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Avaliação do Ciclo de Vida é ferramenta essencial para sustentabilidade
Integrantes de Seminário ambiental debateram cadeia complexa, que se inicia
na captação da matéria-prima e termina com o correto descarte

Paulo Dallari Soares, diretor do DMA |
A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de produtos começou a ser debatida mundialmente na década de 60. Na Fiesp, ganhou destaque no ano de 2008, quando o seu Departamento de Meio Ambiente (DMA) promoveu o primeiro encontro internacional em torno do tema.
Nesta quarta-feira (29), realizou-se mais um seminário, na sede da entidade, voltado à aplicação dessa ferramenta e como elemento estratégico na gestão ambiental.
Os participantes concordaram com a importância da inovação de produtos e processos. Esses avanços visam também "à sustentabilidade e à manutenção da competitividade da indústria brasileira", como alertou Paulo Dallari Soares, diretor do DMA e coordenador do sub-comitê 9 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/CB-38), focado em aspectos ambientais em normas, projeto e desenvolvimento de produtos.
Aliás, competitividade será palavra-chave no comércio internacional, nos próximos anos, perante outros países que já editam leis de adequação ambiental, conforme explicou o professor Armando Caldeira-Pires da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB). "Até 2012 entrará em vigor, na França, a Lei Grenelle referente a rótulos dos produtos com declaração ambiental", avaliou.
"O projeto de um produto migra para o ecodesign, que envolve o sistema produtivo como um todo e aponta até para um novo modelo de negócio: ao invés de se vender ar-condicionado, vende-se conforto ambiental", exemplificou Caldeira.
Ferramenta complexa
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Haroldo Mattos de Lemos,
superintendente do grupo ABNT
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Haroldo Mattos de Lemos, superintendente do grupo ABNT/CB-38 e vice-presidente do comitê de gestão ambiental da ISO (TC-207), concordou que a ACV é uma ferramenta "cada vez mais em uso na Comunidade Europeia" para o desenvolvimento de rotulagem, do selo verde e essencial ao próprio desempenho do produto.
"A Avaliação não deve considerar somente aspectos ambientais, mas também os econômicos e sociais." A análise desse tripé amplificado foi feita por Cássia Lie Ugaya, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. E complementou: "É preciso levar em conta impactos que contemplam acidificação, mudanças climáticas, toxicidade humana, biodiversidade e escassez de recursos, por exemplo".
Seu colega de academia, Gil Anderi da Silva, da Politécnica da Universidade de São Paulo e da Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV), arrematou que "da lógica do nascimento, desenvolvimento e morte de um produto" há toda uma vertente ambiental com suas várias pegadas: de carbono, de água e ecológica.
Silva criticou o Ensino Superior que ainda não contempla em seu currículo a conscientização ambiental. "Independentemente da área de formação, todo profissional precisa saber quais impactos seu trabalho irá gerar", enfatizou.

Da esq. p/ dir.: Gil Anderi da Silva, representante da Poli-USP e da ABCV, e Katrin Löwe, pesquisadora do Departamento de Física da Construção da Universidade de Stuttgart |
Exemplo internacional
Projetos já em curso, na Alemanha, foram apresentados por Katrin Löwe, pesquisadora do Departamento de Física da Construção da Universidade de Stuttgart.
No campo da construção civil, há certificação nas categorias ouro, prata e bronze, além da avaliação de sustentabilidade, considerando variáveis ecológicas, econômicas e socioculturais.
"O processo deve ser mensurável e comparável a outras edificações. É feito um balanço econômico do prédio como um todo: o uso da energia representa geralmente 70% do total", disse, sinalizando que essa prática é uma tendência na Europa. Outros modelos expostos pela especialista vieram dos setores de aviação e logística.
Encerrando o debate, Maria Marta T. Vasconcelos, especialista do DMA-Fiesp, detalhou o Guia ISO 64 e suas oportunidades de aplicação. O documento aborda questões ambientais e de ciclo de vida em normas de produtos. Além disso, destaca a possibilidade de se requalificar os resíduos, que poderão ser considerados matérias-primas em uma nova cadeia de produção, deixando de ser descartados
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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