Artigo: O compliance como instrumento da governança corporativa

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Camila Gualda Araújo

 Tema cada vez mais essencial e em constante evolução diante de um ambiente de negócios dinâmico, a governança corporativa é o elo entre os objetivos de negócio das organizações e as ações necessárias para a geração e preservação de valor das empresas.

Os modelos de governança corporativa conectam as expectativas da administração com a realidade cotidiana das corporações. Sem esse modelo, adequadamente desenhado e implementado, o risco de não se atingir os resultados esperados é grande.

Para garantir o crescimento sustentável das companhias, é preciso buscar a avaliação e o aperfeiçoamento contínuo das práticas de gestão e encontrar o ponto de equilíbrio entre as necessidades da empresa e as melhores práticas do mercado.

Há hoje uma diversidade de assuntos de governança corporativa na pauta dos tomadores de decisão – desde aspectos regulatórios, como a nova Lei Anticorrupção, que demanda a estruturação ou o aperfeiçoamento dos programas de compliance das empresas, até requisitos relacionados à sustentabilidade e segurança de informações, como aqueles aplicáveis ao ambiente de mídias sociais, entre muitos outros.

Compliance complementar à gestão de riscos

Ainda muito insipiente no setor empresarial brasileiro, as práticas de compliance são fundamentais na estrutura das companhias. Segundo estudo da Deloitte lançado este ano, cerca de 50% das empresas pesquisadas já esteve envolvida em casos de fraude. Para mudar esta realidade é preciso modificar toda a cultura das organizações, investindo significativamente na atividade, que deve ser complementar à gestão de riscos e sinérgica a controles internos. No Brasil, por exemplo, investe-se por ano até R$ 1 milhão em estruturas de compliance, valor considerado baixo em comparação ao mercado mundial.

A área de compliance requer significativos investimentos em treinamentos, recursos tecnológicos, monitoramento de irregularidades e canais de denúncia, entre outros mecanismos. A falta de treinamento anticorrupção, por exemplo, faz com que a mensagem fique restrita a apenas uma parte ou departamento das empresas, podendo levar a um conflito de comportamento em seus quadros funcionais.

É possível observar, no entanto, que a busca pela estruturação de processos para garantir o cumprimento às leis tem crescido nos últimos anos, o que esbarra, muitas vezes, na falta de profissionais especializados na área. E mesmo quando o departamento de compliance existe, sua implementação pode não ser efetiva. A criação de um Código de Ética pode auxiliar muito no processo, principalmente para que possíveis fraudes sejam facilmente identificadas e coibidas. Este é um trabalho de longo prazo, mas que levará o mercado brasileiro a crescer na concepção de que está lidando bem com o combate à corrupção.

Desafios e perspectivas

Comunicação, liderança e transparência são elementos fundamentais para garantir uma mudança profunda e positiva na cultura das empresas em linha com as melhores práticas de governança.

Um grande número de recomendações, códigos e princípios sobre governança corporativa surgiu nos últimos anos. Incorporar as boas práticas e recomendações à cultura empresarial e à dinâmica de negócios, sem descuidar da gestão estratégica é, sem dúvida, um dos principais desafios das organizações na atualidade.

É preciso que os diversos componentes da governança sejam entendidos e incorporados por todos na cultura organizacional, respondendo às particularidades da corporação. As empresas, os investidores, o mercado e a sociedade só têm a ganhar com isso.

* Camila Gualda Araújo, sócia-líder do Centro de Governança Corporativa da Deloitte

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