| |
|
|
Brasil vai priorizar fontes hidroelétricas na próxima década
Presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou o Plano Decenal de Energia aos membros do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp
|

Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
|
A perspectiva de crescimento da economia brasileira vem acompanhada do desafio de garantir energia para o desenvolvimento. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, é responsável pelo planejamento do setor no País e prevê investimentos de quase R$ 1 trilhão até 2019.
Na próxima década, o setor passará por transformações significativas, de acordo com informações do presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. Para atender à demanda, a geração de energia elétrica terá de crescer 63 mil Megawatts em dez anos e o Brasil passará de importador para exportador de petróleo e derivados. Até 2019 o Brasil vai priorizar fontes hidroelétricas e alternativas, como as eólicas, exemplificou Tolmasquim.
Entretanto, ele explicou que 60% do potencial hidroelétrico encontram-se no bioma amazônico e dois terços dele não poderá ser utilizado por conta dos impactos ambientais. É preciso compatibilizar o aproveitamento do potencial com a preservação do meio ambiente, pontuou.
A decisão de o País investir na construção de novas usinas hidroelétricas não significa que as termoelétricas estão descartadas. Se as licenças ambientais não saírem, teremos de recorrer às térmicas, alertou.
O governo prevê maior geração de bioeletricidade, com aproveitamento do bagaço da cana. São Paulo tem grande potencial para produção de bioeletricidade e a expansão caminha em direção ao Centro-Oeste, destacou.
Segundo o presidente da EPE, mesmo com algumas mudanças, a matriz energética brasileira manterá alto índice de renovabilidade, com 72%. Nossa ideia é que a matriz continue a ser majoritariamente renovável, acrescentou.
Petróleo
Em dez anos, a previsão é que a produção brasileira de petróleo passe de 2 milhões de barris por dia para 5 milhões de barris por dia. O gás natural, que atualmente tem um volume diário de 100 milhões de metros cúbicos (contando com o insumo importado da Bolívia) para 167 milhões de metros cúbicos em 2019.A partir de 2014, o Brasil também passará de importador para exportador de óleo diesel.
O consumo de etanol também deverá aumentar. De acordo com dados obtidos pela EPE, 93% dos automóveis comercializados têm motor flexfuel e 70% dos proprietários optam por abastecê-los com etanol.
Atualmente o País exporta 3,3 bilhões de litros de etanol e em 2019 deverá atingir a marca de 10 bilhões de litros. A produção, que hoje é de 27 bilhões de litros, deverá alcançar 64 bilhões de litros de etanol em 2019.
Apontado como um dos grandes emissores de gases de efeito estufa, o setor energético se defende. Segundo Tolmasquim, 60% das emissões brasileiras são originadas pelo uso da terra, 26% da agricultura e apenas 14 % do setor energético.
Se o Brasil resolver o problema do desmatamento seremos um dos países com menores índices de emissão de gases de efeito estufa, argumentou.
Brasil Eficiente

Carlos Rodolfo Schneider, membro do Cosec da Fiesp |
Na segunda parte da reunião do Coinfra, o empresário e membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, Carlos Rodolfo Schneider, apresentou a proposta do movimento Brasil Eficiente.
O movimento tem por objetivo sensibilizar a população, a classe política e, sobretudo, os candidatos em fase pré-eleitoral sobre a importância de diminuir o peso da carga tributária sobre o setor produtivo, simplificar e racionalizar a complicada estrutura fiscal, melhorando a gestão dos recursos públicos.
Precisamos trabalhar juntos, unificar as propostas das entidades e da sociedade civil, argumentou Schneider. Segundo ele, o movimento já tem adesões importantes, como da TV Globo e do cartunista Ziraldo, que desenhou uma cartilha popular.
O movimento defende uma melhor eficiência do Estado brasileiro para concorrer no cenário internacional e desacelerar o crescimento das importações asiáticas. O Brasil é campeão em horas gastas com pagamentos de impostos, ilustrou.
Segundo o industrial, o investimento do País vem diminuindo ao mesmo tempo em que a despesa pública está aumentando.
Outra preocupação diz respeito à diminuição da participação da indústria no PIB brasileiro. Há dez anos, este setor representava 25% do PIB total e em 2010 o resultado é de 14,5% com tendência de queda. É uma luz amarela que se acende.
Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp
| |
|