|
As informações divulgadas hoje pelo Banco Central do Brasil possibilitam a avaliação do desempenho do crédito à indústria no primeiro quadrimestre de 2009, ou seja, na comparação de abril com dezembro de 2008. Neste período, as operações de empréstimos ao setor industrial aumentaram somente 0,9%, percentual inferior às taxas de variação do crédito total e do crédito ao setor privado (ambas +1,7%) e, principalmente, ao ritmo de expansão das modalidades de crédito às famílias. Essa é uma sinalização de que de fato o crédito para o setor continua escasso. Ainda assim, em relação às demais modalidades de crédito empresarial, este desempenho foi relativamente mais favorável, ficando atrás somente do crédito ao setor rural (+4,1%). No caso dos setores de comércio e outros serviços, houve retração do volume nominal do estoque de crédito. Significa isso dizer que nesses demais segmentos o crédito está ainda mais difícil.
A análise da distribuição do crédito por propriedade de capital revela que foram os bancos públicos que sustentaram a expansão do crédito à indústria, cujo valor cresceu 4,2% em abril na comparação com dezembro, frente à taxa muito baixa de +0,2% no sistema privado nacional e à variação negativa de 5% no sistema privado estrangeiro. A mesma conclusão se aplica aos empréstimos aos setores de comércio e outros serviços, que registraram crescimento no sistema financeiro público e forte contração nos sistemas privados nacional e estrangeiro. Diante do efeito-contágio da crise internacional, as instituições privadas privilegiaram os empréstimos às famílias, de mais fácil avaliação e maior rentabilidade, vis-à-vis o crédito às empresas. Portanto, do lado do crédito empresarial, a restrição de crédito teria sido muito mais grave, não fosse a parcial compensação pelas instituições públicas.
Os dados do BCB também permitem a análise da evolução do crédito por origem de recursos. Na mesma base de comparação (abril contra dezembro), o crédito com recursos livres cresceu 0,6% e aquele com recursos direcionados 4,6% (como já mencionado, o crédito total expandiu 1,7% no período). No segmento de recursos livres, a expansão ancorou-se nos empréstimos às pessoas físicas, que aumentaram 4,4%, enquanto, no caso das pessoas jurídicas, houve contração de 2,6% (resultado de uma queda de 0,9% no estoque de crédito com recursos domésticos e de 9,7% nas operações com recursos externos).
Leia
aqui o texto completo desta Análise
|