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Acesso a crédito depende mais da organização da empresa que do alto faturamento

Durante seminário de Comitê da Pesca da Fiesp, empresários conheceram as principais linhas de financiamento do Finep, Desenvolve SP e do BNDES

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Para que a empresa consiga acessar a uma linha de crédito ou financiamento, ela deve apresentar uma estrutura organizada, com informações de qualidade e demonstrar capacidade de pagamento, orientou, na tarde desta sexta-feira (15/08), a gerente de parcerias da Desenvolve SP, agência de desenvolvimento do governo de São Paulo, Magali Tacla Michelutti.

Ela participou da segunda rodada do seminário “Meios de Financiamento para a Pesca e Aquicultura”, organizado pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Eu acredito que tudo está centralizado na qualidade da empresa. A análise de crédito é feita em cima da capacidade de pagamento, da liquidez da organização”, disse Magali. “Isso é projeção, na verdade, da organização da empresa. Quanto mais organizada, mais ela vai ter capacidade de pagamento, mais ela vai ser sustentável do ponto de vista empresarial”, completou.

Os debates da tarde desta sexta-feira (15/08) no seminário: inovação nos processos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os debates da tarde desta sexta-feira no seminário: inovação nos processos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Segundo ela, segmentos da indústria receberam 52,4% dos desembolsos por setor das empresas clientes da Desenvolve SP. “Também financiamos projetos de inovação. E temos financiado a inovação em processos, uma vez que só de mudar a forma de fazer já é inovação. Essa questão está bem ampla”, afirmou a gerente da agência.

Inovar é preciso

Para o coordenador-titular do Compesca e condutor do seminário do comitê, Roberto Imai, inovação é a “a palavra de ordem” para a indústria da pesca.

“O setor, na verdade, carece de inovação. Por que a China produz um peixe tão mais barato do que o Brasil? É importante a gente entender o porquê e trabalhar a inovação nos processos”, alertou Imai.

No mesmo sentido, o gerente do Departamento de Agronegócios e Alimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Felipe Maciel, também apresentou aos empresários da cadeia as potenciais linhas de apoio à área.

De acordo com Maciel, os fabricantes de ração, suplementação, indústria veterinária, de embalagens e desenvolvedores de melhoramentos genéticos são alguns segmentos da cadeia da pesca que podem ser atendidos pela Finep.

Fiesp e FIP

Ainda durante a rodada de consultas sobre linhas de financiamento, o analista de projetos do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp, Valdair José Tonon, apresentou a parceria da entidade com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para divulgar linhas de financiamento durante as salas de crédito organizadas pela federação.

“Fazemos essas salas de crédito com as empresas para melhorar o acesso aos financiamentos”, disse Tonon ao mencionar o programa BNDES Proaquicultura, lançado há menos de dois anos pelo banco com dotação orçamentária de R$ 500 milhões e prazo de vigência até 31 de dezembro de 2017.

“É uma linha relativamente nova, isso foi um pleito do setor porque não existiam linhas especificas pra aquicultura”, afirmou Imai.

O sócio da Riviera Investimentos, André Barbieri, também participou do seminário de licenciamento do Compesca. Segundo ele, a gestora de fundos não foi criada em 2008 para concorrer com o BNDES.

“Não somos concorrente do BNDES, somos mais uma opção de financiamento. Nós temos o objetivo de identificar oportunidades e a aquicultura é uma delas”, disse Barbieri.

A Riviera Investimentos gere o Fundo de Investimento em Participações (FIP) criado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura há mais de um ano com a intenção de captar mais de R$100 milhões.