"Brasil deveria criar conselho da terra"

Iniciativa ajudaria outros países a garantir desenvolvimento sustentável. Opinião do especialista ambiental Maurice Strong reflete também a responsabilidade de São Paulo e o papel da liderança empresarial


“O Brasil terá papel fundamental no modelo de desenvolvimento sustentável na Terra”. A reflexão de Maurice Strong, especialista e personalidade mundial em meio ambiente e sustentabilidade, levou à sugestão da criação de um “Conselho da Terra” a fim de auxiliar outros países a garantir o desenvolvimento sustentável.

Invocando o protagonismo do país em energia renovável, Strong opinou que São Paulo é líder do empresariado brasileiro, mas isso também significa que a cidade tem maior responsabilidade ambiental. Por isso mesmo, Strong sugeriu que a Fiesp envie uma delegação de empresários à China: “Eles têm mais experiência, expertise e tecnologia do que se imagina.”

O especialista encontra-se no Brasil a convite da FIESP, cumprindo agenda intensa, iniciada no dia 26, que envolveu encontro com representantes da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e CEOs de empresas, além de palestra aberta ao público. Nesta quarta-feira, 28, Strong encerra sua agenda em São Paulo com nova rodada entre empresários.

Durante palestra de Strong aberta ao público, o 2º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, lembrou que “há 40 anos ninguém debatia esse assunto, mas hoje a indústria brasileira quer ser sustentável”, mencionando ainda que uma delegação da Fiesp está em Doha, no Catar, participando a Conferência do Clima da ONU, que acontece até 7/12.

Strong foi quem usou pela primeira vez, em 1973, o conceito de ecodesenvolvimento, foi articulador e secretário geral das Conferências da ONU sobre o Meio Ambiente, esteve à frente da Eco 92 e atualmente é consultor em Desenvolvimento Sustentável do governo chinês e de países asiáticos.

Ao se autodenominar “uma figura do passado”, Strong afirmou que sente prazer em estar com pessoas que vão determinar o futuro, encorajando-as a fazer isso. Para ele, somos, pela primeira vez na história da humanidade, responsáveis pelo nosso próprio futuro e de nossos filhos e netos. Acredito que esse é um problema de sobrevivência. E não podemos fazer nada sozinhos.”

Algumas frases de Maurice Strong, na Fiesp:
Foco na eficiência – a eficiência do sistema industrial melhora a rentabilidade das empresas, mas também ajuda muito a sustentabilidade. Segundo ele, são os líderes industriais que podem fazer a diferença.

Etanol - Sei que devemos fazer uma transição na economia mundial se queremos a sustentabilidade e o etanol tem um papel importante nisso. Há espaço suficiente de uma empresa de etanol na China.

China - Neste momento pós-revolução cultural, os chineses buscam lugares para investir. Eles estão focados no desenvolvimento da economia interna, o que permite oportunidades de negócios para empresas brasileiras lá. A China, apontada como grande emissor de gases de efeitos estufa, já percebeu os impactos ambientais e, por isso, dão prioridade aos carros elétricos e constroem 500 novas cidades e querem que elas sejam verdes.

Jeitinho brasileiro – A última coisa que o Brasil deve fazer é adotar o modelo americano de consumo, o american way of life: O Brasil tem oportunidade de desenvolver seu próprio modelo, que será muito melhor para servir de exemplo para o mundo.

 

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