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Congresso da Indústria
São Paulo - 08/11/2010


Fiesp sugere intervenção do BC no mercado futuro para conter valorização cambial

A proposta afetaria diretamente os investidores especulativos, que inundam de dólares a economia brasileira por conta da elevada taxa de juros

O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, disse nesta segunda-feira (8) que o Banco Central (BC) deveria interferir no mercado futuro para conter a volatilidade da taxa de câmbio.

Essa manobra, segundo ele, criaria riscos aos investidores estrangeiros especulativos, que entram no País meramente para lucrarem com a taxa de juros praticada pelo Brasil. A proposta de Giannetti é que o BC pudesse alongar os prazos do mercado futuro para 90 dias.

“Os especuladores não gostam de correr riscos, e pensarão duas vezes antes de injetar milhões de dólares no País para lucrarem com os juros”, argumentou Giannetti, durante o Congresso da Indústria 2010. “Não precisamos de capital especulativo. Ele só retira a competitividade das empresas brasileiras”, completou.

O dirigente da Fiesp ressaltou que o regime de câmbio flutuante praticado pelo Brasil ainda é a maneira menos danosa à competitividade brasileira, desde que o governo federal cumpra com algumas promessas, como a reforma tributária e a redução da taxa de juros.

Ele afirmou que Brasília não pode ter medo em retaliar, com a adoção de salvaguardas, por exemplo, algum país que venha a prejudicar as indústrias brasileiras, por meio de um câmbio manipulado, como o praticado pela China.

Cenário internacional

Questionado sobre possíveis soluções para conter a valorização cambial, Giannetti sugeriu que as instituições internacionais deveriam adotar mecanismos em nível multilateral. De acordo com ele, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) “estão calados” ante às manipulações cambiais.

“A OMC não tem poder para impor disciplina cambial, mas tem a obrigação de impor disciplinas e limite ao comércio internacional”, explicou.

Já o economista Ibrahim Eres, outro defensor do câmbio flutuante, explicou que diante do cenário internacional qualquer medida para frear a valorização cambial pode trazer danos futuros.

Em sua avaliação, o BC deveria continuar a comprar dólares, só que de forma negociada, com a possibilidade de elevar o preço da moeda norte-americana. Outra proposta, segundo ele, seria um enorme ajuste fiscal nas contas do governo, com o aumento da taxa de poupança.

“Se a presidente eleita Dilma Rousseff tivesse que escolher somente um assunto para trabalhar, com certeza o ajuste fiscal nas contas da União seria o principal tema”, concluiu Eres.

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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