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Juros, câmbio, carga tributária têm prejudicado investimentos, afirma José Serra
Em encerramento do evento promovido pela Fiesp, o ex-governador ressalta que esse tripé tem sido forte entrave para desenvolvimento do País

José Serra, ex-governador de São Paulo, fala no encerramento do 12º Encontro Internacional de Energia |
O ex-governador de São Paulo, José Serra, afirmou na tarde desta terça-feira (16) que o mercado energético, como outros setores da economia brasileira, enfrenta um tripé que barra mais investimentos no setor. Ele acrescentou que atualmente está mais difícil agregar valor à produção nacional.
"Nós temos hoje um tripé: taxa de juros mais alta do mundo; taxa de câmbio que mais se valorizou no mundo; carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento", destacou ao palestrar durante o encerramento do 12º Encontro Internacional de Energia (veja todas as palestras no site do evento).
De acordo com Serra, a taxa de juros no Brasil é de 5 a 6 vezes a média de juro de países emergentes e a valorização cambial contra o dólar é 40% superior na comparação com outros países que também registraram sobrevalorização em suas divisas.
A combinação entre taxa de juros, valorização cambial e alta carga tributária "é complicada", alertou o ex-governador. "Para ter crescimento [em energia] é preciso aumentar investimentos, é preciso ter instituições políticas adequadas", ele indicou ao ressaltar que o índice de taxa de investimentos públicos é de apenas 2%, o equivalente a 1/3 do investido em países desenvolvidos.
O ex-governador citou ainda outras barreiras para os investimentos no setor energético: baixa execução de parcerias público-privadas, falta de planejamentos e de capacidade para "fazer acontecer" e prioridades divergentes.
Para Serra, a economia brasileira se desenvolve no início deste século baseada em três aspectos:
Bônus demográfico, já que a população brasileira tem registrado um aumento de pessoas que ainda podem trabalhar;
Bônus de alimentos (commodities) e matérias-primas;
Bônus de energia, "tradicionalmente conhecido agora com o acréscimo do petróleo".
"Nós também temos o problema de portos, já que o Brasil é o 35 do mundo em qualidade portuária, e problemas de transporte urbano que comprometem a produtividade e o desenvolvimento da economia", afirmou Serra, reconhendo que o País tem "potencial enorme para ter energia barata, nacional e renovável", embora acredite que o "papel da energia está sendo subestimado no desenvolvimento".
Custo da energia
Segundo Serra, as tarifas de energia elétrica cresceram 21% ao ano, nas últimas décadas. Em seus cálculos, a energia no Brasil é, em dólares, 40% mais cara que no restante do mundo. "Olhando a competitividade num país que tem muita disponibilidade de energia, o custo brasileiro cresceu vertigionasamente nos anos 2000 e é o terceiro mais caro do mundo."
Alice Assunção e Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp
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