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‘A Madrinha Embriagada’: temporada levou 150 mil pessoas ao Teatro do Sesi-SP

Atores do espetáculo, Cleto Baccic e Saulo Vasconcelos destacam situações inusitadas das apresentações, que se encerram neste domingo (29/06)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O encanto das 325 apresentações de A Madrinha Embriagada, a serem completadas na noite deste domingo (29/06), com a sessão de encerramento da temporada do espetáculo, não se limitou ao palco. Na plateia e na entrada do Teatro do Sesi-SP, não faltaram boas histórias nos bastidores do espetáculo, montado com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

“Já tivemos de tudo no teatro: um rapaz pediu a namorada em casamento, outro casal comemorou bodas de prata, uma senhora bem idosa, que fazia aniversário, foi ver a peça acompanhada de todos os filhos e netos. E eram muitos!”, conta o diretor geral da produção e intérprete do personagem Adolpho na trama, Cleto Baccic.

Em cena, Baccic já teve que exercitar seu jogo de cintura em situações como a de uma cartola um tanto folgada na cabeça. “No início da temporada, usava o cabelo longo. Quando cortei, a circunferência da cartola que usava diminuiu drasticamente, só que eu não me ative a esse detalhe”, diz. O resultado? “Na cena do ‘mico’, na qual entro com o tal adereço, a peça vinha parar no meu nariz, o que por si só já era um ‘mico’. Tive que fazer a coreografia com a cartola pulando na minha cabeça em vários momentos”.

Vasconcelos, à esquerda, e Baccic: muita concentração em cena. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Vasconcelos, à esquerda, e Baccic: muita concentração em cena. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Além da habilidade de equilibrar um chapéu folgado e dançar ao mesmo tempo, Baccic também precisou segurar o riso em diversas situações ao longo da temporada, iniciada em agosto de 2013. “Certa vez, na hora em que derrubo a bengala e o Homem da Poltrona diz que tem certeza de que foi o ‘Rolando Bartelli’, uma criança que estava logo na primeira fileira, bem na minha frente, comentou: ‘sim, foi ele mesmo!’. Tive que segurar o riso”, lembra. “Adoro a reação do público, principalmente quando é assim, espontânea”.

De disciplina para não perder a concentração, Saulo Vasconcelos, que interpreta o Sr. Iglesias em A Madrinha Embriagada, entende. Segundo o ator, que já participou das montagens brasileiras de musicais como O Fantasma da Ópera, Cats e A Bela e a Fera, entre muitos outras, plateias formadas principalmente por crianças e adolescentes estão entre as mais desafiadoras. “É preciso redobrar a concentração”, diz Vasconcelos. “Alguns jovens brincam dizendo frases como ‘ah, não diga!’ na cena em que falta luz e o O Homem  da Poltrona comenta o que aconteceu”, conta.

E isso não é tudo. “Também já ouvimos espectadores fazendo barulho de grilos e de outros animais em momentos em que o palco fica escuro”, diz. “Só tendo uma disciplina absurda para não perder o clima”, conta.

Desce, cama, desce!

Numa cena em que interage com uma cama cenográfica, Vasconcelos só não chegou a passar apuro devido à agilidade da equipe de produção do musical. “A cama, embutida na parede, não desceu imediatamente algumas vezes”, diz. “Já estava pensando numa solução e mentalizando ‘desce, cama, desce’ quando consegui ouvir, do palco, até marteladas nos bastidores para resolver o problema. Sempre deu tudo certo”.

Vasconcelos e a cama que quase emperrou: marteladas nos bastidores. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Vasconcelos e a cama que quase emperrou: marteladas nos bastidores. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


No fim das contas, essas e outras situações ficarão guardadas, com carinho, nas memórias do elenco e do público ao final da concorrida temporada da peça, vista por 150 mil pessoas. “Poder levar às pessoas, sem distinção de classe social, um espetáculo com acabamento impecável, elenco de primeira, orquestra ao vivo, durante 11 meses e inteiramente gratuito, é o que mais me emociona e me motiva a continuar sonhando”, afirma Baccic.

E isso para não falar do clima nos bastidores. “O ambiente sempre foi extremamente agradável e eu não me refiro apenas ao elenco, mas também à equipe técnica”, conta. “Rimos juntos, sofremos juntos, nos preocupamos uns com os outros. Somos como uma família”. Uma família agora repleta de boas histórias para contar.