Grupo Jari: relacionamento com a comunidade é o forte dessa empresa


 Referência mundial em manejo sustentável de floresta tropical nativa, o Grupo Jari mostra que é possível atenuar seus impactos negativos com projetos bem estruturados

Por Karen Pegorari Silveira

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Meta: aliar crescimento econômico com conservação ambiental e relação com a comunidade

O Grupo Jari atua nos segmentos de madeira certificada, celulose, papel e embalagens, minerais e produtos não madeireiros, como óleo e sementes. Suas bases florestais ficam nos estados do Pará, Amapá e São Paulo. A meta da empresa é aliar crescimento econômico, conservação ambiental e desenvolvimento social.

Há quase 20 anos, trabalham em parceria com diversas instituições nacionais e internacionais promovendo o desenvolvimento sustentável, mas para garantir a sinergia das empresas do Grupo, os projetos e ações estão concentradas na Fundação Jari que, atualmente, está com um foco maior na área social e no relacionamento com a comunidade.

A entidade elabora e compartilha projetos nas áreas de educação, saúde, cultura e geração de emprego e renda. Segundo Sergio Amoroso, acionista e chairman, a sustentabilidade é uma das premissas do Grupo. “O desenvolvimento sustentável, na realidade, é procurado por todas as nossas empresas, buscando aliar as demandas econômicas, ambientais e sociais”, declara Amoroso.


Um dos destaques desse trabalho é o projeto Fomento Florestal, que alia benefícios econômicos, sociais e ambientais, e os projetos de geração de renda e educação, destinados a incentivar o empreendedorismo entre as comunicadas locais. Além disso, o manejo florestal e o extrativismo é organizado de forma pioneira em bases empresariais.

Com o projeto de extrativismo das castanhas-do-pará, na cidade de Almeirim, região do Vale do Jari (PA), o grupo conseguiu dobrar o preço pago aos extrativistas após diversificar os derivados da castanha e oferecer o azeite extra virgem, creme e granulado e a castanha-do-pará in natura. Para se ter uma ideia, em 2009, mesmo com a retração do consumo provocada pela crise mundial, o valor pago pelos produtos derivados chegou a aumentar 100%.

Além disso, o grupo envolveu nesse projeto, a capacitação e organização dos extrativistas das comunidades de Almeirim, que estão na base da pirâmide da cadeia de produção, e introduziu as boas práticas de coleta, transporte, seleção, secagem e armazenagem das castanhas, dando mais independência aos extrativistas nas relações com o mercado. Hoje, mais de 100 famílias que participam desse projeto, vivem dessa extração.

Em todas as regiões que o Grupo atua foram implantadas ações de apoio ao desenvolvimento e bem-estar social das comunidades com projetos para capacitar moradores nas atividades relacionadas ao uso sustentável da floresta e programas de geração de renda e educação. Entre esses projetos, destacam-se o Geração Aprendiz, que qualifica e inclui simultaneamente jovens e adolescentes no mercado de trabalho; Estação Digital, que oferece cursos de informática com acesso à internet gratuitamente para mais de 5 mil moradores; o Atleta Solidário, que treina pessoas com deficiência para competições nacionais e estaduais; e a Escola da Madeira, que ensina marcenaria e empreendedorismo a partir do processamento de resíduos de madeira certificada.

Para gerar renda às comunidades, organizou-se cooperativas de mulheres e jovens para fabricar uniformes, biojóias e diversos outros artefatos naturais produzidos com madeira e resíduos de madeira certificada. Além desta iniciativa, há uma outra que orienta agricultores a reaproveitarem áreas já alteradas pela prática tradicional da lavoura (roça), por meio do uso da adubação orgânica, da diversificação e rotação de culturas, do plantio de espécies resistentes e adaptadas às condições do clima local, e do controle eficaz de pragas e doenças, estimulando também o uso de defensivos naturais alternativos, além de vários outros programas para promover a sustentabilidade econômica dessas comunidades.

Sergio Amoroso, acionista e chairman do Grupo Jari, conta que os 13 anos de vivência na região do Vale do Jari foram de aprendizado e experiências riquíssimas. “Atuar em uma região onde 150 mil pessoas são impactadas e grande parte depende de suas ações traz uma nova perspectiva de como a organização se relaciona com o ambiente em que está inserida. Nosso olhar hoje é integrado. Não tem como pensar em qualquer negócio sem pensar nas pessoas e no meio ambiente”, conta Amoroso.

Em 2014, o grupo pretende intensificar as ações de geração de renda nas comunidades. Mas o maior desafio desse ano, segundo a empresa, é entrar no mercado de celulose solúvel e tornar esse projeto totalmente sustentável.