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Abertura da Semana do Peixe reúne na Fiesp empresários e ‘chefs’ para discutir entraves e oportunidades

Consumo de pescado no país é inferior a 10 kg por habitante a cada ano, mesmo patamar mundial da década de 1960

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Entre um corte de carne bovina e um pescado, a carne ainda é prioridade na mesa dos brasileiros. Para fomentar a cultura de consumo de peixe, inferior a 10 kg por habitante a cada ano, mesmo patamar mundial da década de 1960, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), todo ano é realizada a Semana do Peixe. O evento, que acontece de 1º a 15 de setembro, em todo o país, teve a abertura da 14ª edição, sob o tema Saúde e Sabor, na Fiesp, nesta sexta-feira (1º de setembro).

Representantes dessa cadeia, como empresários, aquicultores e renomados chefs, apontaram que é preciso criar uma cultura em torno do consumo de peixes, mas o fator preço é um dos entraves a minar a escolha do consumidor entre essa proteína e a bovina. “O desafio é fazer a dona de casa levar o pescado para casa. É preciso trabalhar com a cadeia produtiva. Precisamos criar uma pauta de desenvolvimento do setor. Nosso potencial é inquestionável, por isso precisamos do apoio de todos”, destacou Roberto Imai, diretor titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria da Pesca da Fiesp (Compesca).

Para que essa cultura seja disseminada, Meg Felippe, diretora do Compesca, observou que é preciso fazer uma força tarefa junto a escolas de gastronomia, universidades e chefes de cozinha de restaurantes. “O desafio é engajar esse público. Conseguimos mobilizar o setor privado para ajudar”, disse.

Presente também no evento, o chef Cauê Tessuto disse que sua principal motivação dentro dessa gastronomia é “tentar trazer para o público espécies alternativas. Precisamos informar ao consumidor o que ele está comendo, levar essa consciência para os restaurantes e influenciar os consumidores”, destacou.

Outro chef participante da Semana do Peixe foi Allan Vila Espejo, que durante sua fala alertou sobre a criação de uma consciência de que o consumo de peixe não deve ser algo apenas de datas especiais, mas que esteja presente durante toda a vida na mesa dos brasileiros. “O grande problema é que o brasileiro não tem costume de comer peixe. Não foi educado para isso. Além do que o preço do pescado é maior do que o da proteína bovina ou frango”, alertou.

Uma alternativa para fomentar esse consumo, ainda segundo Allan, é fazer campanhas por bairro. “Pode ser feito, por exemplo, algo como semana do tipo de peixe”, sugeriu, destacando que faltam incentivos do governo para disseminar o desenvolvimento da cadeia do peixe.

Para o chef Jun Sakamoto, também participante do evento, a falta de qualidade do pescado é seu principal problema. “Não é fácil achar alta qualidade. Mas eu quero o melhor, custe o que custar. Meu restaurante tem apenas 30 lugares. Para ter uma qualidade melhor, toda a cadeia precisa estar envolvida. Dessa forma o público vai querer consumir pela qualidade e saber também que é um alimento saboroso”, disparou.

No encerramento, Roberto Imai, diretor titular do Compesca, destacou que é preciso haver também conscientização quanto ao desperdício. “De tudo que é produzido pelo Brasil, de 20% a 25% se joga fora. Onde está a competitividade no aproveitamento integral?”, questionou, afirmando ainda que “peixe não é caro, mas maltratado. Não temos escala para toda a cadeia”, finalizou.

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Abertura da Semana do Peixe de 2017, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp