Brasil e Colômbia caminham para projeto de integração energética
Acordo deverá sair no ano que vem; os dois países poderão defender o biocombustível em debates internacionais

André Matoso, subsecretário geral de Energia do Itamaraty |
A partir do primeiro trimestre de 2011, Brasil e Colômbia se reunirão para começar a desenhar seu projeto de cooperação energética com foco no fortalecimento do setor de biocombustíveis.
Os dois países são os mais importantes produtores de etanol e de cana-de-açúcar da América Latina. De acordo com o subsecretário geral de Energia do Itamaraty, André Matoso, essa parceria será fundamental na defesa do biocombustível em painéis e fóruns internacionais.
O memorando de entendimentos entre Brasil e Colômbia será fundamental para essas ações, avaliou o diplomata, nesta quinta-feira (14), durante o primeiro dia do Seminário Internacional de Integração Energética Brasil e Colômbia, realizado na Fiesp.
Atualmente, o etanol brasileiro sofre diversas restrições na sua venda fora do País, com taxas de importações não competitivas. Para se ter uma ideia, o produto brasileiro paga US$ 0,54 por galão para entrar no mercado norte-americano.
|

Nivalde Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel)
|
Segundo o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) e do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde Castro, a integração energética entre os dois países não será física, por conta da distância, mas econômica. A contribuição mútua do Brasil e da Colômbia será fundamental para conter os problemas energéticos endêmicos da América Latina, disse.
De acordo com ele, a Colômbia tem um marco regulatório que permite a expansão de oferta de energia conforme a demanda, além de ser exemplo de país, assim como o Brasil, que possui um desenvolvido marco regulatório do setor elétrico na América Latina.
O acadêmico também ressaltou o pioneirismo brasileiro em cooperação energética e citou a parceria do Brasil e Paraguai, em Itaipu, e do Brasil com a Bolívia, em gás natural. As discussões terminam nesta sexta-feira (15).
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
|