Fiesp fará reunião com possíveis investidores do TAV para agilizar propostas
Leilão de concessão da obra foi adiado novamente para dar mais prazo à formalização de consórcios e contratos comerciais. ANTT admite abertura para diálogo mas não mudará modelo
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Paulo Skaf, presidente da Fiesp
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A Fiesp está disposta a se reunir com potenciais investidores do projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), que fará a ligação entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além das conexões regionais, para fazer com que a obra saia do papel. O leilão para concessão já foi adiado por duas vezes e agora está previsto para acontecer em 29 de julho.
Interessados há com certeza, o Brasil hoje é muito bem visto no mundo por investidores. Já fomos procurados por franceses, coreanos, espanhóis, enfim, o que precisa agora é que nos digam com clareza o que está faltando para aparar eventuais arestas. É nisso que vamos trabalhar, garantiu o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em coletiva após a abertura do seminário sobre o TAV na sede da federação.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) projeta o início das obras para o segundo semestre de 2012 e ainda espera que seja possível antecipar a ligação SP-Rio para as Olimpíadas de 2016, embora o prazo de conclusão previsto no Edital seja de seis anos.
Viabilidade

Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT |
A modelagem de concessão definida para o leilão envolve menor aporte de recursos públicos o governo aplicará R$ 3,4 bilhões como sócio investidor, por meio da criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav), e financiará ao consórcio vencedor R$ 20 bilhões do total previsto para a obra, orçada em R$ 33 bilhões.
A operação é altamente viável. O projeto começa gerando caixa de R$ 2 bilhões por ano, porque o custo operacional e de manutenção é muito baixo. O que é caro é o capital, por isso estamos criando condições de financiar o investimento para a construção da infraestrutura, disse o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo.
Figueiredo garantiu que o modelo e o prazo de concessão, que é de 40 anos, além da tarifa-teto de R$ 200 não mudam, mas admitiu que o governo federal estará aberto ao diálogo até o leilão. O resto é passível de ajuste, mas nada que justifique um novo adiamento, afirmou.
Segundo ele, hoje não há mais dúvidas técnicas dos investidores sobre a modelagem. A razão para o novo adiamento de 90 dias, de abril para julho, foi o tempo necessário para fechar os acordos comerciais entre as empresas estrangeiras detentoras da tecnologia e as construtoras brasileiras. Acho que há condições de ter pelo menos três consórcios, mas se tiver um é o que precisamos, confirmou o diretor da ANTT.
Modelo padrão

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp |
O setor industrial manifestou total apoio ao modelo de concessão proposto. Para Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, as carências na área não podem se condicionar à disponibilidade dos governos de realizar investimentos. Em sua avaliação, esta é uma oportunidade de garantir um modelo padrão para todos os projetos de infraestrutura no Brasil, com participação do setor privado.
O setor público não vai dar conta da revolução que temos de fazer para recuperar o atraso na rede. Há 60 anos não investimos em trem no Brasil, disse. E esse modelo, já vitorioso no setor elétrico desde 2004, garantiu que o Brasil tivesse um regime de planejamento e de plena oferta de energia hoje, acima da média mundial e à frente dos Brics, defendeu Cavalcanti.
Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp
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