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Guerra Fiscal
São Paulo - 30/06/2011


Problema da guerra fiscal é muito mais complexo do que parece, afirma consultor do Estado

Durante seminário, diretor da Secretaria da Fazenda de SP fala sobre camuflagem no imposto entre estados


Luciano Garcia Miguel, diretor da Consultoria Tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

Para o diretor da Consultoria Tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Luciano Garcia Miguel, acabar com a guerra fiscal entre os estados implica um sistema de tributação que funcione efetivamente.

A guerra fiscal – disputa entre estados na qual se oferece incentivos fiscais às empresas para atrair investimentos, mercadorias e uma arrecadação maior para a regiã – iniciou-se nos anos 1970 e é a maior responsável pela migração das empresas, até então instaladas principalmente em São Paulo, para regiões norte e nordeste do País. Esse modelo de competição descentralizou a riqueza e o trabalho do sudeste brasileiro.

A preocupação da indústria e de autoridades de São Paulo é que essa disputa passou desequilibrar a produção e o mercado de trabalho local.

“Não se fiem em achar uma solução simples para esse problema, que é muito mais complexo do que parece. O problema da guerra fiscal não é simplesmente porque o estado vizinho diminuiu o imposto, é que ele diminuiu de maneira camuflada”, disse Garcia Miguel, nesta quinta-feira (30), durante seminário da Fiesp com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sobre a ameaça provocada pelos incentivos fiscais.

“Ou nós temos um sistema de tributação que efetivamente funcione, fiscalize, ou nada vai funcionar, a Resolução de 72 não vai funcionar”, argumentou Miguel sobre a resolução do Senado que prevê a reforma tributária fatiada, começando pela redução do ICMS.

Proposta do governo


Dyogo Henrique de Oliveira, secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda

O secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique de Oliveira, confirmou nesta quinta-feira que a proposta de reforma tributária do governo sugere uma redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de até 2% a partir de 2013 em alguns estados.

Ao participar do seminário Guerra Fiscal: Uma batalha sem vencedores, Oliveira concluiu que, “no fundo, todos perdem com a guerra fiscal e todos ganham com o fim da guerra fiscal, essa é a realidade.”

Para frear a disputa e equilibrar a produção nacional, ele confirmou o plano do governo de redução, via Resolução 72 do Senado, da alíquota do ICMS nas operações interestaduais para 8% em 2012, para 4% em2013 e 2% a partir de 2014 para os estados cuja taxa é praticada a 12%. Já para as regiões com alíquota de 7% do ICMS, a proposta é de 4% em 2012 e2% a partir de 2013.

“No próximo semestre a gente já terá condições que colocar as propostas de maneira bastante clara na mesa”, afirmou o secretário da Fazenda a respeito dos próximos passos que serão tomados pelo governo em relação à disputa tributária.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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