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Informativo eletrônico - Edição - 138

17 de setembro de 2008
Prezado leitor,

Você está recebendo o Macro Visão. Nesta edição, abordamos os seguintes temas:

Atividade:

  • Indústria paulista cria 7 mil vagas em agosto.

    Economia dos EUA:
  • Construção de novas casas cai 6,2% em agosto.
  • Déficit em contas correntes apresenta piora no 2º trimestre.

    Especial:
  • A relação da taxa de câmbio com o descompasso entre oferta e demanda.

    Desejamos uma boa leitura.

  •  Atividade 

    Indústria paulista cria 7 mil vagas em agosto

    Pesquisa de emprego da Fiesp e do Ciesp verificou que a indústria paulista de transformação gerou 7 mil posto de trabalho em agosto. A registrada foi de 0,46%, na série com ajuste sazonal, e de 0,32%, sem ajuste.

    No ano, o emprego industrial cresceu 7,14%, com 156 mil empregos criados. Em 12 meses, o indicador acumula expansão de 4,64%, com 104 mil vagas abertas. Com este resultado e em função da alta base de comparação com o segundo semestre de 2007, o crescimento em 12 meses mantêm-se praticamente estável desde junho.

    Dos 21 setores pesquisados, 16 variaram positivamente, com destaque para: máquinas de escritório e equipamentos de informática (4,14%), móveis e indústrias diversas (2,72%) e couro e calçados (3,96%) – segmentos estimulados pela indústria calçadista, que inicia contratações para atendimento dos pedidos de fim de ano.

    Contudo, houve redução de pessoal nos setores de borracha e plástico (0,8%), devido ao encerramento das atividades de uma empresa da amostra. Coque, refino de petróleo, combustíveis nucleares e álcool também registraram queda 2,27%, em função de fatores sazonais relacionados à cultura da cana-de-açúcar.


     Economia dos EUA 

    895 mil novas casas começaram a serem
    construídas no mês de agosto

    De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, 895 mil novas residências começaram a ser construídas no mês de agosto no país - série com ajuste sazonal. Com isso, verificou-se redução de 6,2% em relação as 954 mil casas iniciadas em julho (número revisado). Na comparação entre agosto de 2008 e agosto de 2007, a queda foi de 33,1%, uma vez que no 8º mês do ano passado 1.337 milhão de novas moradias eram construídas.

    O relatório também mostrou dados referentes ao número de permissões concedidas para a construção de novas residências em agosto de 2008. 854 mil permissões foram outorgadas (série com ajuste sazonal), quantidade 8,9% menor do que o registrado em julho (937 mil) e 36,4% abaixo do número revisado de agosto de 2007 (1.343 milhão).

    Déficit em conta corrente dos EUA aumenta para US$ 183,1 bilhões

    O Departamento de Comércio dos EUA informou também que o déficit em conta corrente da economia norte-americana aumentou para US$ 183,1 bilhões (5,1% do PIB) no segundo trimestre de 2008. No primeiro trimestre deste ano, o déficit foi de US$ 175,6 bilhões. O saldo negativo da balança comercial foi o maior responsável pela piora nas contas correntes, que incluem, além da comercialização de bens, os serviços e as transações financeiras.


     Especial: A relação da taxa de câmbio com o descompasso entre oferta e demanda 

    O Descompasso é Cambial1

    Após a divulgação do resultado do PIB do segundo semestre, na última quarta-feira (10), continuou repercutindo a discussão do descompasso entre oferta e demanda da economia brasileira, verificado na diferença de crescimento anual de 6% da oferta agregada (PIB) e o crescimento anual 8% da demanda doméstica (consumo das famílias + investimentos + consumo do governo). Para o Banco Central, este descompasso alimenta processos inflacionários e, desta forma, justificam-se os recentes aumentos da taxa de juros Selic.

    Em nossa avaliação, o grande responsável por essa diferença nas taxas de crescimento é o “descompasso cambial”, ou seja, a valorização da taxa de câmbio gera desequilíbrio entre oferta e demanda internas. A taxa de câmbio valorizada estimula a importação e restringe a exportação, diminuindo o saldo comercial. Em conseqüência do estímulo cambial às importações, há maior dificuldade para que a produção nacional acompanhe o crescimento da demanda.


    Fonte: IBGE, IPEADATA e FUNCEX. Elaborado por FIESP.

    O gráfico abaixo deixa claro que, até 2005, o PIB crescia acima da demanda doméstica. A partir de então, inicia-se o processo de forte valorização cambial e a demanda doméstica passa a crescer mais rapidamente que o PIB. O ponto A do Gráfico 1 mostra que a taxa de câmbio estava valorizada em 2000. Este processo de valorização fez com que as curvas de crescimento do PIB e da demanda doméstica se tocassem em 2001 (ponto B). Isso já demonstra que qualquer processo mais intenso de valorização cambial causa distorções entre oferta e a demanda agregadas. O ponto C marca o início do processo de valorização cambial que, alguns trimestres adiante, levou a reversão das curvas do PIB e da demanda doméstica (Ponto D). Em outras palavras, se antes daquele período o crescimento do PIB era maior que o crescimento da demanda interna (e por isso havia maiores condições de exportar e elevar a conta corrente), após 2005 a valorização da taxa de câmbio real fez com que a demanda doméstica ficasse maior que a oferta agregada do país. Sendo assim, a questão central não é se a capacidade produtiva interna tem ou não condições de atender a demanda. Na verdade, a valorização cambial retira artificialmente a competitividade do setor produtivo nacional, restringindo a capacidade de crescimento da oferta doméstica.

    Com o intuito de verificar a influência da taxa de câmbio sobre a diferença de crescimento entre o PIB e a demanda doméstica, realizamos um teste econométrico em que se verificou que 50% da diferença entre as taxas pode ser atribuído à variação cambial. A outra metade é fruto de fatores como, por exemplo, gastos do governo, rendimento real, crédito, etc.

    Em suma, o descompasso cambial é fato gerador dos presentes déficits em conta corrente e futuro déficit comercial. Caso nada seja feito para corrigir o desalinhamento da taxa de câmbio, o equilíbrio da demanda doméstica será sempre compensado pelo crescimento das importações, o que restringe o crescimento da produção nacional e gera instabilidade no setor externo da economia.
    1Síntese dos principais pontos do artigo “O DESCOMPASSO É CAMBIAL”, publicado na íntegra no www.fiesp.org.br


     Projeções de Mercado 

    Relatório divulgado em 12/09/2008
    Mediana - Agregado
    2008
    2009
    Atual
    (12/09)
    Há uma
    semana
    Há um
    mês
    Atual
    (12/09)
    Há uma
    semana
    Há um
    mês
    Produto
    PIB (% do crescimento) 5,01 4,80 4,80 3,60 3,60 3,70
    Produção Industrial (% do crescimento) 5,65 5,65 5,50 4,20 4,20 4,23
    Inflação
    IPCA (%) 6,26 6,27 6,44 4,99 5,00 5,00
    IGP-DI (%)

    10,00

    10,27 10,86 5,20 5,20 5,32
    IGP-M (%) 10,20 10,35 10,96 5,40 5,50 5,50
    Preços Administrados (%) 3,72 3,79 3,80 5,13 5,10 5,13
    Juros            
    Meta da Taxa Selic - média do período (% a a) 12,78 12,78 12,78 14,25 14,25 14,15
    Meta da Taxa Selic - fim de período (% a a) 14,75 14,75 14,75 13,75 13,75 14,00
    Câmbio            
    Taxa de Câmbio - média do período (R$/US$) 1,66 1,65 1,65 1,70 1,68 1,68
    Taxa de Câmbio - fim de período (R$/US$) 1,65 1,65 1,61 1,75 1,75 1,72
    DLSP            
    Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB) 40,55 40,50 40,50 39,10 39,50 39,25
    Balanço de Pagamentos            
    Conta Corrente (US$ bilhões) -28,00 -27,35 -28,00 -34,00 -34,80 -33,42
    Balança Comercial (US$ bilhões) 23,60 23,73 23,30 13,00 13,75 15,00
    Invest. Estrangeiro Direto (US$ bilhões) 34,60 34,50 34,65 30,37 30,00 30,00
    Fonte: Banco Central do Brasil - Relatório de Mercado/Focus.


    Projeções Depecon - Fiesp/Ciesp
    INDICADORES
    2005
    2006
    2007
    2008
    2009
    Crescimento do PIB
    %
    2.9
    3.7
    5.4
    5.4
    4.1
    PIB Indústria
    %
    2.1
    2.9
    4.9
    5.8
    4.4
    Extrativa Mineral
    %
    9.3
    5.7
    3.0
    5.2
    4.0
    Transformação
    %
    1.3
    2.0
    5.1
    5.2
    4.0
    Construção Civil
    %
    1.8
    4.6
    5.0
    8.3
    6.2
    SIUP
    %
    3.0
    3.3
    5.0
    5.2
    4.2
    Agropecuária
    %
    0.3
    4.2
    5.3
    4.3
    3.6
    Serviços
    %
    3.7
    3.8
    4.7
    4.6
    3.6
    Impostos Líquidos sobre Produtos
    %
    4.4
    5.0
    9.1
    8.2
    6.0
    Consumo das Famílias
    %
    4.5
    4.6
    6.5
    6.0
    4.8
    Consumo do Governo
    %
    2.3
    2.8
    3.1
    3.7
    3.5
    FBCF
    %
    3.6
    10.0
    13.4
    14.0
    9.0
    Exportações de Bens e Serviços
    %
    9.3
    4.7
    6.6
    5.2
    4.5
    Importações de Bens e Serviços
    %
    8.5
    18.3
    20.7
    19.0
    15.2
    Produção Industrial
    %
    3.1
    2.8
    6.0
    5.8
    4.2
    Exportações
    US$ Bilhões
    118.3
    137
    160.6
    204.6
    227,9
    Importações
    US$ Bilhões
    73.6
    91.4
    120.6
    179.9
    213.7
    Saldo da Balança Comercial
    US$ Bilhões
    44.7
    46.1
    40.0
    24.7
    14.2
    INA - FIESP/CIESP
    %
    3.7
    3.0
    6.1
    7.5
    4.2
    Emprego Industrial - FIESP/CIESP
    %
    2.9
    -0.10
    5.1
    4.0
    2.6
    Elaboração FIESP/CIESP
    Projeções em vermelho
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