Combinados com os dados do IBGE sobre a produção industrial divulgados
na última terça-feira, as informações de hoje da CNI deixam claro
o que muitos insistem em não querer ver: há uma nítida tendência
de desaceleração da atividade da indústria, assim como há uma
flagrante paralisação do aumento do grau de utilização da capacidade
produtiva no setor. O primeiro ponto informa que não ocorreu a
explosão do crescimento econômico que muitos temiam na entrada
de 2008; o segundo não confirma o descompasso entre os ritmos
de crescimento de oferta e demanda, tão insistentemente apontado
por tantos analistas como indicador do perigo iminente de inflação
de demanda.
Segundo a CNI, o faturamento real da indústria em maio último
cresceu 5,3% sobre maio de 2007, mas nos meses anteriores o crescimento
fora maior. Manteve-se o crescimento, porém, a um ritmo menor,
como registra a instituição. A propósito, no período janeiro-abril
o faturamento real do setor industrial cresceu em média 8,7% com
relação ao mesmo período de 2007. Quanto ao número de horas trabalhadas,
indicador que, como esclarece a CNI, é o que mais diretamente
se associa à produção industrial, dois resultados merecem destaque
para mostrar que a desaceleração que ocorre neste caso já se aproxima
de uma estagnação na margem. A variação ocorrida na comparação
maio de 2008 com maio de 2007 foi de 2,7%, um índice muito abaixo
da variação de 6,7% ocorrida na média do período de janeiro-abril
de 2008 com relação a janeiro-abril de 2007. Por outro lado, há
três meses não há crescimento no número de horas trabalhadas na
comparação com o mês anterior na série com ajuste sazonal.
Finalmente, a utilização de capacidade na indústria de transformação
mostra estabilidade há nada menos do que nove meses, como sublinha
a CNI. Em maio deste ano com dados já ajustados sazonalmente,
a utilização de capacidade foi 82,8%, contra 82,9% em abril, sendo
que em setembro de 2007 o mesmo índice de 82,8% era registrado.
Com relação a maio do ano passado praticamente não houve variaç??????ão
do índice de utilização. Este, sem ajuste sazonal, era de 83,2%
no primeiro caso, tendo sido de 83,1% no mesmo mês de 2007. Vários
e importantes setores reduziram o grau de utilização, denotando
que os investimentos incorporados ao parque produtivo cresceram
em ritmo superior à demanda. Por outro lado, poucos foram os casos
de aumento significativo: Couros e calçados, Borracha e plástico,
Minerais não metálicos e Móveis e indústrias diversas e, sobretudo,
Veículos automotores, caso em que o grau de utilização subiu de
85,7% para 89,6% entre maio de 2007 e maio de 2008. Ou seja, se
há um “excesso de demanda” que está tornando excessivamente alto
o grau de utilização na indústria brasileira, este é o caso de
veículos automotores, o que por si só não justificaria elevações
pronunciadas da taxa de juros básica, mas, se tanto, um maior
controle do crédito, que é a variável que mais alimenta a demanda
do setor.