Economia Brasileira
BC realizará venda de até US$ 50 bilhões em swaps cambiais
A estratégia do Banco Central para diminuir os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira foi contemplada ontem com mais munição pesada. O BC informou ao mercado que venderá até US$ 50 bilhões em swaps cambiais para reduzir a volatilidade do câmbio. Após o anúncio da medida, seguida da realização de venda de swaps no valor de US$ 2,23 bilhões, a cotação do dólar despencou de R$ 2,55 no início do pregão para R$ 2,30 no fechamento do dia, com baixa de 3,15%. A Bovespa acompanhou o pessimismo dos mercados internacionais e fechou em queda de 3,57%.
Estoques crescem nas indústrias
A sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) captou uma maior quantidade de empresas com estoques acima do planejado. É a primeira vez em nove trimestres que ocorre esse fato. Entretanto, os resultados são bastante diferenciados conforme o setor de atividade. Dos 27 setores da pesquisa, 13 reportaram estoques acima do desejado.
Economia internacional
PIB do Reino Unido declina 0,5% no terceiro trimestre
Autoridades monetárias do Reino Unido anunciaram hoje que o PIB da região caiu 0,5% no 3º trimestre de 2008 em comparação ao trimestre imediatamente anterior. Essa foi a primeira retração econômica na região desde 1992. No 1º trimestre do ano, o PIB havia crescido 0,3%, enquanto no 2º trimestre, a produção total de bens e serviços havia se mantido estável.
Na comparação entre o 3º trimestre deste ano e o mesmo período de 2007 houve crescimento de 0,3%, a mais fraca taxa de expansão registrada em 16 anos. No 2º trimestre, levando em conta a mesma base de comparação, o PIB cresceu 1,5%.
Esse resultado é reflexo de um arrefecimento generalizado na economia real do Reino Unido. A produção industrial na região registrou retração de 1,0% no 3º trimestre, já o setor de serviços declinou 0,4%, enquanto a construção civil sofreu queda de 0,8%.
Preços das casas decrescem em agosto
A Agência Federal de Financiamento Imobiliário norte-americano (OFHEO), divulgou ontem, dia 23, o índice de preços de casas para o mês de agosto. Segundo a instituição, entre julho em agosto, excluindo-se os efeitos sazonais, os preços das casas decresceram 0,60%, o que representou uma leve recuperação ante o resultado de julho (-0,80%). Porém, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o índice registrou queda de 5,9%.
Vale destacar que devido à deterioração no mercado imobiliário americano, o crescimento das execuções de hipotecas tem provocado a queda dos preços dos imóveis, o que faz aumentar o número de casas disponíveis para venda no mercado. Deste seu ápice em abril de 2007, os preços das residências seguem em queda, assim evidenciando a fragilidade deste setor.
Volume de vendas de casas usadas fica acima da expectativa
As vendas de casas já existentes nos EUA tiveram uma alta de 5,5 % em setembro, informou nesta sexta-feira a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis, na sigla em inglês NAR.
Segundo a instituição, as vendas atingiram um patamar anualizado de 5,18 milhões de unidades em setembro ante 4,91 milhões em agosto. As expectativas de mercado eram de aproximadamente 4,95 milhões unidades. Na comparação com o mesmo período do ano anterior houve um aumento de 1,4%.
Vale destacar que a análise deste indicador é de relevância, pois o volume de casas usadas corresponde por 85% do volume total de vendas de imóveis nos EUA.
Opep diminuirá produção de petróleo a partir de novembro
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reuniu, em caráter emergencial, em Viena para discutir os rumos que a indústria petrolífera tomará diante da crise global. A decisão, anunciada pelo ministro do petróleo da Arábia Saudita Ali Al-Naimi, foi diminuir a produção diária de 28,8 milhões de barris para 27,3 milhões, o que significa um corte produtivo de 1,5 bilhões de barris.
Mercados voltam a amargar perdas nesta sexta-feira
Diante dos temores da recessão mundial, aliados aos fracos resultados corporativos no terceiro trimestre, as principais bolsas de valores do mundo voltaram a amargar perdas nesta sexta-feira.
Hoje no fechamento do mercado Asiático, no Japão, o índice Nikkei despencou mais de 9% e ficou abaixo dos 8.000 pontos, fechando o pregão com perda de 9,59%, menor nível desde abril de 2003. Em Hong Kong, os negócios caíram 8,30% e em Xangai, a bolsa chinesa baixou 1,92%. Porém o destaque da região foi registrado em Seul, na Coréia do Sul, o principal índice sul-coreano, o Kospi, caiu 10,57%, após más notícias sobre a possível desaceleração do PIB do pais.
Seguindo o mesmo movimento dos mercados asiáticos, por volta das 15:00h (horário de Brasília). Às 10:30h, a bolsa de Londres caía 5,00%, o DAX, da bolsa de Frankfurt, decrescia 4,96% e o CAC – 40, da bolsa de Paris, registrava queda de 3,54%. No mesmo horário, em Nova York, a volatilidade tomava conta do mercado, o Índice Nasdaq estava operando em -2,99%, enquanto o S&P 500 amargava o território negativo com perda de 3,66%.
Já no Brasil, o Ibovespa estava em -7,00%, aos 31.452 pontos. Por último, o dólar subia 0,70%, cotado a R$ 2,31/US$.
Perspectivas para a próxima semana
Segunda-feira (27/10/08)
-
Serão divulgadas nos EUA as vendas de novas casas referentes a setembro. No mês anterior as vendas caíram 11,50% e a projeção para este mês é de uma queda menor, de 1,10%.
Terça-feira (28/10/08)
- A FIESP divulgará os Indicadores Industriais - INA (Indicador do Nível de Atividade) e NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) – relativos a setembro. Em agosto, o INA apontou queda da atividade industrial no Estado de São Paulo de 3% na comparação com julho.
- O Banco Central inicia a reunião do COPOM com o intuito de definir a nova taxa básica de juros – Selic. O anúncio deverá ser realizado na quarta-feira (29).
- Nos EUA serão divulgados dados sobre a confiança do consumidor referente a outubro. Em setembro o valor divulgado foi de 59,8 e, neste mês, estima-se que o valor caia para 52,5, dada a turbulência no cenário mundial.
- O FED de Richmond divulgará seu levantamento sobre a atividade industrial nesta região dos EUA para o mês de outubro. No mês anterior, o indicador registrou -18 pontos e a estimativa é de que ele atinja -20 pontos.
Quarta-feira (29/10/08)
- A FGV divulgará a Sondagem da Indústria para o mês de outubro. Trata-se de um levantamento estatístico de natureza qualitativa e que traz informações sobre o estado da economia nacional.
- O Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) divulgará dados sobre emprego e desemprego referentes a setembro. Os dados serão divulgados para a região metropolitana de São Paulo.
- O Banco Central divulgará a nova taxa básica de juros – Selic. A projeção é de que ela se mantenha constante em 13,75%.
- O FOMC ( Federal Open Market Committee) definirá a nova taxa de juros americana. Ante uma taxa de juros de 1,50%, espera-se que haja uma queda para 1,25 %.
Quinta-feira (30/10/08)
- A FGV divulgará o IGP-M para o mês de outubro. Em setembro o índice era de 0,11%.
- A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará o Resultado Primário do Governo Central relativo a setembro. No mês anterior, o resultado apresentou um superávit de R$ 6,28 bilhões. Entretanto, a projeção é de um superávit menor no mês de setembro, da ordem de R$ 3,7 bilhões.
- Nos EUA será divulgado o PIB anualizado referente ao terceiro trimestre deste ano. A previsão é de que o PIB caia 0,50%, ante uma elevação de 2,80% para o período anterior.
Sexta-feira (31/10/08)
- O Banco Central divulgará a Nota à Imprensa relativa à política fiscal para o mês de setembro. O relatório apresenta dados sobre os resultados fiscais, bem como sobre a dívida líquida do setor público.
- Nos EUA serão divulgados dados sobre o rendimento pessoal para o mês de setembro. Em agosto, o valor registrado foi de 0,50% e estima-se que ele caia para 0,10%.
Projeções
de Mercado
Relatório
divulgado em 17/10/2008
Mediana
- Agregado |
2008 |
2009 |
Atual
(17/10) |
Há
uma
semana |
Há
um
mês |
Atual
(17/10) |
Há
uma
semana |
Há
um
mês |
| Produto |
| PIB (% do crescimento) |
5,20 |
5,18 |
4,80 |
3,50 |
3,55 |
3,60 |
| Produção Industrial
(% do crescimento) |
5,50 |
5,50 |
5,65 |
4,00 |
4,00 |
4,20 |
| Inflação |
| IPCA (%) |
6,14 |
6,14 |
6,27 |
4,85 |
4,90 |
5,00 |
| IGP-DI (%) |
9,77 |
9,74 |
10,27 |
5,33 |
5,21 |
5,20 |
| IGP-M (%) |
10,10 |
10,21 |
10,35 |
5,40 |
5,39 |
5,50 |
| Preços Administrados (%) |
3,70 |
3,70 |
3,79 |
5,10 |
5,10 |
5,10 |
| Juros |
| Meta da Taxa Selic - média do período
(% a a) |
12,78 |
12,78 |
12,78 |
14,10 |
14,21 |
14,25 |
| Meta da Taxa Selic - fim de período (%
a a) |
14,75 |
14,75 |
14,75 |
13,50 |
13,75 |
13,75 |
| Câmbio |
| Taxa de Câmbio - média do período
(R$/US$) |
1,65 |
1,69 |
1,72 |
1,80 |
1,74 |
1,70 |
| Taxa de Câmbio - fim de período
(R$/US$) |
1,80 |
1,70 |
1,65 |
1,82 |
1,77 |
1,75 |
| DLSP |
| Dívida Líquida do Setor Público
(% do PIB) |
40,50 |
40,50 |
40,50 |
39,00 |
39,20 |
39,50 |
| Balanço de Pagamentos |
| Conta Corrente (US$ bilhões) |
-29,00 |
-28,05 |
-27,35 |
-34,00 |
-36,00 |
-34,80 |
| Balança Comercial (US$ bilhões) |
23,70 |
23,70 |
23,73 |
12,70 |
12,45 |
13,75 |
| Invest. Estrangeiro Direto (US$ bilhões) |
35,00 |
35,00 |
34,50 |
30,00 |
30,00 |
30,00 |
Fonte: Banco Central do Brasil - Relatório de Mercado/Focus.
O Boletim Focus é uma pesquisa realizada pelo
Banco Central do Brasil com as principais instituições
financeiras do país. Todas as estimativas ali
apresentadas devem ser examinadas com bastante cautela,
pois não significam compromisso do BACEN nem
expressam a opinião da FIESP/CIESP.
| Projeções |
INDICADORES |
Pesos
(%PIB) |
2005 |
2006 |
2007 |
2008
|
2009
|
|
Crescimento do PIB (%) |
100 |
2.9 |
3.7 |
5.4 |
5.4
|
4.1
|
| PIB Indústria
(%) |
25 |
2.1 |
2.9 |
4.9 |
5.8
|
4.4
|
| Extrativa
Mineral (%) |
8 |
9.3 |
5.7 |
3.0 |
5.2
|
4.0
|
|
Transformação (%) |
62 |
1.3 |
2.0 |
5.1 |
5.2
|
4.0
|
|
Construção Civil (%) |
18 |
1.8 |
4.6 |
5.0 |
8.3
|
6.2
|
|
SIUP (%) |
13 |
3.0 |
3.3 |
5.0 |
5.2
|
4.2
|
| Agropecuária
(%) |
5 |
0.3 |
4.2 |
5.3 |
4.3
|
3.6
|
| Serviços
(%) |
56 |
3.7 |
3.8 |
4.7 |
4.6
|
3.6
|
| Impostos Líquidos
sobre Produtos (%) |
14 |
4.4 |
5.0 |
9.1 |
8.2
|
6.0
|
|
Consumo das
Famílias (%) |
60 |
4.5 |
4.6 |
6.5 |
6.0
|
4.8
|
| Consumo do
Governo (%) |
20 |
2.3 |
2.8 |
3.1 |
3.7
|
3.5
|
| FBCF (%) |
18 |
3.6 |
10.0 |
13.4 |
14.0
|
9.0
|
| Exportações
de Bens e Serviços (%) |
14 |
9.3 |
4.7 |
6.6 |
5.2
|
4.5
|
| Importações
de Bens e Serviços (%) |
-12 |
8.5 |
18.3 |
20.7 |
19.0
|
15.2
|
| Produção
Industrial (%) |
--- |
3.1 |
2.8 |
6.0 |
5.8
|
4.2
|
| Exportações
(US$ Bilhões) |
--- |
118.3 |
137 |
160.6 |
204.6
|
227,9
|
| Importações
(US$ Bilhões) |
--- |
73.6 |
91.4 |
120.6 |
179.9
|
213.7
|
| Saldo
da Balança Comercial (US$ Bilhões)
|
--- |
44.7 |
46.1 |
40.0 |
24.7
|
14.2
|
| INA
- FIESP/CIESP (%) |
--- |
3.7 |
3.0 |
6.1 |
7.5
|
4.2
|
| Emprego
Industrial - FIESP/CIESP (%) |
--- |
4.2 |
1.60 |
3.2 |
4.0
|
2.6
|
Elaboração FIESP/CIESP
Projeções em vermelho |