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ENTREVISTA: PRESIDENTE DA ELEKTRO FALA PORQUE EMPRESAS DEVEM TRATAR A QUESTÃO DA EQUIDADE DE GÊNERO


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Por Karen Pegorari Silveira

Eleito o “Líder Mais Admirado do País” por uma reconhecida revista brasileira, Márcio Fernandes, presidente da Elektro, fala da importância de se debater a equidade de gênero nas empresas e como esta temática pode ser inserida naturalmente na gestão do negócio. Para ele, experiências que sensibilizam e prepararam as lideranças empresariais para tratar as diferenças costumam dar bons resultados.

Saiba mais na íntegra da entrevista:

Por que as empresas brasileiras precisam entender sobre equidade de gênero? Qual o impacto deste tema nas empresas em termos sociais e econômicos, considerando o contexto nacional e internacional?

As empresas têm um papel importante na sociedade e na quebra de paradigmas. Sabemos que a presença da mulher nas organizações está aumentando, mas ainda não é expressiva. Neste contexto, as empresas podem ser catalizadoras deste processo e devem fomentar no que for possível este movimento. Quando inserimos a temática da equidade de gênero nas empresas, sabemos que as nossas pessoas levam também esta discussão para suas casas e seu ambiente de convívio, o que potencializa ainda mais a nossa influência na sociedade.

De que forma é possível inserir este debate nas organizações? O senhor concorda que uma mudança de paradigma como esse tema só se concretiza se for um processo top-down?

O apoio da alta liderança é um catalizador importante e, metade de minha diretoria é composta por mulheres. Mas o debate sobre equidade de gênero não depende apenas disso. Ele surge naturalmente quando nossas pessoas estão atentas as necessidades e particularidades dos outros indivíduos. Fomentamos isso por meio do desenvolvimento da nossa liderança, que é encorajada a lidar com as diferenças de uma forma bastante ampla e profunda. Nos últimos anos levamos 100% de nossos líderes, por exemplo, para reformar uma creche e até para realizar sonhos de crianças com doenças terminais. Essas experiências sensibilizaram e prepararam os líderes para tratar as diferenças em geral de forma muito mais assertiva e prática. Prefiro a mudança sustentável gerada pelo botton up.

Por onde e como começar? Na sua opinião, quais as primeiras iniciativas viáveis para implementação de políticas e ações sobre equidade de gênero por empresas brasileiras, sobretudo as PMEs?

O primeiro passo é garantir que a seleção de pessoas na organização seja um processo maduro, imparcial e isento. Gosto de fazer isso abrindo todos os processos para todos os colaboradores e fazendo com que a avaliação seja realizada, além do gestor da área, por gestores de outras áreas e membros do comitê de pessoas (formado por pessoas que tem interesse genuíno por outras pessoas). Além disso, mapeamos as áreas com maior presença de mulheres, como é o caso da nossa Central de Relacionamento com os clientes por exemplo, e garantimos que essas colaboradoras serão desenvolvidas e poderão participar de nossas seleções de forma igualitária. Outro mecanismo é quebrar paradigmas como a da ausência de mulheres em funções específicas, como é o caso da atividade exercida por eletricistas. Criamos uma Escola de Eletricistas, que prepara mulheres e homens para atuar em diversas frentes de trabalho com igualdade.

Hoje, quais são os principais impulsionadores (compulsórios e voluntários) desta temática no universo corporativo? Como lideranças empresariais e os profissionais estão lidando com a questão? 

Hoje há diversos impulsionadores para a maior presença da mulher e igualdade de gênero nas organizações. As instituições que avaliam o clima organizacional das empresas destacam em seus quesitos, por exemplo, a participação das mulheres na força de trabalho e em especial em posições de liderança. Além disso, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU, também encorajam as organizações a pensar no tema. Enfim, este espaço será ocupado pelas mulheres com ou sem auxílios ou pressões, mas o que acho mais efetivo é oferecer possibilidades iguais e decidir imparcialmente.

O que as empresas têm a ganhar com o equilíbrio entre homens e mulheres no quadro de funcionários, nas posições de liderança, na política salarial e oportunidades de carreira?

Acredito que times diversificados produzem discussões mais ricas e maduras, as pessoas trazem suas diferentes experiências e o resultado fica muito melhor. Uma gestão mais equilibrada e diversa é também uma gestão mais humana, mais atenta às diferenças e particularidades de cada indivíduo. Os processos seletivos, mais justos e isonômicos, promovem um sentimento de imparcialidade em toda a organização e garantem com que tenhamos sempre as melhores pessoas em todas as nossas posições.