ARTIGO: Mobilidade urbana para todos, o que você tem a ver com isto?

 

 

 

 

 

 

 

 

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor. 


Por Guilherme Bara*

Com a maior concentração de pessoas nos centros urbanos, as grandes cidades se tornam locais onde os recursos e a infraestrutura são bastante otimizados, uma vez que, por meio de estratégias de georreferenciamento conseguimos beneficiar um número maior de pessoas com equipamentos públicos e meios de transporte. As concentrações urbanas contribuem para o desenvolvimento sustentável em diversos aspectos, pois precisamos de menos recursos como quantidade de terra, estradas e equipamentos públicos para atender um número maior de pessoas.

Por outro lado, sabemos que em boa parte das cidades esta concentração acontece de forma desorganizada, onde as pessoas chegam antes da infraestrutura. Isto faz com que estejamos atrasados no desafio de criarmos um ambiente que acomode, com qualidade, os habitantes das grandes metrópoles. Um dos principais desafios para a construção deste ambiente é disponibilizarmos um sistema de mobilidade urbana que atenda às necessidades e desejos de uma população.

Linhas de Metrô, estações de trem, corredores de ônibus há algum tempo são temas presentes nesta discussão. Mais recentemente as ciclovias e ciclofaixas, as calçadas e o pedágio urbano foram incluídos no debate. Certamente, todos estes pontos são fundamentais para melhorarmos a mobilidade urbana para todos. Neste contexto se destaca o desafio de viabilizar a mobilidade também para as pessoas com deficiência.

Certamente, esta parcela da população que, segundo a ONU, representa mais de 10% dos moradores das grandes cidades se beneficia de todos estes avanços. Mas, é neste ponto, que ganha importância a responsabilidade de cada um de nós em contribuirmos para este processo. O nosso comportamento e as nossas atitudes impactam diretamente na qualidade da experiência de um cidadão com deficiência quando este se desloca pela cidade.

Pouco adianta termos estações de trem a cada quinhentos metros se alguém, sem precisar, estiver sentado na vaga reservada; será excelente termos todas as calçadas acessíveis, mas parte do benefício se perde se poucos oferecem ajuda para uma pessoa cega atravessar o cruzamento; muito dos esforços e investimentos para termos mais linhas com ônibus acessíveis são desperdiçados se há motoristas que ignoram o sinal dos cadeirantes.

Para termos uma cidade mais inclusiva, segura e sustentável, conforme definido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, certamente precisamos investir em trilhos, ônibus, cimento e asfalto, mas só será efetiva, de fato, se tivermos uma cultura de respeito e atitudes inclusivas que são responsabilidade de cada um de nós.

*Guilherme Bara é gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço ECO®