Aproveitamento energético a partir dos resíduos sólidos é discutido na Fiesp
Para especialistas, se Brasil empregar tecnologias já disponíveis no mundo minimizará problemas sociais e de meio ambiente
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Nádia Paterno, do Deinfra da Fiesp
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Na manhã desta quarta-feira (20), empresários e especialistas da área de saneamento e de energia participaram do Seminário Aproveitamento Energético de Resíduos Sólidos Urbanos, na sede da Fiesp.
Na abertura do evento, Nadia Paterno, diretora-adjunta do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, justificou a ausência do diretor-titular, Carlos Cavalcanti que, junto com o presidente Paulo Skaf, está ativamente envolvido no trabalho de sensibilização e reinvindicação para realização dos leilões para Concessões de Energia Elétrica, em benefício do País.
A diretora do Deinfra ressaltou que a destinação de lixo urbano deve ser tratada com total seriedade, pois está diretamente relacionada às soluções de problemas sociais e de saúde pública presenciados por todos. Apresentando exemplos de outros países que já realizam o aproveitamento energético a partir do lixo, Nadia lamentou que, no Brasil, ainda mais de 40% dos resíduos sólidos não tenham um destinamento adequado.
Tecnologias
Gerar energia a partir do lixo não é um conceito recente. Antonio Bolognesi, diretor de geração da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), explicou que a prática da incineração, por exemplo, é realizada na Dinamarca há mais de 100 anos.
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Antonio Bolognesi, da Empresa Metropolitana de Águas e Energia |
Bolognesi lembrou que, em 1918, o intelectual Alcântara Machado mencionou, em um relatório sobre soluções para o lixo da cidade de São Paulo, a incineração dos resíduos como alternativa viável, inclusive devido ao seu potencial energético. Mas, de lá para cá, pouco foi feito no Brasil, segundo o especialista. Temos que ser mais pragmáticos e não podemos ficar brincando de fazer reaproveitamento afirmou.
Para o diretor da Emae, o Brasil deveria utilizar o que já foi testado com sucesso no mundo. Segundo ele, a tecnologia de incineração mass burning (queima em massa) é a mais indicada para tratamento de grandes quantidades de resíduos como os da cidade de São Paulo e outras de regiões metropolitanas com situações graves de destinação de seu lixo.
Efeito estufa
Bolognesi ressaltou que não há competição entre reciclagem e incineração. A verdade é que nem todo material pode ser reciclado, tanto do ponto de vista técnico como do mercadológico. Nesse caso, a incineração é uma boa saída com o benefício da geração de energia. Os dois processos contribuem para diminuição da emissão de gases de efeito estufa.
Segundo Bolognesi, a questão do resíduo sólido ainda não foi resolvida, pois normalmente tem sido discutida "com discursos apaixonados e não com base científica". Ele citou o Principado de Mônaco e a cidade Paris que, com toda a sua elegância, possuem usinas de incineração de lixo em pleno perímetro urbano. "Boa parte da energia elétrica da Cidade Luz é gerada pelo lixo incinerado nas usinas, uma delas instalada bem ao lado do Rio Sena."
O Seminário foi concluido com as palestras sobre Procedimentos e Roteiros para o Licenciamento Ambiental, apresentadas por Maria Sílvia Romitelli e pelo engenheiro Pedro Penteado, ambos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).
Veja as apresentações das palestras do Seminário:
Nos próximos dias 15 e 16 de agosto, a Fiesp promoverá debates sobre os principais entraves e soluções na questão energética no País, no 12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.
Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp
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