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21º Prêmio de Mérito Ambiental incentiva empresas a apresentarem projetos criativos e eficientes

Empresas apresentam iniciativas voltadas à redução do consumo de energia, insumo cada vez mais caro para o processo produtivo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na 17ª Semana de Meio Ambiente foram conhecidos os premiados do 21º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental, cujo objetivo é reconhecer as boas práticas corporativas em ações sustentáveis como a redução de consumo e reúso de materiais e recursos naturais.

Desde 1995, foram recebidos 426 projetos de empresas dos mais variados segmentos e premiados 25 projetos nas categorias “indústria de micro e pequeno porte” e “indústria de médio e grande porte”.

Este ano a vencedora na categoria “média e grande porte” foi a Baxter Hospitalar, e os demais projetos ganharam menções honrosas.

Baxter aposta na redução do consumo de energia

A Baxter Hospitalar, empresa do ramo farmacêutico, está presente no Brasil há mais de 50 anos. Com mais de mil funcionários em 4 unidades, fabrica e comercializa produtos de biotecnologia, terapias especializadas e equipamentos médicos.

Entrega do 21º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental. Foto Everton Amaro/Fiesp

Entrega do 21º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental. Foto Everton Amaro/Fiesp


O objetivo do projeto apresentado para concorrer ao Prêmio, Gestão dos Recursos Naturais, foi demonstrar o trabalho desenvolvido há anos com foco na redução do impacto das atividades da Baxter no meio ambiente.

As iniciativas envolveram as áreas de Operações de Manufatura e Cadeia de Suprimentos (Supply Chain) a fim de minimizar o consumo de recursos naturais com o programa Energia Lean e reduzir as emissões de CO2 no transporte de matéria-prima e produto acabado.

De 2005 a 2013, a Baxter reduziu o consumo de energia a partir de operações em 27% ( indexado à receita). A meta para 2015 é diminuir o uso de energia proveniente de operações em 30% indexado à receita, em comparação a 2005.

Para Daniel Gaspar Coelho, diretor de manufatura da Baxter Hospitalar, o prêmio foi o reconhecimento do trabalho e da dedicação da equipe, atenta aos seus indicadores. “O benefício não é só financeiro, para excelência operacional da qualidade do produto, mas também pessoal, pois essas ações as pessoas levam para a sua vida”, afirmou.

Ao ser questionado se iniciativas deste porte são vistas como custo ou investimento, Coelho foi enfático ao compreender que ações ambientais são investimentos, sim, e reforçou que hoje o consumo de água é menor do que há dez anos atrás e, mesmo assim, se produz mais.

“Não se trata de um projeto, mas um programa existente há mais de dez anos, e isto na Baxter Brasil é muito forte. Nossa unidade é referência em uso sustentável de recursos em comparação com outras plantas”, completou. Há indicadores próprios para avaliar o consumo de água, de energia elétrica, de gás e até de matéria-prima utilizada por unidade produzida.

Menções Honrosas às iniciativas de três empresas

As empresas que mereceram menção honrosa foram Deca, Duratex e Companhia Brasileira de Alumínio.

O projeto Reaproveitamento de resíduos e a economia circular, da Deca, pertencente ao grupo Duratex, desenvolveu projeto piloto que dava desconto de 10% ao consumidor que levasse metal, louça sanitária ou chuveiro elétrico usado quando fosse comprar produtos Deca ou Hydra. Além do incentivo ao descarte correto do material, recolhido às fábricas, ele foi reutilizado na fabricação de novos produtos, reduzindo os custos da compra da matéria-prima no mercado.

O projeto foi desenvolvido para reaproveitamento de 33% do total do refugo de louças. A primeira fábrica a realizar um piloto deste projeto foi a unidade de Louças Jundiaí, que recebeu investimento de R$ 1,5 milhão. A Deca também reutilizará, em seus processos internos, 180 toneladas de bronze e latão por ano.

Já a Duratex S.A., presente em diversos estados brasileiros, apresentou o projeto Ecotransformação de resíduos através do aproveitamento de Lodo de Estação de Tratamento de Efluente Industrial e Cinzas de Biomassa para produção de Fertilizante Orgânico Composto em sua unidade de Agudos.

A iniciativa de 2013 contou com investimento local aproximado de R$ 4,9 milhões e global de R$ 7,3 milhões em pouco menos de 3 anos. Entre os resultados, a eliminação na destinação de resíduos de lodo e cinzas da ordem de 19.000 toneladas em 2014. Para 2015, a companhia deixará de destinar 31.000 toneladas de resíduos provenientes de sua produção industrial de Agudos (SP) e Uberaba (MG). Há ganhos em redução de custos reais da ordem de R$ 2,4 milhões em 2014, com projeção de R$ 3 milhões para 2015.

O projeto Melhorias ambientais da fundição através da implantação de projetos com Lean Six Sigma, da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), da Votorantim Metais, teve como foco a redução do consumo de gás natural e geração de escória.

A aplicação da metodologia Lean Six Sigma (técnicas de definição do problema, mensuração e análise para controle de desvios) foi aplicada à área da Fundição, em 2014, para obtenção de redução de consumo de gás natural em área que abrange 12 fornos de espera de 40 toneladas de capacidade. Com a instalação de novas bicas de carregamento de metal líquido para evitar a necessidade de abertura da porta do forno e consequente perda de calor, obteve-se a redução de 22% no consumo específico de gás natural, além da estabilização do processo operacional. O investimento foi de R$ 28 mil, e a economia gerada alcançou R$ 1,6 milhão em 2014.

O projeto Caldeira de biomassa: autossuficiência energética e sustentabilidade do negócio, da International Paper, foi implantado em sua fábrica em Mogi Guaçu, planta que conta com mais de 1.200 profissionais e produz aproximadamente 400 mil toneladas de celulose por ano.

A iniciativa contou com várias motivações: desde o início da década, os preços da eletricidade aumentaram dramaticamente em função do esgotamento do fornecimento de eletricidade gerada através das hidroelétricas e a dependência maior das termoelétricas, com potencial poluidor maior.

Uma nova caldeira de biomassa substituiu outras três, gerando energia de fonte renovável suficiente para abastecer grande parte da fábrica.

Entre os resultados sociais, o estabelecimento de parcerias e de fomento com diversos produtores rurais no entorno. Com implantação da nova caldeira, a fábrica se tornou 90% autossuficiente em energia, reduzindo a compra externa. O investimento alcançou US$ 90 milhões. Com a queima da biomassa, obteve-se redução de mais de 70% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no período 2011-2014.

Utilização para matérias de pós-consumo: PETs e fosfogesso

Na categoria micro e pequeno porte, as menções honrosas foram conquistadas pela GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia e pela Green do Brasil.

Esta última, localizada em Campinas, apostou na inovação tecnológica para o desenvolvimento do produto Green Fiber, monofilamentos sintéticos à base de polímeros. O processo de fabricação inicia-se pela aquisição de matéria-prima (PET) em diferentes formas (garrafas, bandejas, borras, etc) e sua classificação, separação, trituração e peletização para uso em extrusoras.

Entre suas utilidades, o produto pode ser utilizado no concreto servindo para diversos tipos de construções, como por exemplo, pisos industriais, grandes áreas concretadas como pista de aeroportos, pontes e túneis – nos quais inclusive são utilizados para o revestimento das paredes por meio de jateamento – e ainda contenção de encostas e barrancos. O principal benefício ambiental é a utilização de uma matéria pós-consumo.

Já a GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia desenvolveu pesquisa voltada ao aproveitamento de subproduto das indústrias de fertilizantes, o fosfogesso (gesso químico).

Estima-se que no Brasil haja cerca de 160 milhões de toneladas deste material disponíveis para utilização. Atualmente, somente, 15% do fosfogesso gerado no mundo é reciclado. Entre suas reutilizações, materiais para construção de pré-moldados, como blocos, pisos, placas para forros e divisórias, fabricação de cimento, complemento de adubação e condicionador de solo.

O fosfogesso está sendo utilizado na produção de tintas acrílicas voltadas a ações socioambientais e revitalização de áreas públicas. Foram realizadas 6 ações até março de 2015 na região de São Paulo e principalmente Cubatão/SP, cidade mais impactada por este tipo de resíduo. O fosfogesso utilizado no projeto foi oriundo da empresa Vale Fertilizantes, em Cubatão.

Para o desenvolvimento da pesquisa, foram utilizados 16 produtos químicos necessários à produção das ecotintas. Com isso, foi possível realizar uma mudança da formulação das tintas e incorporar até 40% de fosfogesso tratado na composição das mesmas.