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Ensino sustentável
São Paulo - 26/08/2010


Mesa-redonda mostra alternativas para mudar o cenário educacional brasileiro

País é cotado entre os piores na área de ensino, em função do baixo investimento na área

O Brasil, considerado a 9ª economia mundial do planeta, ocupa o 76º lugar em desenvolvimento educacional porque está posicionado entre os piores investidores nessa área.

Enquanto as nações com melhores colocações no ranking do ensino investem de US$ 7 mil a US$ 10 mil/ano por aluno, nosso país destina, de forma geral, a pífia soma de US$ 1,33 mil.

Os baixos investimentos também trazem consequências que permeiam vários elos da cadeia do conhecimento, entre eles o pouco aproveitamento do aluno, a baixa remuneração dos professores e o despreparo dos atores educacionais em sala de aula.

Esse breve diagnóstico de como anda a educação brasileira foi apresentado durante a mesa-redonda Investimento em Educação: ações que contribuem para o desenvolvimento Social, realizado na manhã desta quinta-feira (26), durante a 4ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.


César Callegari, sociólogo e diretor de operações do Sesi-SP

Decisões emergentes


Para César Callegari, sociólogo e diretor de operações do Sesi-SP, o Brasil precisa tomar decisões corajosas e emergentes na área educacional para conquistar outros patamares.

“Enquanto o salário de um juiz é R$ 12.798, um professor de educação básica recebe R$ 1.088 por 40 horas semanais, e o de educação básica está na faixa dos R$ 660”.

Uma das estratégias para mudar esse cenário, na avaliação de Callegari, é a participação ativa da sociedade, a exemplo da carta-compromisso que será lançada no próximo dia 31 de agosto, no âmbito do Conselho Nacional de Educação, para os candidatos aos governos federal e estadual.

Compromisso com a mudança

O comprometimento com as mudanças foi a tônica da apresentação de Fernando Carvalho, diretor da divisão de Educação do Sesi-SP, que explicou as estratégias e os avanços do Plano Estratégico de Investimento Educacional adotado pela entidade entre 2007 e 2011.

Denominado Educar para Crescer, o plano teve por pilar tornar a entidade um referencial de excelência para o trabalhador e seus dependentes.


Fernando Carvalho, diretor da divisão de Educação do Sesi-SP


 Atualmente, a rede Sesi-SP atua com 180 unidades em 109 municípios e, em todas elas, vem gradualmente adotando o Ensino Fundamental em Tempo Integral e o Ensino Médio articulado com a educação profissional do Senai-SP.

A meta é que 100% dos alunos da rede tenham acesso às duas vertentes até 2015. O projeto também contemplou novo modelo arquitetônico, orientado para ser um fator amistoso à aprendizagem.

No momento, dez unidades já operam com esse formato, 27 serão entregues neste ano e 21 serão finalizadas em 2011. “Até 2015, também temos por objetivo instalar 165 novos laboratórios”, pontuou o diretor do Sesi-SP.

Carvalho justificou o ensino da robótica para estimular o estudo e a prática da ciência e da tecnologia: “O objetivo é incentivar a liderança, desmistificar a tecnologia, desenvolver a comunicação e a liderança e incentivar a criatividade”.

A metodologia educacional do Sesi-SP é complementada por orientação alimentar, incentivo à cultura e acesso a diferentes práticas esportivas.
Desde o ano passado, a entidade vem trabalhando com o Sistema Sesi de Ensino, conceito que engloba um conjunto de material didático, metodologia e capacitação de professores.

“Essa nova vertente nos permite levar o modelo de educação do Sesi-SP a municípios onde não há unidade física. No momento, essa metodologia está aplicada em Araraquara, Iperó e Tambaú”, ressaltou Carvalho.

Reintegração social


Abílio Weber, diretor da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo

Um case bem-sucedido de educação para a sustentabilidade foi apresentado por Abílio Weber, diretor da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, unidade especializada em construção civil.

Weber informou os primeiros resultados dos cursos voltados à reintegração de detentos, que cumprem pena em regime semiaberto,
à sociedade. O programa, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária, já capacitou 314 pessoas.

“Desse total, 85% estão empregados pela Incorporadora e Construtora Haux.” A grande adesão, segundo Weber, deve-se a vantagens trabalhistas garantidas por lei à empresa e ao incentivo dado aos detentos, que abatem um dia de pena a cada três trabalhados.

Parceria público-privada

Oswaldo Massambani, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, finalizou o encontro narrando a atuação do Centro Regional de Competência para a Educação do Desenvolvimento sustentável (RCE).

A iniciativa da Organização das Nações Unidades (ONU) tem, no Brasil, como parceiros a Universidade de São Paulo, a Prefeitura Municipal, o Ciesp, o Sesi-SP, o Senai-SP, a Fundação Clinton e a Organização Não Governamental Iclei.

A meta do centro é estimular ações de educação para o desenvolvimento sustentável, com melhoria da educação básica; incentivo a ações sustentáveis; participação atuante da sociedade; e melhoria da formação dos docentes.

“É um modelo eficiente de parceria público-privada voltada à educação, atualmente com 73 centros regionais, incluindo as cidades de São Paulo e Curitiba”, arrematou Massambani.

Rosângela Gallardo, Agência Indusnet Fiesp