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São Paulo - 18/10/2010


Micro e pequenas indústrias devem estreitar relação com os bancos, diz especialista

Financiamentos para MPIs foram debatidos entre instituições financeiras e Fiesp durante congresso


Ricardo Humberto Rocha, professor da FIA

Devido à evolução macroeconômica ocorrida no Brasil nos últimos anos, houve um grande progresso no crédito oferecido às grandes empresas. Entretanto, o segmento de pequenas e médias indústrias ainda não alcançou este status.

Para discutir a questão, representantes de instituições financeiras participaram do painel Crédito: Novas Soluções e Ferramentas de Garantias, durante o V Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado na quinta-feira (14), na Fiesp.

Ricardo Humberto Rocha, professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), lembrou que, quando a crise econômica mundial atingiu o País em meados de 2008, o segmento de MPIs foi um dos que mais sofreram impactos negativos com a retração da oferta de crédito.

A fim de manter a liquidez do setor, o governo reagiu criando alternativas, como a regulamentação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Entraves


José Ricardo Roriz Coelho,
diretor do Decomtec

De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, os maiores obstáculos às MPIs são carga tributária, custo de capital (maior que os de outros países concorrentes) e câmbio sobrevalorizado.

“O Brasil vive um momento favorável de crescimento, mas a invasão de produtos importados com custo de produção muito inferior aos nacionais impede um melhor desempenho da economia”, explicou. “Além disso, a elevada taxa de juros, o spread bancário e a dificuldade de obtenção de crédito afetam a competitividade dos produtos nacionais”, apontou.

Instituições financeiras

O professor da Fia argumentou que as empresas com perspectiva de exportação deveriam estreitar o relacionamento com os bancos. Segundo ele, falta informação adequada sobre as ferramentas disponíveis, o que em sua opinião é até compreensível.

“O empresário trabalha seus clientes e fornecedores, e só recorre ao banco quando precisa de crédito”, analisou Ricardo Rocha. E reiterou: “É necessário intensificar a relação com as instituições financeiras no mesmo passo das expectativas de crescimento”.

Acesso ao crédito


Marcelo Porteiro Cardoso,
representante do BNDES
Marcelo Porteiro Cardoso, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, apresentou mecanismos de acesso ao crédito para as MPIs, como o cartão BNDES.

De acordo com ele, esta “modalidade simples e ágil” aborda uma gama de produtos financiados em mais de 137 mil itens de diversos segmentos: “Dos 300 mil cartões emitidos, 98% são de micro e pequenas empresas, com limite de crédito total de cerca de R$ 12 bilhões”, destacou.

As empresas participantes do V Congresso da Micro e Pequena Indústria tiveram a oportunidade de conhecer as linhas de financiamento oferecidas pelos bancos parceiros do evento.

Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Caixa, Nossa Caixa Desenvolvimento e Santander compuseram a Sala de Crédito, que atendeu empresários durante todo o evento.

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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