| |
|
|
Brasil precisa recuperar atraso em investimentos aeroportuários, afirmam especialistas
Aportes na infraestrutura do setor são baixos, se comparados aos de países emergentes
Depois de décadas de instabilidade no cenário econômico brasileiro, o momento atual é mais do que oportuno para discussão sobre a infraestrutura dos aeroportos do País. E isso se deve aos grandes eventos que acontecerão nos próximos anos (Copa do Mundo-14 e Olimpíada-16), entre outros fatores positivos, como o mercado interno aquecido pelo aumento de renda e consumo da classe média.
Para discutir estas questões, a Fiesp recebeu nesta terça-feira (19) dois especialistas da Deloitte Consultoria Empresarial. Reinaldo Grasson, sócio da área de Corporate Finance, e Tomas Aranda, diretor de Aviação e Aeroportos para a Espanha, expuseram seus pontos de vista sobre o panorama do setor aeroportuário do Brasil.
Segundo Grasson, enquanto a Coreia do Sul investe de 6% a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, a exemplo de China e outros países emergentes, o Brasil possui um histórico de subinvestimento de apenas 2%. Agora, em função destes eventos esportivos e das demandas agregadas, é hora de tentar recuperar esse atraso, salientou.
Os aeroportos de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos), Brasília (JK), Rio de Janeiro (Galeão) e Belo Horizonte (Confins) saíram de uma média de 15 milhões de passageiros em 2006 para mais de 25 milhões em 2010, totalizando 10 milhões de usuários a mais em quatro anos no mesmo espaço físico.
Grasson destacou que as ampliações previstas em terminais de passageiros e outras melhorias alcançam a cifra de R$ 5 bilhões. Ele prevê que estes investimentos em infraestrutura mudarão a lógica urbana, o fluxo de pessoas e criarão áreas de negócios.
No Rio de Janeiro, por exemplo, aumentará o contingente na região dos hotéis e dos locais dos jogos olímpicos. Surgirá uma série de polos importantes de negócios, que hoje são desconhecidos ou não aproveitados, sinalizou.
Maior demanda
Na visão do diretor de Aviação e Aeroportos, Tomas Aranda, a estimativa é de que o tráfego aéreo brasileiro supere 220 milhões de passageiros em 2020, com crescimento baseado principalmente nos voos domésticos. Mas o nível de utilização desta modalidade no Brasil ainda está abaixo do de outros países, analisou, reforçando a necessidade de mais investimentos.
Quase todos os aeroportos do Brasil possuem algum tipo de restrição de capacidade de infraestrutura, e os contratos de concessão deverão estabelecer mecanismos para a mitigação dos riscos mais significativos, pontuou Aranda.
Para Ozires Silva, ex-presidente da Embraer, ex-ministro da Infraestrutura e membro do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, o Brasil tem uma aviação muito menor do que precisa. Ele classificou o problema como atrito governamental existente na extensa e complexa legislação em vigor.
A dinâmica do transporte aéreo atual não permite que uma legislação como a nossa proporcione uma boa administração, alegou Ozires, que defende a privatização dos aeroportos para uso público como solução para o déficit no setor.
O ex-ministro não aceita o fato de que apenas 59 dos 5.500 municípios brasileiros sejam atendidos por serviços aéreos. Precisamos cobrar do ministro da Defesa [Nelson Jobim] o cumprimento da promessa que fez em setembro do ano passado, de regulamentar os aeroportos privados de uso público, ressaltou.
Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp
| |
|