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São Paulo - 16/11/2011


Debate sobre investimentos na África reúne mais de 100 empresários na Fiesp

Instituto Lula e Febraban selam parceria com setor produtivo para ampliar cooperação


Paulo Skaf, presidente da Fiesp (ao centro), abriu o Seminário Brasil-África, realizado na sede da entidade em parceria com o Instituto Lula e a Febraban

Oportunidade foi a palavra de ordem do Seminário Brasil-África, realizado nesta quarta-feira (16) em São Paulo pelo Instituto Lula, em parceria com a Fiesp e a Febraban, com a participação de especialistas, representantes do governo, de universidades, empresários brasileiros e africanos.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, abriu o encontro destacando a importância de se intensificar a cooperação e o relacionamento entre o Brasil e os países da África. “Temos de identificar seis ou sete pontos prioritários e organizar missões daqui para lá e de lá pra cá. É importante focarmos nesses setores selecionados e observarmos aquilo que os africanos priorizam e que também seja do interesse dos brasileiros”.

Rubens Sardenberg, economista-chefe e diretor de Assuntos Econômicos, representou o presidente da Febraban, Murilo Portugal. E lembrou que a atuação dos bancos no exterior estava voltada, até há pouco tempo, exclusivamente para a captação de recursos. “A partir de agora, os bancos começam a procurar novos centros de negócios e oportunidades de internacionalização. Nesse contexto, o continente africano é visto como grande e nova fronteira. Esse movimento já está em desenvolvimento na América Latina e agora começa a olhar para a África.”

Pelo Instituto Lula, Paulo Okamoto leu mensagem enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos presentes, por meio da qual pede que o Brasil assuma seu papel de país desenvolvido e contribua de forma decisiva para o desenvolvimento da África. Para ele, é preciso ampliar o consumo naquele continente – bem como na América Latina – com mais produtores e mais produtividade, conhecendo, nos engajando na cultura e atendendo aos anseios locais.

"O Brasil é o país com a segunda maior população negra do mundo. Boa parte da riqueza do país foi construída pelas mãos dos africanos e seus descendentes. Nunca podemos nos esquecer da dívida histórica que temos com os povos da região por conta da iniquidade do escravismo. E, a melhor forma de compensarmos isso é olharmos pra frente e nos empenharmos em conhecer os desafios e as necessidades atuais para podermos nos associar e contribuir na melhoria das condições de vida dessa população."

BNDES

Após a abertura, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho e os africanos Bobby Pittman (Banco Africano de Desenvolvimento) e Jay Waydoo (Global Alliance for Improved Nutrition) falaram sobre projetos, planos, iniciativas e oportunidades entre Brasil e África.

Coutinho informou que, em 10 anos, o continente terá mais oportunidades a serem aproveitadas do que dificuldades. "Hoje são 55 países, população de aproximadamente um bilhão, e 60% das terras aráveis não aproveitadas do planeta. O PIB da região passa de R$ 1 trilhão e 90 milhões de pessoas já pertencem à classe média local”, disse.

Segundo ele, dados do FMI mostram que a África vem crescendo mais do que qualquer outra região no mundo, a taxas que, até a crise de 2008, passavam de 6,5% na média dos países. Após uma queda nos últimos dois anos, o continente já está novamente crescendo acima de 5% e deverá fechar 2012 com média de 5,8%. "Essa performance não vem dos estímulos comerciais provenientes dos países ricos, mas principalmente dos Brics. Com o Brasil como um dos mais importantes vetores desse crescimento”, afirmou.

O presidente do BNDES citou as áreas nas quais o Brasil poderia ampliar sua atuação na África, como: Agricultura (clima e solo muito similares); Biocombustíveis (Etanol e Biodiesel); Energia Elétrica (Eólica, hídrica); Petróleo e Gás; Mineração e Infraestrutura (urbana e logística).

Coutinho mencionou ainda as oportunidades inexploradas pelo Brasil no continente africano, como: Serviços Bancários, Telecomunicações (móvel), Comércio (varejo e atacado) e Turismo. No setor industrial, o presidente do BNDES citou Alimentos Processados, Têxteis, Cosméticos, Proteínas, Calçados, Medicamentos e Farmoquímicos.

O diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, falou sobre as dificuldades logísticas daquele continente, onde já esteve mais de 70 vezes. Ele propôs a criação de um “hub” em um dos países africanos por onde as mercadorias pudessem entrar e ser distribuídas pelos demais.
 
Luciano Coutinho anunciou que o BNDES está interessado em financiar projetos na área de integração logística entre Brasil e África.

Convidados africanos

Os dois representantes do continente africano, Jay Waydoo (GAIN) e Bobby Pittman (Banco Africano de Desenvolvimento) deram ênfase ao protagonismo do Brasil no cenário econômico mundial e sua liderança em commodities minerais, agrícolas e energéticas (renováveis, principalmente).

Para Waydoo, a África precisa da ajuda do Brasil para desenvolver esses setores a partir de transferência de tecnologia e conhecimento, além dos modelos de políticas sociais brasileiras que tiraram milhões de pessoas da pobreza nos últimos anos. Ele não esqueceu os esforços que estão em andamento tanto lá quanto aqui para combater a corrupção e dar mais segurança jurídica aos negócios.

"Todos os anos, US$ 160 bilhões são roubados da África com evasão tributária. O combate a esse mal já começou com a Primavera Árabe. Vai haver um Verão Africano e vamos responsabilizar nossos líderes, gostem eles ou não", observou.

Já Pittman fez uma análise macroeconômica da África e apontou para a evolução da região nos últimos dez anos. "Metade das economias que mais cresceram no mundo na última década estão na África. Isso se deve a três pontos principais: crescimento da atividade econômica; melhoria nas condições de governança (transparência, respeito a contratos, combate à corrupção); e Crise Global (África foi menos atingida pela crise).

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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