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Agronegócio e setor energético podem ser saídas para o Mercosul

Embaixador Botafogo defende atração de investimentos estrangeiros para fortalecer o bloco

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“A verdade é que o projeto de integração que está por trás do Tratado de Assunção é extremamente modesto e não atende mais as necessidades de seus integrantes. Por isso deve mudar”, afirmou o embaixador José Botafogo Gonçalves, nesta terça-feira (16/06) durante a reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O embaixador explicou que em 1991, ao assinar o tratado que deu origem ao Mercosul, o Brasil negociou a Tarifa Externa Comum em cima de sua própria tarifa aduaneira, pois a indústria nacional “ainda não estava confortavelmente preparada para uma abertura comercial”. No entanto, esse elemento não é mais eficiente para os empresários – não só brasileiros – que agora querem ganhar competitividade no mercado global.

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Embaixador José Botafogo (esq.) fala durante reunião do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A saída, então, seria focar em projetos que possam alavancar os pontos fortes e elevar os investimentos estrangeiros no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Uma vez que a dissociação do grupo é impensável e “só traz mais problemas”.

“O Mercosul tem uma vocação energética e agroalimentar enorme, por exemplo, e não dialoga sobre políticas para esses setores ou sobre como atrair investimentos estrangeiros para projetos da região”, ressaltou o embaixador.

“Os governos têm a possibilidade de fazer diálogos incríveis sobre o tema e assim formular planos econômicos que possam ultrapassar as fronteiras políticas e chegar a opções econômicas eficientes. Acredito mesmo que a saída é ressuscitar, revigorar o bloco baseando o diálogo nesses dois setores, com vista a sua interação no mercado mundial.”

Para o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, é importante que o setor privado, por meio de entidades setoriais e representativas, seja o primeiro a pontuar ideias, traduzir pensamentos e formular estratégias de médio e longo prazo que envolvam os setores de energia e agronegócio. Porém, a participação do governo é essencial para o avanço prático e início dos resultados.

“Não adianta preparamos estudos e o governo – sem visão a longo prazo – não apoiar. Deste modo a iniciativa se perde porque, pois mais que queira, não há como o setor privado implementar isso sozinho”, afirmou Barbosa.