imagem google

A AmBev não é para todo mundo, diz executivo

Membro dos conselhos da Ambev e da Anheuser Busch - Inbev, Marcel Telles fala de seu modelo de gestão conhecido pela agressividade nos negócios

Agência Indusnet Fiesp

Fundador do Grupo AmBev e uma das figuras mais imponentes do mercado de cerveja do mundo, Marcel Telles discorreu nesta terça-feira (16), para centenas de integrantes do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, sobre os desafios da companhia e da sua fama de ser comandada por um modelo de gestão agressivo e focado em resultados.

“A AmBev não é pra todo mundo; é para quem a gente quer que ela seja. Nossa cultura é imutável, e sempre encontramos pessoas que gostam”, definiu, e acrescentou: “Nosso modelo não causa nenhum desvio de conduta ética, simplesmente porque não pegamos atalho. A forma de fazer é imprescindível para a nossa empresa. Ou seja, tem produtores maravilhosos, mas que não fazem o processo da maneira correta. Esse não serve para a gente”.

Telles rebateu também as criticas em relação ao ambiente hostil criado quando se proporciona muita competitividade no espaço de trabalho. “Isso não se permite quando os objetivos principais são os da companhia. Pois de nada adianta uma região bater suas metas se o conjunto também não chegar a esses resultados. Dessa forma ninguém ganha. O interesse principal é o geral, depois o individual”, argumentou.


Mito ou verdade

Em relação a historia de que na AmBev existe uma política interna que proíbe os seus funcionários de consumir produtos de empresas concorrentes, Telles respondeu de forma descontraída.

“Ninguém vai perder o emprego por isso, mas nós somos intensos nessas coisas. É impensável nos vermos consumindo um produto de uma empresa que consideramos em guerra. Assim como não consigo contratar um advogado que já trabalhou contra mim. É uma ofensa colossal para aquele que está trabalhando comigo”, explicou. “Costumamos dizer que lá na AmBev não vestimos a camisa. Tatuamos ela no corpo”, completou.


Profissionais

Segundo Teles, a companhia costuma vender a seguinte ideia: se você é empreendedor e não quer assumir o risco total, pode procurar a AmBev que terá chances de construir a sua área.

O que constitui a empresa, conforme ele, é o esforço individual de todos querendo progredir. “Hoje em dia, 90% da diretoria e dos principais cargos estão com brasileiros. Nosso interesse é ter as melhores pessoas e os melhores processos”, ressaltou o fundador.


Decisões

A mudança da AmBev de cidade foi transformacional, de acordo com Telles. Para ele, “um carioca da gema”, a decisão de transferir a empresa do Rio de Janeiro para São Paulo custou principalmente pelo seu estilo de vida pessoal, mas foi uma das ações mais coerentes.

“Não havia como ser de outro jeito porque o melhor ponto de talentos estava aqui, em São Paulo, assim como toda a concorrência, as novidades, inovações e fornecedores. Manter a empresa no Rio de Janeiro seria condená-la a ficar num balneário, infelizmente”.


Novo destino

Sobre os planos de levar a companhia para os Estados Unidos, Telles comentou: “Ir para lá agora é a mesma coisa. Nós estamos no maior talent pool do mundo, com um programa de trainee espetacular, no qual todos querem mostrar tudo que é de novo, as tendências do mundo, o que for. Acho que tudo isso será transformacional. Um novo salto. Estamos super animados com essa ida para os Estados Unidos”.


Recado

“O Empreendedor continua sendo um pouco daquela velha história da perereca que cai num copo de leite e se debate tanto até que o leite vira manteiga e ela consegue sair. A perereca nem pensava em fazer manteiga, mas acaba fazendo”, finalizou.