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Meio ambiente
São Paulo - 27/08/2010


Governos e sociedade devem agir em consonância nas questões ambientais

Especialistas discutiram na Fiesp os aspectos legais relativos à sustentabilidade


Ivo Bucaresky, chefe de gabinete do MMA
No sentido de contribuir com os debates previstos na 4 ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, a mesa-redonda Sustentabilidade sob a ótica oficial, mediada pelo presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, Walter Lazzarini, expôs as opiniões de especialistas e representantes dos governos federal e estadual.

Ivo Bucaresky, chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente, lembrou que no passado a visão do governo, dos agentes econômicos e da sociedade era de que o desenvolvimento econômico implicava uma alta exploração dos recursos naturais, o que gerou uma série de degradações no meio ambiente. Vários destes recursos perderam ou tiveram dificuldades na capacidade de renovação, afetando as florestas e a biodiversidade em todo o planeta.

"O governo tem a função principal de articulação, mas se as empresas e a população não participarem, de nada adiantará o esforço", alertou Bucaresky. E emendou: "É um trabalho de todos. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo, não pode consumir mais que o necessário e deve priorizar a eficiência energética, ou seja, produzir mais com menos".
 
Qualidade de vida


Casemiro Tércio Carvalho, coord. da Secr. de Estado do Meio Ambiente

Não basta fazer política. Se não transformar os projetos em responsabilidade compartilhada e os incentivos econômicos entre o estado e os órgãos, não haverá evolução no aspecto ambiental. A ideia defendida por Casemiro Tércio Carvalho, coordenador da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, atesta que os indicadores de desenvolvimento humano, alinhados com a política social, mudam os paradigmas da sociedade.

Para que isso aconteça, a coerência na gestão é fundamental, argumentou o coordenador, usando como exemplo as campanhas de uso racional de água, que surtiram efeito após um grande investimento da Sabesp. "Ninguém mais escova os dentes ou faz a barba com a torneira aberta. Isso é um exercício de cidadania", afirmou Carvalho.

Sustentabilidade legal

Na visão de Celso Pacheco Fiorillo, vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB-SP, o fato é que a sustentabilidade faz parte da relação jurídica constitucional e vincula todos os empreendedores, governos e sociedade. As decisões acerca do tema cabem estritamente ao Poder Judiciário.

Os bens ambientais, previstos na Constituição Federal de 1988, não se esgotam na fauna e na flora. Como a lei permite o uso comum desses recursos, devem ser estabelecidos parâmetros a respeito desta utilização entre a União, estados e municípios. "O mito de que bem ambiental existe e não pode ser tocado é tecnicamente inconstitucional", ressaltou Fiorillo.


Mario Hirose, conselheiro do Cosema da Fiesp

Equilíbrio


O estado de São Paulo publicou a Política Estadual de Mudanças Climáticas e impôs diretrizes que devem ser fiscalizadas e cumpridas. As grandes empresas têm condições de se adequar, mas a burocrática sobreposição de leis inabilita o funcionamento das pequenas e médias.

De acordo com Mario Hirose, conselheiro do Cosema da Fiesp, é fundamental que ao implementar uma lei o governo também faça sua parte: "É necessária uma contrapartida, com mais investimentos e incentivos, para viabilizar o cumprimento das determinações ambientais".

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp