Aumento da atividade industrial é modesto
Indicador da Fiesp/Ciesp, divulgado nesta quarta-feira (29), mostrou avanço de 1% em maio sobre abril, na série com ajuste sazonal
Embora tenha mostrado variação positiva, o Índice de Nível Atividade (INA) vem perdendo força, e a trajetória indica que esta queda deverá acentuar-se nos próximos meses. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (29) pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.
O INA da indústria paulista registrou crescimento de 1% em maio sobre abril (-0,4), na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice avançou 8,8%. A variação de crescimento é bem modesta, que mostra perda de vigor se compararmos com os últimos doze meses, afirmou.
De acordo com Francini, o comportamento da economia brasileira no final do ano passado já não demonstrava pujança e, a partir do primeiro trimestre deste ano, começaram surgir indícios de pressão inflacionária.
O diretor explicou que a indústria sofre dois efeitos no combate contra a inflação: a redução da atividade econômica, que por si só já reflete na atividade industrial; e a situação cambial deixada de lado, com uma taxa extremamente agressiva à indústria.
Perspectiva
No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi de 4,7%. Na comparação de janeiro a maio de 2010 contra o mesmo período deste ano, o índice é de 3,4%, sem ajuste sazonal.
Este não será um ano fácil para a indústria, prevê Francini. Há previsão de crescimento de 4% da economia brasileira, enquanto a indústria deverá crescer apenas 3%. Olhamos com certa perplexidade para estas nuvens ameaçadoras no destino da indústria, comentou.
Mesmo ganhando destaque entre os setores nesta medição, o setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel não terá um desempenho brilhante ao longo do ano, segundo o diretor. Isso porque a variação de positiva de 4,3% em maio contra abril, com ajuste, reflete a boa performance de apenas um mês.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira alta no mês, passando de 82,2% em abril para 83,9% em maio, na série livre de influência sazonal. Entre as variáveis do levantamento, destaque para o total de vendas nominais no período (+4,2% com ajuste).
Expectativa
A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente, medida pelo Sensor Fiesp, caiu quase um ponto em junho e ficou em 50,3. É um dos mais lineares, em que os itens aparecem próximos à neutralidade, afirmou Paulo Francini.
A apuração deste mês registrou queda na maioria dos itens: mercado (51,2), vendas (50,5) e investimentos (50,2). Apenas os itens estoque e emprego subiram, respectivamente, de 44,3 para 47,8; e de 50,7 para 51,6. Tudo está perto da estabilidade, concluiu.
Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp
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