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Vicente Falconi Campos conversa com Jovens Empreendedores na Fiesp
Engenheiro e consultor empresarial, ele falou sobre metodologia de trabalho e sucesso profissional
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Professor Vicente Falconi Campos
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O clima entre os jovens empresários que lotaram o salão nobre do 15º andar do edifício da Fiesp, na noite de terça-feira (10), para participar da reunião ordinária do Comitê de Jovens Empreendedores da entidade, era de ansiedade e nervosismo.
Para muitos deles, a presença do professor Vicente Falconi Campos, um dos mais respeitados consultores empresariais do País, representava mais do que uma simples palestra: eles estariam diante do único brasileiro escolhido pela American Society for Quality (ASQ) como uma das 21 Vozes do Século XXI. Um verdadeiro norte para suas carreiras.
Sylvio Gomide, diretor do CJE da Fiesp e que mediou o encontro, lembrou a Campos que, em inúmeras reuniões do comitê com alguns dos principais empresários brasileiros, seu nome sempre foi citado como um modelo de gestor empresarial de sucesso, e falou que era uma honra tê-lo como convidado naquela noite.
Falconi que também é membro do conselho de diretores da AmBev, Sadia , Conselho Institucional do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e consultor de grupos empresariais e do governo brasileiro, disse que discorreria sobre algumas metodologias de trabalho que considera fundamentais e abriu a reunião abordando a disciplina operacional.
De acordo com ele, ter disciplina é, acima de tudo, o segredo para o sucesso das empresas. E fez um comparativo com a natureza: Ninguém se preocupa, por exemplo, se nosso corpo está funcionando perfeitamente. E quando algo não vai bem, procuramos um hospital. Com as empresas acontece a mesma coisa. Se tudo está em ordem, nada é feito.
Para Falconi, essa é uma situação que impõe limites ao desenvolvimento. Baseado em sua tese de que tudo deva funcionar perfeitamente, o consultor acredita que tal fator deveria ser uma motivação para que empresários investissem em melhorias no trabalho e, com isso, ter ganhos adicionais. Do contrário, não adianta reclamar se surgirem problemas. Sem padronização, o que ocorre é ficar o tempo todo correndo atrás de pequenos incêndios internos, argumentou.

Sylvio Gomide, diretor do CJE da Fiesp |
Para ilustrar sua tese, Falconi citou o exemplo da companhia siderúrgica Belgo-Mineira, da qual foi consultor no começo dos anos 1980. Naquela empresa, o pessoal acabou adotando a disciplina como hobby. Fazer as coisas bem feitas virou moda, pontuou, completando que na época a companhia produzia 750 mil toneladas de aço para construção civil e contava com quatro mil funcionários.
Por volta do ano 2000, a Belgo-Mineira reduzira para 1000 seu quadro de funcionários e produzia mais de 1,3 milhão de toneladas de aço, sem grandes investimentos: Eles tinham um controle de processo primoroso. Não falhava nada. Porém, decidiram expandir seus negócios e, após a viagem de um dos diretores de produção aos Estados Unidos, descobriram aquele país tinha necessidade de importar um aço que reveste os pneus (steel cord) e que esse mercado era dominado pelos japoneses.
Segundo Falconi, a siderúrgica não apenas fabricou o aço de altíssima qualidade e que requeria uma tecnologia precisa, como se tornou, em pouco tempo, o maior fabricante mundial do produto. No começo eles vendiam aos americanos por um custo menor que os japoneses. O importante era manter esse mercado. Hoje é a usina que apresenta o maior retorno sobre capital investido. Em resumo, a disciplina foi fundamental para o êxito profissional de todas as pessoas envolvidas naquela empresa, ressaltou.
Planejamento e gestão
Na visão do consultor, o primeiro mandamento da disciplina é a padronização e treinamento do trabalho. Para isso, é necessário que seja feita uma auditoria constante saber se o trabalho está sendo realizado de acordo com o padrão estabelecido: A disciplina começa na padronização, educação e treinamento.
O segundo passo, segundo ele, é a demonstração e consideração daqueles que comandam a empresa devem ter com seus funcionários, oferecendo um ambiente de trabalho digno, limpo e ventilado: São ações que estabelecem a cultura e a disciplina de uma companhia.
Por último, Falconi destacou a necessidade de se alinhar o interesse das pessoas com o interesse da empresa, em uma sinergia que todos ganhem.
Quando questionado sobre planejamento, ele foi incisivo em afirmar que muitas empresas apenas planejam e não executam. Se o foco é atingir resultados plenos, é fundamental que todas as ações sejam revistas e executadas. A diferença do sucesso está na execução. Temos que evitar a cultura da procrastinação. Para se fazer coisas bem feitas, deve-se checar minuciosamente todos os tópicos de um planejamento. A execução é o segredo do negócio, ressaltou.
Sobre a nova geração no mercado de trabalho, o consultor se mostrou otimista: A nova geração é muito melhor que a minha. Os jovens recebem uma carga de informações desde crianças e isso é extremamente positivo. São bem mais rápidos e dinâmicos. Acredito muito neles, encerrou.
Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp
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