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“A medicina dá a satisfação de ser útil”, diz Ivo Pitanguy no Comitê de Jovens Empreendedores

Cirurgião plástico conta na Fiesp como foi início de sua carreira e fala sobre responsabilidade social

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Referência mundial em cirurgia plástica, o médico Ivo Pitanguy participou de reunião do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na noite de terça-feira (26/05). Ao narrar sua trajetória bem-sucedida, Pitanguy definiu sua especialidade: “Percebi que a cirurgia reparadora vinha como uma necessidade de melhorar a vida das pessoas”.

“A busca da cirurgia plástica emana de uma finalidade transcendente. É a tentativa de harmonização do corpo com o espírito, da emoção com o racional, visando estabelecer um equilíbrio que permita ao indivíduo sentir-se em harmonia com sua própria imagem e com o universo que o cerca”, disse Pitanguy.

Mineiro de Belo Horizonte, ele contou que durante a infância e a adolescência suas paixões eram os livros, a pintura, a poesia, a natureza e o esporte. A vocação para a medicina surgiu após o término dos estudos secundários, por influência do pai, o cirurgião-geral Antônio de Campos Pitanguy.

“A medicina dá a satisfação de ser útil. O médico traz a esperança”, disse ao lembrar da máxima do seu pai. Movido pelo desejo de “triunfar sobre a doença”, Pitanguy se formou na Universidade Federal de Minas Gerais e na Faculdade Nacional de Medicina – atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O cirurgião plástico Ivo Pitanguy durante reunião do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp

O cirurgião plástico Ivo Pitanguy durante reunião do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Depois foi estudar nos EUA e na Europa. “Quando voltei ao Brasil não havia um entendimento sobre o tratamento com a cirurgia reparadora. Então tinha a responsabilidade inerente de repassar o que aprendi lá fora.”

De volta ao Brasil, e com a criação do primeiro serviço de cirurgia de mão na América do Sul, na Santa Casa, Pitanguy começou a colocar em prática a experiência adquirida. Ele lembra que apesar das dificuldades estruturais encontradas no país, chefiou a área cirúrgica pioneira, devolvendo dignidade e esperança a muitos pacientes carentes e vítimas de deformidades.

Pitanguy conta que nos 50 anos de experiência sempre defendeu a importância do cirurgião plástico na reparação facial. “Mesmo com condições precárias e de forma artesanal à época, o objetivo era fazer a melhor cirurgia. E fizemos!”. Ele explica que a preocupação era tirar o rótulo de que a cirurgia era para a elite e trazer a ideia de reparar e tirar o sofrimento do paciente.

Saúde pública pior

Sobre a saúde pública no Brasil, Pitanguy foi categórico: “piorou”! Segundo ele, o país já teve menos médicos nos hospitais e tudo caminhava melhor. “O que vejo hoje é que a saúde não acompanhou o crescimento da população. É necessário avanço, e o problema é na gestão”, disse. Sobre o Programa Mais Médicos, ele respondeu: “nunca entendi bem”.

Responsabilidade social
Para Pitanguy, a grande responsabilidade que temos é com a família. “E um médico trabalhando tanto como eu tem pouco tempo físico. Mas sempre procurei fazer um final de semana diferente com os meus quatro filhos. A ideia é sempre conciliar o trabalho e família. Esta é a grande responsabilidade.”

Durante a reunião, o cirurgião falou também sobre responsabilidade em relação à sociedade. Lembrou de um caso de incêndio no circo. Muitas crianças tiveram queimaduras gravíssimas, e ele fez questão de juntar equipes para reparar as vítimas. “O médico tem o privilégio de dar sem ofender”, completou.

“Resgatar a autoestima é admirar um mundo novo. Se não acreditarmos no que vem do coração, o futuro do nosso mundo será estéril. Como tirar a vida da vida. É imprescindível cultivar a ideia do indivíduo se sentir em paz com a sua imagem.”

Para finalizar a reunião o professor disse que “o ser humano persegue a imortalidade. Compreender o processo biológico do envelhecimento é uma tarefa a ser levada. O ser humano deve ter dentro de si o mínimo de esperança”, concluiu.