

Já o setor Químico não variou e fechou em 0,0% na leitura mensal, considerando os efeitos sazonais; e o segmento de Veículos Automotores mostrou decrescimento de 2,5%.

Mesmo considerando o bom desempenho do setor de Máquina e Equipamentos, que cresceu 3,6% em fevereiro sobre janeiro, o conjunto dos dados não sugere retomada entusiasmada nem queda importante. “Os números sobre o ‘humor’ do empresariado estão muito voláteis, mudando rapidamente dependendo da pesquisa”, analisa Francini.

Expectativas

O resultado do Sensor Fiesp de março mostra que a percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico melhorou: 56,8 pontos contra 52,2 pontos da medição de fevereiro.

A sondagem com relação ao item Mercado também acusa melhora para 60,1 no mês corrente versus 55,5 pontos em fevereiro. O mesmo aconteceu com o indicador Vendas, que avançou para 59,5 pontos ante 52,0 pontos no mês passado.

O indicador de Estoque ficou em 51,8 pontos em março ante 43,3 pontos em fevereiro, indicando reservas mais ajustadas na Indústria. O item Emprego também melhorou e foi de 50 pontos no mês anterior para 52,4 pontos em março.

A percepção dos empresários quanto ao Investimento apresentou estabilidade, passando de 60,3 em fevereiro para 60,4 em março.

Com exceção do item Estoque, resultados do Sensor acima de 50 pontos revelam expectativas positivas.

Para Francini, apesar do otimismo representado pelos 56,8 pontos do Sensor Fiesp, que atingiu no mês passado seu maior nível desde maio de 2011, a palavra hesitante é a que melhor define o empresário industrial no momento.

Francini ressalta que indefinição e investimento são coisas que não combinam. “É preciso ter confiança no futuro para tomar decisão de investimento no presente.”