Artigo: Quando proteger e cuidar agregam valor ao negócio

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Grácia Elisabeth Fragalá*

“A segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores são preocupações vitais de centenas de milhões de profissionais em todo o mundo, mas a questão se estende para além dos indivíduos e suas famílias. Ela é de suprema importância para a produtividade, competitividade e sustentabilidade das empresas e comunidades, assim como para as economias nacionais e regionais.[1]

O Estado de São Paulo, em sua edição de 28/03/2016, informa sobre o fechamento de 4,4 mil fábricas em São Paulo. Conforme noticia o periódico, o “país perdeu 1,1 milhão de empregos industriais em um trimestre”. Fatos como esse têm se repetido nos últimos tempos, preocupando empresários, trabalhadores e a sociedade em geral, com impactos em termos de expectativas que nada mais fazem que agravar a crise em que estamos imersos.

Neste cenário de instabilidade econômica, uma das repercussões sociais, sentidas no dia a dia das empresas, é o aumento dos acidentes de trabalho e dos afastamentos por doença, acarretando o aumento dos custos com planos de saúde, perda de produtividade, crescimento dos índices de absenteísmo e impactos no FAP – Fator Acidentário de Prevenção.

Pesquisa realizada pela FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – no ano de 2014, com a participação de 401 indústrias, mostrou que fatores relacionados aos afastamentos dos trabalhadores por motivos de doença estão entre as principais preocupações dos líderes empresarias e dos profissionais de Recursos Humanos, como podemos observar nos gráficos abaixo. Também surge com destaque o custo da assistência à saúde.

Para fazer frente a essas preocupações, um número crescente de empresas tem optado por definir políticas de Segurança e Saúde no trabalho que estabeleçam um modelo de atenção integral e integrada às necessidades do trabalhador.

Integral, na medida em que contempla os vários aspectos que envolvem a atividade profissional – ambiente físico do trabalho, ambiente psicossocial, recursos para a saúde pessoal, envolvimento da empresa na comunidade e as múltiplas dimensões da saúde: física, emocional, social, profissional.

Integrado, na medida em que exige que os vários atores interajam – não apenas as equipes de Segurança e Saúde, mas as áreas de recursos humanos, de produção, as equipes jurídicas, as equipes de responsabilidade social empresarial-. Enfim, os temas de Segurança e Saúde irão fazer parte de todos os processos da organização, permeando a cultura da empresa para que se construa um ambiente de trabalho saudável.

As equipes de Segurança e Saúde tem a função de identificar os riscos, propor as ações preventivas e corretivas, contribuindo para a redução das situações de adoecimento do trabalhador. Porém, para que isso ocorra, é preciso que essas equipes tenham atuação estratégica e sejam envolvidas nos vários processos decisórios com impactos para a Segurança e Saúde do trabalhador e que a política de Segurança e Saúde receba o apoio da alta liderança.

Empresas que possuem políticas de Segurança e Saúde integradas à estratégia do negócio descobriram que é possível transformar os ambientes de trabalho em espaços privilegiados para a promoção de saúde e prevenção de doenças e acidentes. Isso lhes garante maior competitividade em situações de crise como a que enfrentamos na conjuntura atual. Essas organizações entenderam que desenvolver ações para evitar acidentes e o adoecimento dos trabalhadores é um investimento que gera a redução de custos importantes com passivos trabalhistas, sinistralidade e absenteísmo. O capital humano saudável, engajado e motivado é o principal ativo de uma organização, que poderá fazer a diferença em momento de dificuldade, inovando, modificando processos produtivos, gerando melhores resultados.

Uma política de Segurança e Saúde, atrelada à estratégia do negócio, com métricas e indicadores adequados, constitui-se em ferramenta de gestão de alto valor agregado.

Além disso, num mercado competitivo, a escolha do consumidor recai sobre empresas socialmente responsáveis, empresas que proporcionam um ambiente de trabalho saudável e que desenvolvem ações para promover a saúde, segurança e o bem estar de seus colaboradores.

* Grácia Fragalá é vice-presidente do CONSOCIAL – Conselho Superior de Responsabilidade Social, diretora Titular do CORES – Comitê de Responsabilidade Social, gerente de Segurança e Saúde do GPA e possui mais de 15 anos de experiência como gestora de Segurança e Saúde em empresas de grande porte.

[1] Ambientes de trabalho saudáveis: um modelo para ação: para empregadores, trabalhadores, formuladores de política e profissionais. /OMS; tradução do Serviço Social da Indústria. – Brasília: SESI/DN, 2010.