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Logística e Transporte
São Paulo - 14/06/2011


Competitivo e menos oneroso, modal hidroviário deve explorar potencial

Aumentar eficiência da modalidade traz menor custo às empresas e ameniza impacto ambiental, avaliam palestrantes


Adalberto Torkaski, gerente de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Interior da Antaq

O uso de hidrovias promove a competitividade das empresas e reduz a emissão de gases de efeito estufa. Esta opinião é compartilhada por especialistas do setor, que participaram do 6º encontro de Logística e Transportes, realizado pela Fiesp nos dias 14 e 15 de junho, no hotel Unique, em São Paulo.

"O momento é interessante, o segmento está avançando. As hidrovias equilibram o modal brasileiro", afirmou Adalberto Torkaski, gerente de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquáticos (Antaq). Para ele, esta modalidade deve ser efetivamente priorizada por razões ambientais, sociais e econômicas.

"O transporte de cargas por rodovias e ferrovias é mais caro, além de poluir muito mais", explicou Torkaski, ao completar que o número de acidentes nas estradas e linhas férreas eleva o custo com transporte em R$ 7 bilhões/ano. "Europa e EUA já gastam bem menos ao utilizar hidrovias. Não adianta produzir de modo eficiente se utilizar o modal errado", sentenciou.

Intermodalidade consolidada


Cesar Borges, vice-presidente da Caramuru Alimentos

Uma das maiores usuárias da hidrovia Tietê-Paraná, a Caramuru Alimentos, atestou este fato ao apresentar investimentos estratégicos voltados à intermodalidade consolidada (ferrovia/hidrovia). "As hidrovias são mais eficientes, mas sozinhas não funcionam. Nossa produção precisa chegar ao porto de Santos", analisou Cesar Borges, vice-presidente da empresa.

 Ele exemplificou a eficiência do transporte de produtos como açúcar, etanol, milho, entre outros: "Um comboio em hidrovia equivale a 86 vagões ou a 172 carretas". Esta otimização traz também o menor custo por tonelada de itens transportados, que por terra e ferrovias custam, respectivamente, duas e três vezes mais.

Gargalos


Casemiro Tércio, do Depto. Hidroviário da Secretaria de Logística e Tansporte de SP

Casemiro Tércio
, diretor do Departamento Hidroviário da Secretaria de Estado de Logística e Transporte do Governo de São Paulo, afirmou que dos 2.400 quilômetros de hidrovias brasileiras, um terço se encontra no estado de São Paulo. Mesmo com esta importância, é ainda necessário eliminar alguns entraves:

  • Aumentar vãos de pontes e a proteção dos pilares;
  • Ampliar e retificar canais por meio de dragagem;
  • Melhorar as rotas de entrada nas eclusas;
  • Aperfeiçoar eclusagens em Bariri, Barra Bonita, Ibitinga e Promissão.

    Tércio sugeriu que estas medidas podem diminuir todo o processo de transporte hidroviário em 1h30. Esta redução, que chega a 15% no tempo de viagem, pode aumentar a carga adicional por comboio em 7% e abreviar o custo por tonelada em 20%. Além disso, ele revelou que a modalidade contribui com uma redução da emissão de 20 megatons de CO².

    “É o que o Estado quer, em conjunto com o governo federal. A movimentação de cargas em 2010 foi de 5,4 milhões de toneladas, e com estas melhorias a previsão de atração de cargas é de 18 milhões de toneladas, ou seja, três vezes mais”, calculou o diretor.

    Petrobras

    Agenor Junqueira, diretor de Transportes Marítimos da Petrobras (Transpetro), apresentou projeto da estatal na hidrovia Tietê-Paraná, que será um dos braços de transportes da companhia. A implementação do projeto faz parte do programa logístico do sistema Petrobras para o Etanol. “Vamos integrar os dutos que vão para São Sebastião e Rio de Janeiro”, anunciou Junqueira.



  • Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp