Estratégia de recuperação da competitividade é crucial para reverter processo de desindustrialização nacional, aponta estudo da Fiesp

Levantamento elaborado pelo Decomtec indica queda da participação da indústria no PIB nacional para 13,3% - patamar mais baixo desde 1955


O estudo “Brasil: Indústria de Alta Tecnologia?”, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desconstrói três mitos recorrentes sobre a atual situação da indústria nacional.

O primeiro mito é o de que não está ocorrendo desindustrialização no Brasil. O estudo demonstra queda da participação da indústria no PIB nacional, que, em 2012, alcançou apenas 13,3% – patamar mais baixo desde 1955. Além disso, a participação do emprego industrial também sofreu queda. De 27,7% dos empregos formais da economia em 1985, o setor responde atualmente a apenas 17,17%.

O segundo mito derrubado pelo estudo é o de que os setores de maior intensidade tecnológica estariam ganhando participação no Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o levantamento, a estrutura da indústria brasileira não se sofisticou em termos de composição setorial por nível de intensidade tecnológica. Além disso, os setores de alta e média-alta intensidade tecnológica perderam participação no PIB, de 5,7% a 5,4%, entre 2000 e 2011, segundo classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com o IBGE, a queda foi de 6,2%, em 2000, para 5,9%, em 2011.

A terceira tese refutada pelo documento do Decomtec é a de que a importação de alta tecnologia tem sido direcionada para a modernização da indústria e aumento da produtividade. Afirmação que não encontra base, já que, no período analisado, as exportações de manufaturados se concentraram nos setores de baixa intensidade tecnológica, enquanto as importações se intensificaram nos produtos de maior tecnologia. Sendo assim, a indústria do país ainda não pode ser classificada como uma indústria de alta tecnologia.

“Continuamos exportando mais produtos de média e baixa tecnologia e importando cada vez mais produtos de alta tecnologia”, analisou José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec e um dos responsáveis pelo estudo.

Caminhos para a superação dos problemas
O levantamento aponta, entre outras recomendações, que, para o crescimento relevante do setor, a ponto de reverter o processo de desindustrialização, é crucial a implantação de uma estratégia de recuperação da competitividade que inclua uma revisão da política macroeconômica tanto cambial quanto monetária e econômica. Além da revisão, o estudo afirma ser necessária a adoção de uma política industrial e tecnológica ampla e efetiva, abrangendo instrumentos creditícios, fiscais e tributários.


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