imagem google

‘Apoiamos a criação de um programa de fomento à cultura do bambu no país’, diz ministro da Agricultura em seminário na Fiesp

Blairo Maggi foi um dos convidados do seminário Economia do Bambu no Brasil: Tecnologia e Inovação na Cadeia Produtiva, realizado nesta terça-feira (28/08)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de investir em novas possibilidades para o agronegócio. Com esse objetivo, foi realizado, nesta terça-feira (28/08), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “Economia do Bambu no Brasil: Tecnologia e Inovação na Cadeia Produtiva”. O evento contou com a presença do presidente em exercício da federação, José Ricardo Roriz Coelho, e dos ministros Gilberto Kassab, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e Blairo Maggi, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, entre outros nomes.

“Estamos diante da oportunidade de desenvolver a cadeia produtiva do bambu no Brasil”, disse Roriz.

Coordenador regional da International Network for Bamboo and Rattan (Inbar), Pablo Jacome explicou que a entidade é um organismo entre governos formado por 44 países. A meta é incentivar e ajudar os produtores de bambu e rattan, com sede em Beijin, na China. O Brasil participa do grupo desde novembro de 2017.

“Queremos que o bambu seja classificado como recurso primário na América Latina”, disse Jacome. “O desenvolvimento do bambu no Brasil ajudaria a aliviar impactos ambientais”.

Segundo ele, o vegetal pode ser usado em substituição ao plástico e ao vidro, com uso na produção de edificações pré-fabricadas, por exemplo.

“Registramos um incremento de 40% na produção de alimentos e bebidas à base de bambu, que tem propriedades antioxidantes”, explicou. “Temos que trabalhar para que o bambu seja considerado prioritário na economia, articular políticas públicas e privadas”, disse. “Acredito que o Brasil vai estar na liderança desse trabalho fomentando a integração regional: o bambu é estratégico para o desenvolvimento econômico do país”.

De acordo com Gilberto Kassab, o bambu “tem contado com poucos investimentos em pesquisa nas últimas décadas no Brasil”. “Na China, essa cultura movimenta US$ 17 bilhões por ano”, disse. “Existe um espaço imenso para ser ocupado pela atividade, que tem todo o nosso apoio para crescer daqui por diante”.

Para Blairo Maggi, é necessário “fortalecer a união entre todos os elos de produção”. “Essa é uma matéria-prima com grande versatilidade e aplicações desde a decoração até a construção civil”, disse. “Sabemos da importância do bambu para a recuperação de áreas degradadas e apoiamos a criação de um programa de fomento a essa cultura no país”.

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Primeiro painel

No primeiro painel de debates do seminário, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Álvaro Prata, explicou que há mais de 250 espécies de bambu no Brasil.  “É uma planta riquíssima em tudo o que agrega”, afirmou. “O bambu é alimento, pode gerar combustível, ser aplicado na indústria têxtil e até usado como concreto”.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Bambu (Aprobambu), Guilherme Korte explicou que a cultura do vegetal “viaja ao redor do mundo desde o século 15”. “É um vegetal com 250 milhões de anos, uma gramínea”.

Com tempo de secagem mais rápido que outros vegetais, o bambu tem a sua fibra já empregada em aviões da fabricante de aviões Boeing e nos carros da Ford. “Existem pesquisas no Japão com o objetivo de substituir o aço por fibra e bambu”, disse.

Entre as oportunidades nesse campo para o Brasil, ele citou a exportação de brotos orgânicos, o uso em bioplásticos e o desenvolvimento de novas máquinas agrícolas com foco nesse tipo de produção, entre outras possibilidades.

Abertura do seminário Economia do Bambu no Brasil: Tecnologia e Inovação na Cadeia Produtiva. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Abertura do seminário Economia do Bambu no Brasil: Tecnologia e Inovação na Cadeia Produtiva. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Oportunidades e desafios

A mesa-redonda Oportunidades e Desafios da Cadeia Produtiva do Bambu, realizada durante o seminário, teve como moderador Rafael Cervone, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp. Ao abrir o debate,  citou o casamento de fibras naturais com material nanotecnológico, nos chamados wearables, como um dos usos de novos materiais.

Eufran Amaral, chefe geral da Embrapa Acre, destacou a grande área (11 milhões de hectares da floresta) com bambu no Estado. Há dificuldade de acesso, para sua utilização, mas é possível fazer isso junto com o manejo madeireiro. O Estado normatizou a exploração de bambu, explicou Amaral. Há florestas de bambu em 62% do território do Estado, e em 28% dele é dominante no sub-bosque.

O estudo de seu uso é feito há 17 anos, mas ainda se conhece pouco de sua classificação botânica, explicou. Destacou que aumenta 10% o estoque de carbono se o bambu for considerado ao lado dos produtos madeireiros nas florestas do Acre.

Construção

Normando Perazzo Barbosa, da UFPB, disse que em 1979 se iniciou o estudo científico do uso do bambu na construção, em parceria entre a UFPB e a PUC do Rio. Destacou que há um capítulo no livro do Ibracon sobre o uso. A Rede Brasileira do Bambu tem praticamente toda a produção acadêmica do Brasil e da Colômbia e de outros países.

Há norma da ISO, de 2004, sobre projeto de estruturas de bambu, que precisava ser adaptada localmente, o que foi feito na Colômbia em 2010, depois no Peru e no Equador. A RBB conseguiu que em julho de 2017 fosse instalada comissão na ABNT para estudar a normatização no Brasil.

Leve, fácil de ser transportado, de rápido crescimento. Precisa ser imunizado contra insetos. É preciso estudar mais a fundo como fazer o tratamento sem recorrer aos produtos convencionais da indústria madeireira, por sustentabilidade.

Destacou estudo para produção de painéis pré-fabricados de argamassa com bambu, de boas propriedades estruturais, para uso em paredes, lajes, como vigas de pequeno porte. “É um potencial enorme. Precisamos dominar e difundir” seu uso, disse.

Alimentação

Maria Tereza Clerici, especialista em gramíneas, falou sobre a farinha de broto de bambu e destacou que os dados coletados em estudos mostram a viabilidade do investimento privado no produto.

“Temos que começar a ganhar dinheiro com o bambu”, disse Carlos Ciprandi, da Bambu Kaha. O broto, afirmou, “é uma mina de ouro”.

Inovação

No painel Economia do Bambu: Tecnologia e Inovação na Cadeia Produtiva – Perspectivas e Desafios, Sergio Henrique Cançado de Andrade, diretor do Departamento da Construção da Fiesp, destacou a versatilidade do bambu na construção civil. Pode reduzir de 30% a 50% o custo de construção de moradias, afirmou, lembrando o déficit de 18 mihões de casas. O material está entre os mais inovadores, disse.

Participaram do painel Jorge Colodette e Fernando Gomes, da UFV, tratando do tema biorrefinarias. Holmer Savastano, da USP, e Romildo Dias Toledo Filho, da Coppe (UFRJ), falaram sobre construção. A Vinicius Lobosco, da Suzano, coube o tema papel e celulose.