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Artigo: O valor da promoção da sustentabilidade na cadeia de valor


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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Por Cristina Fedato*

As mudanças que vem ocorrendo no mundo nas últimas décadas – entre elas a globalização, a revolução da informação, o crescente poder das corporações, o uso indiscriminado dos recursos naturais e o agravamento dos problemas sociais – tem colocado a sociedade em um caminho de reflexão sobre seu futuro. A mudança rumo a uma sociedade sustentável é uma tarefa complexa e de responsabilidade de todos os atores da sociedade: governos, empresas, organizações sociais, cidadãos.

Neste contexto, as empresas são importantes protagonistas. Por um lado, são geradoras de empregos, formadoras de opinião e possuem as competências necessárias para a inovação em sustentabilidade, enquanto são também responsáveis por grandes impactos negativos do ponto de vista econômico, social e ambiental. Os caminhos que as empresas percorrem na incorporação de atributos de sustentabilidade em seus negócios podem ser bem variados. No entanto, um aspecto que certamente surgirá na agenda de sustentabilidade da maioria das empresas é a importância de avaliar e gerir sua corresponsabilidade por determinadas questões e ocorrências em suas cadeias de valor.

A cadeia de valor inclui todos os parceiros de negócio que compõem os elos a montante e a jusante da empresa. A montante encontram-se fornecedores, subfornecedores, produtores, prestadores de serviços, e a esta parte se aplica o termo cadeia de suprimentos. A jusante encontra-se distribuidores, clientes, consumidores finais e etapas pós-consumo.

A preocupação com seu desempenho frente à cadeia de clientes e consumidores é algo já familiar para as empresas, mesmo para aquelas que atuam em um modelo convencional de gestão. Já a crescente pressão exercida pela sociedade para que as empresas e outras organizações compradoras, como governos ou organizações sociais, estendam seu olhar de sustentabilidade para a cadeia de fornecimento levou ao surgimento da norma ISO 20400 de Compras Sustentáveis (Sustainable Procurement). Esta norma, em elaboração desde meados de 2013 e com previsão de lançamento em 2017, está sendo escrita por especialistas de mais de 30 países em um processo multistakeholder, nos moldes em que foi criada a ISO26000 de responsabilidade Social. Na liderança deste processo estão França e Brasil.

Promover a sustentabilidade na cadeia de fornecimento envolve um conjunto de iniciativas, combinando ações internas na empresa, relacionadas à estratégia e políticas de gestão de fornecedores, e também ações de intervenção e melhorias na cadeia. As ações internas envolvem, por exemplo, revisões de processos de qualificação, seleção, contratação e avaliação de fornecedores para inclusão de critérios e indicadores de sustentabilidade, ações como capacitação de compradores em sustentabilidade ou elaboração de um código de conduta para fornecedores. As ações de intervenção na cadeia podem incluir, por exemplo, iniciativas de capacitação de fornecedores em gestão ou uma revisão da configuração da cadeia. Este conjunto de ações coordenadas, integradas e relacionadas, passa a compor um programa amplo que algumas empresas chamam de Responsible Sourcing.

As empresas que se beneficiam da visão integrada da sustentabilidade na cadeia de valor desenvolvem melhores vínculos comerciais, constroem relações mais justas e duradouras, desenvolvendo uma importante vantagem competitiva para a sustentabilidade. Além das oportunidades de inovação, de acesso a novos mercados, da busca de soluções em conjunto com parceiros e ao mesmo tempo minimizam os riscos para seu negócio.

As organizações que procuram incorporar a sustentabilidade na gestão de suas cadeias de fornecimento precisarão romper paradigmas da relação convencional cliente-fornecedor. Aquela que conseguir olhar para o relacionamento com fornecedores além das atividades transacionais com foco exclusivo em qualidade, preço e prazo, enxergará um enorme campo de oportunidades para inovação e desenvolvimento de soluções mais competitivas e sustentáveis.

*Cristina Fedato Consultora do CSCP – Collaborating Centre for Sustainable Consumption and Production.