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Sustentabilidade
São Paulo - 26/08/2010


Relatório Vision 2050 foi apresentado com exclusividade em evento na Fiesp

E recebeu o apoio da entidade que pode ser catalisador das sugestões


Haroldo Mattos de Lemos, pres. do Instituto Brasil Pnuma e diretor do Cores da Fiesp

O relatório Vision 2050: The new agenda for business, lançado em fevereiro pelo World Business Council for Sustainable Development-WBCSD, foi apresentado em detalhes, nesta quarta-feira (25), por Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Brasil Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e diretor do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp. O documento ganhará versão em português brevemente, em setembro.

O diferencial, apontado pelo especialista durante a 4ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, é que as propostas de planejamento são factíveis para governos, empresas e sociedade civil como um todo, para que o mundo alcance 2050 com 9 bilhões de habitantes tendo suas necessidades básicas atendidas. Lemos enfatizou a relação estreita existente entre sustentabilidade e erradicação da pobreza extrema.

O Relatório é fruto do estudo feito por 29 empresas de 20 países do mundo com foco no longo prazo para as próximas quatro décadas. São sete as ações propostas para se alcançar a sustentabilidade, que envolvem mudanças de comportamento e inovação social e tecnológica:

  1. Atender às necessidades de desenvolvimento de bilhões de pessoas, possibilitando educação e empoderamento econômico (especialmente das mulheres), além de soluções, estilos de vida e comportamentos radicalmente ecoeficientes.

  2. Incorporar o custo das externalidades, começando com carbono, serviços prestados pelos ecossistemas e água.

  3. Dobrar a produção agrícola sem utilizar mais água e áreas no processo.

  4. Cessar os desmatamentos e aumentar o rendimento das florestas plantadas.

  5. Reduzir as emissões de CO² pela metade, no mundo inteiro, até 2050 (com base nos níveis de emissões de 2005), por meio da migração para sistemas de energia de baixo carbono.

  6. Prover acesso universal à mobilidade com baixo carbono.

  7. Atingir melhoria de eficiência de quatro a dez vezes no uso de recursos e materiais.

Estes sete pontos de ação exigem novo estilo de governança com impactos na economia e na maneira de se fazer negócios, na avaliação de Lemos. "Elas já podem ser colocadas em prática, pois o mundo tem conhecimento acumulado, desenvolvimento tecnológico, habilidade e recursos financeiros suficientes para promover essas mudanças", disse.

Para o representante das Nações Unidas, as empresas devem liderar esse processo ao invés de apenas segui-lo. Por isso mesmo, Eliane Belfort, à frente do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, sugeriu que a federação das indústrias seja a catalizadora das propostas apresentadas.

Os primeiros dez anos deste planejamento a longo prazo, para as próximas quatro décadas, serão de turbulência [devido à necessária mudança de postura] para se alcançar a sustentabilidade, próximo salto que a Humanidade deve dar após a invenção da roda d'água, da máquina a vapor, da eletricidade, da química e dos petroquímicos, da tecnologia e da informática, alertou Lemos.

Lotação esgotada

A população humana saltou de 1,5 bilhão de habitantes, em 1900, para 6 bilhões no ano 2000, ou seja, foi quadruplicada no último século. Ao mesmo tempo, a atividade agrícola foi multiplicada por dez entre 1950 e 2000. Hoje, a maioria dos pesqueiros mundiais está sobrexplorada e 40% das reservas conhecidas de petróleo, exauridas.

Os dados foram citados pelo representante das Nações Unidas com base no Global Change and the Earth System (IGEP, 2004), delineando o cenário preocupante no qual todos nós vivemos. Ele completou o panorama lembrando que, segundo a World Wild Foundation (WWF, 2008), a Humanidade já consome 30% mais de recursos naturais não-renováveis do que a capacidade de reposição do planeta Terra.

Novos índices

Entre os grandes desafios a serem enfrentados, para Haroldo Mattos de Lemos, estão a utilização de recursos renováveis e não-renováveis da bioesfera, o desenvolvimento sustentável e a estabilização da população.

O alinhamento desses três fatores deve vir acompanhado de um novo indicador de desenvolvimento. Este não pode ser nem o Produto Interno Bruto (PIB), que reflete apenas a questão econômica e não inclui o esgotamento dos recursos naturais e a degradação do Meio Ambiente, nem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), fortemente apoiado em dados da educação e da saúde.

Na avaliação de Lemos, um novo índice eficiente deve levar em conta fatores econômicos, ambientais, sociais e institucionais. Nesse contexto, a pegada ecológica e a biocapacidade [área bioprodutiva de um país] devem ser consideradas, sinalisou. "Hoje, 20% dos países do mundo são credores ecológicos; os demais são devedores".

Exemplo que vem da natureza

"É preciso valorar os serviços prestados pela natureza", pediu o presidente do Pnuma. E citou o caso das abelhas, excelentes operárias que polinizam aproximadamente 75% das espécies vegetais consumidas pelos humanos.

A China, devido ao uso excessivo de inseticidas, enfrentou sérios problemas e tentou fazer a operação manualmente. "Foi um desastre: o homem não consegue realizar o trabalho realizado por elas", concluiu Lemos.

Para saber mais e fazer o download do estudo: www.wbcsd.org

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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