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Entrevista: Riscos e Consequências na Cadeia de Fornecedores


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Por Karen Pegorari Silveira

O especialista em Sustentabilidade Empresarial, Vitor Seravalli*, comenta sobre os riscos e consequências para as indústrias que não se preocupam com sua cadeia de fornecedores em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes.

Segundo ele, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Saiba mais na íntegra da entrevista:

Em um cenário com mercado e consumidores cada vez mais exigentes, desenvolver a cadeia de valor requer mais do que preocupar-se com suas práticas socialmente responsáveis e eventuais impactos que elas podem causar. Diante disso se torna cada vez mais importante conhecer quem são e como trabalha sua cadeia de valor. Neste caso, como o gestor pode avaliar se o seu fornecedor de insumos e mão de obra opera dentro das normas socioambientais?

Vitor Seravalli: De acordo com as possibilidades de cada empresa e dos recursos disponíveis às mãos dos gestores, níveis diferentes de sistematização podem ser implementados em processos de aquisição de produtos ou serviços. Desde um simples questionário de preenchimento obrigatório com perguntas específicas, até cláusulas contratuais e formalização de compromissos, como adesão de códigos de conduta, etc., são práticas preventivas que contribuirão para que os riscos aos negócios em cadeia de suprimentos sejam reduzidos.

Evidentemente, quando a empresa tem uma gestão da ética em seus negócios de acordo com valores e princípios bem estabelecidos, o caminho é mais simples. Porém, é sempre necessário o monitoramento constante por meio de indicadores, ou mesmo auditorias estruturadas.

Quais os principais riscos e consequências para quem não se preocupa com a escolha dos seus fornecedores? Pode citar alguns exemplos?

Vitor Seravalli: Para empresas que apenas se preocupam com questões financeiras em detrimento de outras questões socioambientais mais amplas, inúmeros são os riscos potenciais aos seus negócios, uma vez que as mesmas são corresponsáveis por tudo o que vier a acontecer em sua cadeia de valor. Entre os possíveis problemas, podem ser citados:  a destinação inadequada de resíduos com danos ao meio ambiente, relacionamentos não éticos entre os fornecedores e seus stakeholders, sonegação de impostos, desrespeito aos direitos humanos, etc. Além disso, podem ocorrer sanções legais e outras restrições, até o limite em que a empresa perca a sua licença para operar.

Existe uma mobilização mundial em torno de matéria-prima certificada – como o algodão por exemplo, e o Brasil é atualmente o maior fornecedor deste insumo. Em contrapartida, o interesse nacional por esse mesmo algodão certificado ainda deixa a desejar no país. Por que muitas indústrias ainda não desenvolveram a consciência de utilizar somente matéria-prima sustentável em sua cadeia e como é possível instruí-las?

Vitor Seravalli: Eu acredito que seja uma questão basicamente cultural, mas já é possível observar uma tendência para utilização de insumos certificados e que estejam de acordo com normas e regulamentações aceitas internacionalmente. Contudo, não se trata de um passe de mágica. Para que esta tendência se materialize e a mudança ocorra mais rapidamente, as empresas precisarão considerar a adesão e a valorização das certificações como um compromisso espontâneo baseado em princípios da sustentabilidade. Nesse contexto, os diversos segmentos industriais, legitimamente representados por sindicatos e federações, tem papel importante para a conscientização, instrumentalização e capacitação para que todos compreendam essa tendência e busquem adesão.

Segundo especialistas, as companhias que de fato se preocupam com a sustentabilidade, enxergam as questões socioambientais como parte da empresa e fazem da sustentabilidade uma estratégia de negócio. No entanto, nem sempre as empresas conseguem engajar lideranças, sócios e colaboradores neste pensamento. Como é possível disseminar esta ideologia dentro da empresa a fim de alcançar a sustentabilidade em toda a companhia?

Vitor Seravalli: As empresas que são bem-sucedidas na implementação da sustentabilidade como estratégia de negócios, entendem a importância de uma orientação com foco claro para resultados em todas as suas iniciativas. Por mais benéfico que um investimento em sustentabilidade seja, é fundamental que ao seu final ele agregue, além de valores intangíveis, também valores que possam se materializar em resultados econômicos e financeiros, ganhos de mercado, redução de custos, maior acesso a capitais restritos, pois estes resultados são percebidos e reconhecidos por todos os stakeholders da organização.

Não é à toa, que uma das áreas mais prioritárias do desenvolvimento sustentável é a cadeia de valor, pois afinal, ela representa o completo ciclo de vida de qualquer negócio.

 *Vitor Seravalli é sócio-diretor da Seravalli Consulting.