Indústria paulista não gera empregos no primeiro trimestre do ano

Índice divulgado pela Fiesp/Ciesp aponta que em março foram eliminados 4,5 mil postos de trabalho. Este é o pior março desde 2006. Segundo Paulo Francini, diretor da Federação, a geração de empregos no ano “vai mal”


Pressionado por baixas nos setores de Produtos Alimentícios e Produtos de Metal, exceto máquinas e equipamentos, o nível de emprego na indústria paulista no mês passado caiu 0,87% em comparação com fevereiro, descontando os efeitos sazonais.  Este é o pior março desde o início da pesquisa em 2006, e o pior trimestre desde o início da série, excluindo o ano da crise em 2009.

Na leitura sem ajuste sazonal, a taxa de março ficou negativa em 1,36% comparada com o mês anterior, o que significa que 4.500 vagas foram fechadas em março. A Fiesp e o Ciesp divulgaram os números em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (12).

“A geração de empregos na indústria vai mal, a tendência no ano é se aproximar de zero, com perigo de ficar negativa”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Até março, a criação de empregos pela indústria de transformação no ano de 2012 foi zero, como aponta a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, algo considerado pelo diretor como “muito anormal.”

Apesar de o Índice Nacional de Atividade (INA) – pesquisa divulgada pela Fiesp e pelo Ciesp no mês passado – ter indicado o início da recuperação da indústria em fevereiro, a retomada da produção em 2012 será lenta e só deve acontecer a partir do final do primeiro semestre do ano, projetou Francini.

“Passamos por um ciclo pior e agora teremos um ciclo melhor, porém, fraco. Será uma retomada muito lenta e suave. Quanto ao emprego, não veremos crescimento agora porque a geração de vagas é a última coisa no processo de recuperação de atividade. Antes de recontratar, a empresa quer ter a convicção de que não está se enganando e o que está melhorando veio para ficar”, avaliou.

O diretor prevê, ainda, que este não será o ano em que a indústria de transformação conseguirá puxar o Produto Interno Bruto (PIB) para cima. “A nossa visão é um pouco distinta da do ministro [da Fazenda] Guido Mantega, que voltou a afirmar que a taxa de crescimento da economia em 2012 ficará em torno de 4%. A nossa projeção é de 3%. Torço para que o ministro Mantega esteja certo e tenha a visão de coisas que nós não conseguimos enxergar.”

Do total de vagas fechadas, 8.663 correspondem à indústria de transformação, o equivalente à queda de 0,35% em março. Já o setor sucroalcooleiro foi responsável pela criação de 4.163 postos de trabalho no mês, com variação positiva de 0,17.

Pouca Dimensão

O diretor do Depecon avalia que o pacote de medidas para incentivo à produção nacional, anunciado recentemente pelo governo, tem pouca dimensão e não gera grande impacto sobre a crise da indústria brasileira.

“O problema que se acumulou é de tal dimensão e gravidade que, mesmo quando o governo toma medidas, elas nunca são na proporção do problema”, avaliou Francini ao reconhecer que a preocupação com a indústria brasileira “entrou, agora, na agenda do governo.”

Para ele, os efeitos da Resolução 72, aprovada quinta-feira (11/04) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, devem ser positivos na recuperação do setor produtivo, o qual não tem resistido à invasão de importados, mais baratos que o produto nacional no mercado doméstico.

“A resolução 72, isoladamente, talvez tenha mais peso que o conjunto das medidas do plano Brasil Maior, tendo em vista os danos que a Guerra dos Portos provocou à indústria”, avaliou.

A resolução deverá ser apreciada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima terça-feira (17/04). Depois de aprovada pela CAE, será encaminhada para votação em plenário.

 Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 13 apresentaram efeitos negativos, sete computaram variação positiva e duas registram baixa. O setor de Produtos de Madeira apresentou a maior queda, com 1,5% em março, seguido por Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos, com recuo de 1,1%.

O segmento de Fabricação de Coque, Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis apurou ganho de 3,3% no mês, enquanto o índice de emprego na indústria de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados subiu 2,9%.

A pesquisa mostra ainda que das 36 regiões analisadas, 23 apresentaram quadro negativo e 10, variação positiva, enquanto três regiões fecharam o mês estáveis.

São Carlos foi a cidade que anotou a maior queda, com taxa de 6,75% em março, pressionada por Produtos Alimentícios (-25,87%) e Produtos de Borracha e Plástico (-4,92%). A região de Matão registrou queda de 3,82% sob influência negativa dos setores de Produtos Alimentícios (-11,63%) e Confecção de Artigos do Vestuário (-0,69%).

A cidade de Jaú computou a alta mais expressiva do mês, com variação positiva de 3,70%, impulsionada pelos ganhos em Produtos Alimentícios (5,78%) e Confecção de Artigos do Vestuário (4,72%).

Já o emprego na indústria de Franca fechou o mês com alta de 3,36%, estimulada pelo bom desempenho dos setores de Artefatos de Couro e Calçados (5%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (4,28%).

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