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Comércio bilateral
São Paulo - 13/05/2011


Brasil e China podem ser convergentes nos negócios

Esta foi uma das conclusões do encontro de empresas chinesas que debateram, na Fiesp, cenário de oportunidades e investimentos oferecidos pelo Brasil


Diversos representantes brasileiros e uma delegação de aproximadamente 60 empresários da China se reuniram nesta sexta-feira (13), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a fim de detectar as oportunidades que o País oferece em termos de investimentos e negócios.

Lideradas por Liu Zuo Zhang, diretor geral da China Investiment and Promotion Agency (Cipa), organismo de promoção comercial vinculado ao Ministério do Comércio, essas empresas representam o capital público e também o privado de 9 províncias, nas áreas automobilística, de energia, infraestrutura, bancos, tecnologia, agrobusiness, infraestrutura, petróleo e gás.


Segundo Zhang, hoje há 50 mil empresas estrangeiras em solo chinês, que têm importante papel na exportação, respondendo por 28% do total da balança. “A política de investimento fora da China faz parte da nossa política de desenvolvimento amigável, com foco na parceria ganha-ganha”, explicou.

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Da esq. para dir.: Os presidentes da CNI, Robson Braga de Andrade, e da Fiesp, Paulo Skaf, e o diretor geral da Cipa, Liu Zuo Zhang, durante evento na sede da federação

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, lembrou que o desenvolvimento arrojado da China é respeitável, mas o relacionamento entre os dois países deverá ser norteado pelo peso do equilíbrio. Nesse cenário, enfatizou o fato de o Brasil não querer vender apenas commodities (minérios e soja), mas também manufaturas.

Skaf sinalizou um dos pontos de atenção nessa relação: a sobrevalorização do real e a desvalorização da moeda chinesa, o yuan: “O Brasil precisa saber com clareza o que é bom para si. Há regras que disciplinam os investimentos na China, e o mesmo deve ocorrer aqui”.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, frisou: “Em 2010, entraram US$ 78 bilhões de investimentos diretos no Brasil, colocando-nos como uma das principais nações receptoras dentro das economias emergentes”.

Essa avaliação tem o apoio da liderança nacional. “Ao governo brasileiro interessa a intensificação das relações comerciais entre os países, esses dois grandes atores globais, que registraram crescimento acima da média”, enfatizou Maurício Borges, presidente da Apex-Brasil.

Cenário de oportunidades

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Paulo Godoy, detalhou as melhores oportunidades investimentos. “Há deficiências especialmente na infraestrutura brasileira, que merece atenção a fim de recuperar atrasos”, disse.

Godoy apontou duas especificidades que devem ser calibradas nessas relações: como trabalhar com o câmbio flutuante brasileiro e a excessiva valorização do real que dificulta as exportações. E mostrou as portas das oportunidades no País que se abrem via Trem de Alta Velocidade (TAV), os quinhentos possíveis investimentos para a Copa, em 2014 (segundo estudo da Abidib), os empreendimentos necessários para a realização das Olimpíadas, em 2016, no Rio de Janeiro, além das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) II.

O embaixador Rubens Antonio Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, pediu que essa relação comercial entre os dois países seja mais duradoura e não somente ocasional. Ele aconselhou a busca de parcerias locais com empresas que conheçam a cultura brasileira.

China

O país é o maior parceiro comercial do Brasil, desde abril de 2009, quando passou à frente dos Estados Unidos. O comércio bilateral saiu do patamar de US$ 2,3 bilhões, em 2000, ultrapassando os US$ 56,3 bilhões, no ano passado. Houve, portanto, crescimento de quase 2.500% ao longo de dez anos. segundo a CNI.

No balanço geral de exportações brasileiras, a China representa 15,2%. Tanto em 2009 como em 2010 (registro de US$ 5,1 bilhões), houve superávit movido especialmente pela venda de commodities e combustíveis ao parceiro comercial.

Este evento na Fiesp é uma consequência da missão recente à China da presidente Dilma Rousseff e de aproximadamente 300 empresários. O encontro, promovido pela CNI, terá desdobramentos em Brasília, na próxima segunda-feira (16).

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp