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São Paulo - 24/08/2010


Conciliar trabalho e família ainda é um problema da mulher

E isso só será possível com muito diálogo, conforme Rosa Ramos, diretora do Cores, organizadora da mesa-redonda sobre o tema na Mostra Fiesp/Ciesp

Eliane Belfort, diretora-titutal do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, ficou feliz com a presença de muitos homens na plateia, ao abrir a mesa-redonda: “O desafio de conciliar trabalho e família”, nesta terça-feira (24), primeiro dia da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, que segue até quinta-feira (26).

É que essa questão afeta muito mais a mulher do que o homem. Ela lembrou que hoje, mais do que inserida, a mulher está sendo disputada pelo mercado de trabalho, mas encontra dificuldade em conciliar a vida profissional com a familiar.

A própria legislação que protege a mulher pode ter efeito contrário. A licença-maternidade, expandida para seis meses pelas empresas-cidadãs, muitas vezes acaba sendo um fator negativo para as mulheres em idade reprodutiva, no momento de disputar uma vaga no mercado de trabalho.

"Nós perdemos uma grande oportunidade de avançar socialmente com esta lei, que deveria beneficiar igualmente homens e mulheres, como ocorre em outros países. Com isso, o homem teria a oportunidade de desenvolver melhor os laços familiares", argumentou Belfort.

Diferença salarial

A Dra. Fabíola Marques, da Comissão da Mulher Advogada OAB São Paulo, lembrou que neste ano, em que se comemora o centenário da instituição do Dia Internacional da Mulher, há avanços a comemorar, mas muitos desafios a serem vencidos. "Há um século, a diferença salarial a favor dos homens era de 60%. Hoje, esta diferença é de 30%", sublinhou.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as diferenças não ocorrem apenas na remuneração: trabalhadores de ambos os sexos trabalham, em média, 44 horas semanais. As mulheres enfrentam uma segunda jornada de cerca de 35 horas semanais, dedicadas a afazeres domésticos e cuidados com os filhos, contra cinco horas dos homens, que usam esse tempo para pequenos consertos.

"Chegou o momento de dividir responsabilidades em casa para que a mulher possa dedicar-se ao trabalho em igualdade de condições com o homem", defendeu a advogada.

Projeto familiar adiado

Para a cirugiã plástica Valéria Leal, a dificuldade em conciliar trabalho e família resulta em casamento e maternidade tardios: "A mulher só se permite construir uma família quando está com a carreira encaminhada e tem independência financeira. E para continuar trabalhando, precisa sempre contar com o apoio do marido".

Novas formas de convivência

Dividir as responsabilidades familiares com o companheiro é o primeiro passo para enfrentar a questão, segundo a advogada responsável pelo Departamento Legal da Dupont do Brasil, Fabiana K. Leschziner. Além disso, disse a especialista, a família precisa repensar as formas de convivência, pensar na divisão de tarefas como algo agradável e aproveitar, de fato, o tempo que as pessoas passam juntas.

"A TV e o computador devem ser substituídos por conversas, jogos, passeios, tudo o que proporcione aproximação. Novas tecnologias também podem ser usadas em benefício da mulher, que, dependendo da área de atuação, pode realizar trabalhos em casa e dispensar maior atenção à família", pontuou.

Na avaliação de Fabiana Leschziner, as empresas só tem a ganhar com funcionárias que tenham uma vida familiar bem resolvida: "Quem está bem, produz mais e melhor".

As participantes da mesa-redonda chegaram ao consenso de que a mulher não deve abrir mão de ser bem-sucedida em nenhum dos seus papéis. Participar da reunião da escola do filho ou de uma consulta médica não compromete seu desempenho profissional.

Diálogo é fundamental

Rosa Ramos, diretora do Cores que idealizou e organizou o debate, gostou muito do resultado. E concluiu: "Tudo depende de uma tomada de posição das mulheres. A conciliação de trabalho e família só será possível com muito diálogo".

Sonia Nabarrete, para Agência Indusnet Fiesp

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