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Encontro de Energia
São Paulo - 11/08/2010


Os avanços na integração energética da América do Sul são temas de debate

Para especialistas, os governos regionais devem priorizar a criação de um planejamento estratégico que permita o uso de todas as suas matrizes energéticas

Planejamento estratégico e investimentos nas matrizes energéticas dos países sul-americanos foram os temas discutidos no painel Integração Energética da América do Sul, durante o 11º Encontro Internacional de Energia Fiesp/Ciesp, realizado nesta segunda-feira (9), em São Paulo.

Carlos Arturo Flórez Piedrahita, secretário executivo da Organización Latinoamericana de Energía (Olade) lade, apresentou um balanço da produção energética dos países sul-americanos, é de 4.520.578 mil barris equivalentes de petróleo (kbep)/ano, sendo as principais fontes de energia o petróleo e derivados (53%), biomassa (15%), gás natural (14%), hidráulica (9%), carvão e derivado (8%) e nuclear (1%), com possibilidades de crescimento nos próximos anos.

“Os países da América do Sul não fazem bom proveito de suas matrizes energéticas”, afirmou o Piedrahita. As soluções apontadas pelo especialista são a criação de benefícios fiscais para as indústrias do setor e a realização de acordos bilaterais entre os países da região.

O desenvolvimento de projetos conjuntos entre Brasil e Bolívia foi o tema apresentado por Carlos Alberto França, ministro conselheiro da Embaixada do Brasil na Bolívia.

O programa prevê a construção de hidroelétricas – partes delas localizadas na fronteira com o Brasil –, que possibilitará a utilização de todo o potencial energético do país, de 40 gigawatts (GW), do qual apenas 1% é utilizado no momento. “O desenvolvimento energético na Bolívia gerará um excedente de gás natural que poderá ser exportado para outros mercados, como o Brasil”, explicou França.

Sinval Zaidan Gama, Superintendente de Operações no Exterior das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), destacou que a América do Sul é a única região do mundo autossuficiente em recursos energéticos.

Segundo ele, para que esse potencial seja utilizado de forma adequada, é necessário que os governos regionais elaborem planos de ações que auxiliem o desenvolvimento do setor, proporcionando a simetria do mercado. “Se os investimentos corretos no setor de energia tivessem sido feitos, a conta de luz dos países da América Latina teriam uma economia de 1 milhão de dólares”, observou.

Cenário internacional

Na palestra sobre o crescimento do setor energético brasileiro, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Adilson de Oliveira, lembrou que a riqueza das bacias hidrografias, a produção de energia renovável e as reservas de pré-sal garantem ao País um papel destaque no cenário internacional. E sugeriu: “O dinheiro arrecadado com a venda de recursos energéticos para outros países do mundo poderia ser revertido em projetos de melhorias sociais”.

Uma forma de facilitar essas negociações, na avaliação do especialista, é estabelecendo regras claras para o valor da venda e o cumprimento total das cláusulas contratuais. “Os países precisam elaborar um documento institucional que garanta ao investidor o cumprimento integral do contrato de serviço independente do campo político”, concluiu.

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp