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São Paulo - 28/04/2011


Sem revelar tendência, atividade industrial paulista se mantém estável em março

Em mês tradicionalmente forte, indicador variou 0,2% sobre fevereiro, com ajuste sazonal. Fiesp descarta preocupação: desempenho ainda carrega "efeito Carnaval"

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista mostrou estabilidade no setor em março, com variação de 0,2% sobre fevereiro, na série livre de influência sazonal. Sem o ajuste, o índice apontou alta de 7%, com forte influência do total de vendas reais (+1,9%) na apuração mensal. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (28) pela Fiesp e o Ciesp.

O mês de março costuma ser forte em sua variação histórica, geralmente com crescimentos na margem acima de 10%. Mas Paulo Francini, diretor de Economia das entidades, não encara o fraco desempenho como uma decepção. Segundo ele, o resultado ainda reflete o "efeito Carnaval" – a festa, tradicionalmente em fevereiro, não calhava em março desde 2003.

"O que o mês de fevereiro ganhou por conta desse adiamento, foi perdido em março. Mas esse efeito deve ser eliminado na soma do trimestre", avaliou Francini. A compensação fica evidente quando se comparam os períodos – no total do ano, o indicador avançou 1,7% sobre os três últimos meses de 2010.

Já em relação ao primeiro trimestre de 2010, o desempenho subiu 4,4%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira queda em março – 83,2% contra 83,6% na última medição, em fevereiro, na série com ajuste sazonal.

Entre os setores avaliados pela pesquisa, destacam-se:

  • Máquinas e Equipamentos, com crescimento de 3,6% sobre fevereiro, em termos ajustados;

  • Artigos de Borracha e Plástico, com alta de 0,6%. A variação acima da média da indústria reflete a recuperação de pneumáticos voltados à fabricação de caminhões;

  • Veículos Automotores, que computou queda de 2,6% no período. O setor é diretamente impactado pelas medidas macroprudenciais do Banco Central, que interferiram no crédito de longo prazo. A média diária das concessões de crédito para compra de veículos (pessoa física) caiu 32,7% em março, contra novembro de 2010.

    Expectativa

    A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, caiu dois pontos em abril: 54,9 contra 56,9 registrados na medição anterior.

    A projeção para vendas teve a maior queda desta apuração, de 61,5 para 52,6 pontos. Estoque (53,5) e investimentos (54,6) também caíram mais de três pontos na expectativa dos empresários. Já o item mercado ficou estável em 60,6, e a pontuação para o emprego foi a única a crescer, de 47,7 para 53,8.

    Para Paulo Francini, as quedas podem significar que o ímpeto de crescimento do setor está se aquietando, mas ainda não fornecem sinal claro de tendência. A Fiesp mantém a previsão de 3,5% para o INA em 2010.


  • Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp