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Entrevista: Desafios e Benefícios da Transparência para as Empresas


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Por Karen Pegorari Silveira

Nesta entrevista o gerente da unidade de Políticas Públicas do Sebrae, Bruno Quick, comenta sobre a importância das organizações responsáveis e transparentes para o Desenvolvimento Sustentável de um país.

Para ele, a falta de integridade traz riscos, o risco da sonegação, o risco da corrupção e da penalização, o risco da perda de valor de marca, entre outros problemas sérios.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Por que organizações eficazes, responsáveis e transparentes são importantes para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Bruno Quick – Porque são essas instituições que praticam um padrão de ética e de integridade que equilibra as relações com o setor econômico, com a sociedade e com o próprio Estado. Então cada empresa que pratica um padrão de integridade, de ética, de justiça nas suas relações ajuda a firmar no país um novo padrão e esse padrão é que é capaz de gerar o que se chama de sustentabilidade do desenvolvimento. Aliás quando se fala em desenvolvimento, devíamos dispensar o adjetivo sustentável, porque se não é sustentável, não é desenvolvimento, é crescimento, e em um pais não basta o crescimento; o crescimento não implica necessariamente em bem-estar, nem em democratização de oportunidades. Então o setor empresarial tem um papel muito importante, porque ele atua na sociedade através de emprego, através de serviços e produtos que oferece, ele tem um papel preponderante na economia porque gera oportunidade, gera riqueza, agrega valor, recolhe tributos. O setor empresarial e a sociedade são quem sustenta o Estado.

Quais os principais desafios e que tipos de ações podem ajudar as empresas a implantarem a meta 16 dos ODS?

Bruno Quick – Vamos começar pelo tema mais crítico na atualidade – a corrupção. Não podemos transigir com o que é certo, não devemos fugir ao que pode ser tornado público e que ao final das contas é de interesse público, é de interesse do país. É preciso firmar contratos equilibrados, respeitar os contratos firmados, exigir do Estado as condições necessárias a estar na formalidade, entre outras ações. O empreendedor tem que fazer política, tem que fazer defesa de interesses, de um interesse legitimo das empresas enquanto responsáveis pela dinamização da economia, exigir que a burocracia diminua, que as regras sejam claras e estáveis e que a concorrência justa. Então a participação política das empresas em exigir um bom ambiente de negócios é essencial. Elas devem participar das suas entidades, ter relação justa a transparente com seus funcionários, fornecedores, clientes e ter clareza no que entrega. Não admitir o assédio e oferecer igualdade de oportunidades entre gênero, raça, de religião. Então a empresa é um espaço de cidadania muito intenso, e pode fazer valer um padrão ético na sua cadeia. A empresa deve entender que ela é engrenagem fundamental para o seu setor, para a sua comunidade e ela precisa fazer com que esse conjunto de engrenagens gire para o lado correto. Obviamente empresa sem lucro não existe, mas esse lucro há de se entender que este lucro, para além de remunerar o capital e recompensar os empreendedores, está a serviço das pessoas, no que elas que consome, onde elas que trabalham, e elas são o motivo de ser das empresas

Pode nos dar exemplos de inciativas de sucesso já realizadas por algumas organizações relacionadas a este ODS?

Bruno Quick – Estamos com movimentos consistentes de fomento à cultura de integridade. Em parceira com a CGU, o Sebrae lançou o programa Empresa Íntegra que traduz conceitos e estimula o empreendedor a se diferenciar no mercado elaborando seu plano de integridade. Em 2017 fizemos eventos em todo país para disseminar o tema juntamente com os eventos FOMENTA que alcançaram cerca de 3 mil empresários, além de nosso portal http://sebrae.com.br/empresaintegra que traz uma séria de conteúdos sobre o tema.

Há também uma iniciativa global presente no Brasil, denominada Alliance for Integrity que reúne empresas, governo e terceiro setor para capacitar e oferecer instrumentos a pequenos e médios negócios na implementação de programas de integridade, da qual a CGU também faz parte.

Na outra ponta podemos citar a ação do Estado: Além conhecida da Lei Anticorrupção, neste mês de novembro o executivo lançou decreto de governança que determina que práticas de integridade sejam adotadas na administração pública federal, bem como no estado Rio de Janeiro e no GDF surgem normas que já determinam que licitações públicas de determinado valor só poderão ter participantes empresas com seus programas de integridade.

Uma boa resposta a esse fomento é o prêmio Pró-Ética da CGU que atrais centenas de empresa que querem ser reconhecidas e valorizadas por seus programas de integridade. É um caminho sem volta, o Compliance ou a adoção de programas de integridade estão se tornando tão presentes que em breve estará incorporado à cultura dos empreendedores e Estado.

A implementação bem-sucedida do ODS 16 resulta em quais benefícios para as empresas e sociedade?

Bruno Quick – Cada vez mais a sociedade se preocupa e quer saber o que ele está comprando, e hoje há uma maior preocupação em, por exemplo, de não comprar produto de empresas envolvida em trabalho escravo ou trabalho infantil, que pratiquem atos de corrupção, usem materiais que tragam riscos ou danifiquem o meio ambiente ou a saúde pública. O que se trata por valor agregado. A empresa precisa ser clara quanto ao que está oferecendo ao consumidor, sem filtros e sem distorções. Outra questão também é a transparência para os investidores. A não integridade traz riscos, o risco da sonegação, o risco da corrupção e da penalização, o risco da perda de valor de marca, então são inúmeros riscos que você afasta ao dar transparência. É preciso mitigar os riscos e construir empresas para durar. Não há nada mais satisfatório para o empresário do que deixar um legado.