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Sebrae tira dúvidas de empreendedores durante o Festemp

Consultores de plantão orientaram participantes sobre abertura de negócio, expansão e os passos para ser dono de sua própria empresa

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Como tirar uma ideia da cabeça e fazê-la virar um negócio? A dúvida é muito comum entre aqueles que pensam em ser seu próprio patrão, querem se tornar um empreendedor. São brasileiros que têm um projeto em mente e precisam de ajuda para saber quais passos seguir para torná-lo realidade. Para esses foi oferecida, neste domingo (12 de novembro), uma oportunidade única: consultores de negócios do Sebrae, que normalmente atendem apenas empreendedores com um negócio formado, com CNPJ (quem só tem ainda a ideia tem de passar por analistas primeiro), deram um plantão especial dentro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) durante o Festemp, o Festival de Empreendedorismo, iniciativa da Fiesp e do Ciesp.

Entre as 9 horas da manhã até às 16 horas, oito consultores ficaram à disposição para dar todo tipo de ajuda. Juliana Berbet, uma das consultoras, conta que muitos foram em busca de informação sobre formalização, de como ser um MEI – Micro Empreendedor Individual. A maioria, disse, já tem um negócio, mas diante das modernizações em todos os segmentos se viram ‘perdidos’ e não querem ficar para trás. Caso de Henrique Lins, de 29 anos, que há oito trabalha com transporte escolar no bairro paulistano do Morumbi, atendendo três escolas, que perguntava à consultora sobre novos modelos de crescimento.

“No dia a dia você acaba esquecendo de olhar ao redor e enxergar os caminhos para crescer. Como o mercado onde atuo está estagnado, vejo que é preciso olhar para esses novos métodos, novos modelos que levem ao crescimento”, disse Henrique, que percebeu falhas em seu plano de expansão justamente no momento em que decidiu… expandir sua empresa. Dúvidas como a dele apareceram em vários dos questionamentos, segundo Juliana. “Boa parte dos ´que já são donos de uma empresa quis saber mais sobre inovação naquele segmento onde está, estratégias diferenciadas que os façam ter uma receita maior, sobre marketing e até mesmo como melhorar a divulgação de seu negócio ou produto para aumentar a clientela”, disse Juliana. O setor de serviços, como os de alimentação, mídia digital ou de transporte, caso de Henrique, estiveram entre os mais citados nas consultas,  falou a consultora.

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Consultores do Sebrae-SP deram plantão durante o Festival de empreendedorismo realizado pela Fiesp e pelo Ciesp. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

A contadora Lídia dos Santos Bezerra classificou o Festemp como um momento “bem oportuno”. Demitida em outubro de uma empresa onde era celetista, Lídia quer aproveitar o dinheiro da rescisão para abrir um negócio próprio. Contou que foi até o Festemp para participar das palestras e pesquisar tudo o que precisa para investir no escolhido: uma casa de bolos artesanais. “Não quero franquia, quero ter meu próprio negócio, mas preciso saber sobre esse mercado, se tem espaço para crescer, que tipo de curso e valor do investimento que vou precisar e o que é necessário para formar a empresa, a parte burocrática”, disse.

Ouviu da consultora Beatriz Micheletto uma notícia animadora: o negócio escolhido tem muito boa rentabilidade, muita procura pelo consumidor, está em crescimento no mercado brasileiro e a concorrência ainda não é das mais elevadas. Mas isso, por si só, não é garantia de sucesso, alertou a consultora. “Orientamos os candidatos a empreendedor a fazer um plano de negócio, independentemente do segmento escolhido. Muitas vezes as empresas acabam fechando porque faltou uma pesquisa mais apurada por parte do pretendente a empreendedor, faltou se inteirar mais sobre aquilo com o que quer trabalhar, sobre estratégias e mais informações inerentes a esse momento”, afirmou.

Beatriz lembra que o Sebrae tem várias cartilhas sobre Ideias de Negócios, disponíveis no site www.sebrae.com.br, onde todas as informações podem ser consultadas. Já  a formatação da empresa poderá ser orientada nos escritórios do Sebrae. Muitos dos que procuraram ajuda no Festemp estão em situação semelhante à de Lídia; desempregados que querem aproveitar o momento para virar o jogo e alçar voo em uma nova oportunidade. Como Joyce, há dois anos sem emprego, ex-assistente administrativa, que pensa em abrir uma empresa de motoboy. Já Davi Vieira, dono de uma loja de informática no centro da cidade de São Paulo há seis anos, mas mesmo assim quis saber como poderia elevar suas vendas com melhor divulgação de seu trabalho.

Até mesmo os que se imagina não precisarem de informações e ajuda foram atraídos pelo Festemp. A gerente comercial Leide Fiorini, da Central Comum Rádio Táxi, empresa com mais de 35 anos de mercado, cujos clientes são empresas,  que sentiu na pele o aumento da concorrência do Uber e foi em busca de uma solução. “O Uber entrou, os aplicativos entraram, e por mais que a gente tenha qualidade de serviço, descontos, a concorrência está cada vez maior”, disse Leide. Ela conta que não tem mais para onde correr e é preciso descobrir o que hoje consegue fazer no mercado para frear as perdas de 35% até 40% das chamadas no último um ano e meio. Foi em busca de uma resposta. “Não sabemos hoje onde existe a falha e o que fazer, porque não acho que o problema esteja na empresa, uma vez que com 35 anos é uma empresa que já deu certo, que gera emprego”, argumentou.

Ouviu da consultora Esmeralda Queiroz sobre a necessidade de se reinventar. De mudar o modelo do negócio. “Mudar o modelo por vezes é preciso, mantendo o negócio, se perguntar se o modelo atual pode ser repensado”, disse Esmeralda, falando ainda da necessidade de se quebrar paradigmas, ainda que isso possa parecer impossível em um primeiro momento. “A dor da empresa é justa”, admitiu a consultora. Mas lembrou que, em casos como esse, é preciso que a empresa ressalte e trabalhe com seus diferenciais, use isso a seu favor, pois não é apenas o preço o fator de decisão do cliente por um serviço ou produto.

“O mercado está mudando muito depressa para muita gente e quem não se mexer poderá morrer”, ressaltou Esmeralda, alertando que todos devem ficar atentos para não perder as oportunidades. Também citou a importância de uma pesquisa junto aos clientes para entender os motivos das reduções de chamadas, no caso da Central Rádio Taxi, e eventualmente as queixas em relação ao serviço. “Mudar a forma de atendimento muitas vezes é oferecer mais do que serviço, é oferecer informação, fornecer inteligência também”, explicou a consultora do Sebrae à gerente Leide.

Se reiventar foi o que fez Nelson Costa Barbosa, do ABC paulista, dono do Food Truck Parada do Cone, onde vende crepe e pastel no cone, além de hambúrguer e hot-dog. Por dez anos ele e a esposa foram donos de um buffet, mas quando os negócios caíram decidiram enveredar pelo caminho dos food trucks. Isso foi há três anos. “Só ficamos em eventos, mais fora de São Paulo, pelo interior do Estado e para outros estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Curitiba, entre outros”, conta Barbosa. São em média quatro viagens por semana. A ideia do pastel no cone surgiu dentro de casa. Veio da filha, formada em comunicação mercadológica.

Barbosa foi um dos empreendedores que participaram, junto com outros donos de food truck, do Festemp, que teve ainda atrações como o Escape Game, jogo em que os participantes puderam usar, na prática, habilidades necessárias para empreender; a Batalha Artística, disputa de artistas na produção de uma obra de arte com a plateia escolhendo o vencedor; drones passando por obstáculos em uma simulação dos obstáculos enfrentados no dia a dia do empreendedor; o Ideathon, um desafio proposto ao público para encontrar solução para um problema apresentado; e o garagem empreendedora, espaço dedicado à inovação e às empresas disruptivas. O Festemp também ofereceu palestras e workshops sobre o tema, terminando com um show dos DJs do JetLag,