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Comércio Exterior
São Paulo - 14/02/2011


Brasil vive ciclo virtuoso, ambiente promissor para negócios

Estabilidade e bom momento econômico do País foram destacados por participantes do debate Brasil-Japão, nesta segunda-feira (14), na Fiesp


Toshiro Mutoh destacou a importância do Brasil no cenário internacional
O fato de Toshiro Mutoh, ex-vice presidente do Banco Central do Japão, afirmar ser o Brasil o  componente do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que mais se destaca hoje tem peso específico.

Como chairman da Daiwa Institute Research  – umas das principais representantes da livre iniciativa no Japão –, ele enfatizou nesta segunda-feira (14), na Fiesp, o importante papel desempenhado pelo País no cenário internacional, em função de sua rápida reação frente à crise global de 2008.

Mutoh participou do encontro empresarial que discutiu "As Perspectivas da Economia Japonesa e da Relação Brasil-Japão". Também presente ao evento, o diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas-FGV e ex-secretário da Fazenda do Estado no governo Mário Covas, Yoshiaki Nakano, salientou que essa recuperação e a expansão da economia "foram capitaneadas pela indústria, em especial pela paulista".

Para Nakano, o cenário é de permanência de fluxo de capitais e elevação dos preços das commodities. "Com estrutura moderna e competitiva em termos de tecnologia, houve avanços especiais em termos políticos e sociais no País", reconheceu. E argumentou: "Esse processo se sustenta devido a uma profunda transformação demográfica e estrutural que deve acelerar o crescimento da economia brasileira e elevá-lo à classificação de país desenvolvido".

Mecanismo dinâmico


Yoshiaki Nakano: "Essa recuperação e a expansão da economia foram capitaneadas pela indústria, em especial pela paulista"

Segundo o ex-secretário, a queda da taxa de natalidade reduziu o excesso de mão de obra, a má distribuição de renda e elevou salários. A somatória desses fatores possibilita o controle inflacionário, mantém a margem de lucro das empresas, incentiva investimentos e expande o mercado.

“É um mecanismo endogenamente dinâmico que deve se prolongar por um bom tempo”, analisou Nakano. Porém, apontou dois problemas centrais a serem enfrentados: a forte expansão do consumo e o excesso de liquidez global, devido à política monetária expansionista da Europa e dos Estados Unidos, que inunda os emergentes com dólares.

Na opinião do diretor da Escola de Economia da FGV, o País tomou medidas acertadas, quando o Banco Central aumentou a taxa de juros e realizou corte cirúrgico de R$ 50 bilhões nos gastos públicos.

Cenário favorável

"O Brasil é reconhecido como provedor de recursos naturais, à frente em termos de prospecção petrolífera e biotecnologia, além de ser referência quanto a oportunidades energéticas, cenário favorável para negócios", acrescentou Toshiro Mutoh, ao lembrar que a economia japonesa vive um período de deflação.

Diante desse retrato otimista, o diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior-Derex, José Augusto Corrêa, sinalizou com uma possível terceira missão empresarial ao Japão, ainda em 2011. 

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe, concordou, confiante nessa grande aproximação entre os dois países que se encontram muito distantes apenas em termos geográficos.



Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp