Mantega diz que governo tem arsenal para conter a valorização cambial
Ministro negou que o Brasil esteja sofrendo um processo de desindustrialização

Guido Mantega, ministro da Fazenda |
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira (27) que o governo já conta com um arsenal de medidas para conter a valorização do real. Segundo ele, o Brasil não sofrerá com aumento exacerbado da moeda nacional, mesmo com o fim da capitalização da Petrobras que ativou a entrada de dólares no País.
O Brasil vive hoje uma guerra cambial internacional, com desvalorização generalizada que tira nossa competitividade. Diversos países estão adotando medidas para desvalorizar suas moedas, disse Mantega durante evento na Fiesp. O ministro evitou dizer quais seriam as medidas que o governo adotará para conter o avanço do real, mas lembrou que o Brasil está comprando um volume muito maior de dólares.
Devemos estar com US$ 270 bilhões de reservas mais as reservas do Tesouro. Não deixaremos sobrar dólares no mercado, explicou. Na semana passada, o governo liberou recursos de U$17 bilhões do Fundo Soberano para a compra da moeda estrangeira.
Questionado sobre a possibilidade de o País começar a impor taxas ao investimento estrangeiro, Mantega afirmou que este tipo de manobra não está nos planos do governo. Não podemos taxar o investimento estrangeiro, que é muito positivo e benéfico para o Brasil. Pelo contrário, continuaremos estimulando esse tipo de investimento, disse.
Mantega ainda tentou acalmar o mercado e explicou que após o processo de capitalização da Petrobras, há expectativas de calmaria, mas caso isso não ocorra, o governo já tem onde recorrer.
Desindustrialização
Em contraposição à Fiesp, Mantega negou categoricamente que o Brasil esteja enfrentando um processo de desindustrialização. Ele afirmou apenas que houve uma redução da indústria no mundo e que o Brasil não foi exceção.
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Benjamin Steinbruch, no
exercício da presidência da Fiesp
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Em seu discurso, de quase uma hora, Mantega mostrou os números da indústria para justificar a ausência da desindustrialização. Dados do governo mostram que a produção industrial representa hoje 17% do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil está na média mundial (...) Estamos em um marco razoável, afirmou.
Já Benjamin Steinbruch, no exercício da presidência da Fiesp, disse que a indústria vem crescendo bem menos em comparação a outras áreas. De acordo com ele, os números da produção industrial são superestimados pela produção de grãos e minérios de ferro que puxam os números da produção industrial para cima.
Steinbruch afirmou ainda que o governo vem adotando medidas para conter a valorização do real que, segundo ele, é um dos principais obstáculos pela baixa da produção industrial à exportação e aumento da penetração dos importados no Brasil. Não podemos mais deixar o câmbio escorregar, afirmou e alertou o governo para outro problema que facilita a entrada dos importados: a guerra fiscal que ocorre atualmente entre os estados brasileiros.
Benjamin explicou que alguns oferecem tratamento preferencial a produtos importados, principalmente aqueles que possuem produção doméstica.
O tratamento, segundo ele, pode ser visto sob diversas formas, seja pela redução direta da alíquota do ICMS para bens oriundos de outros países, sob a forma de crédito presumido, ou ainda pela suspensão do pagamento do imposto, que é efetivado no longo prazo pelas companhias instaladas próximas ao porto.
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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