Excesso de burocracia quanto ao Meio Ambiente é um dos empecilhos ao desenvolvimento
Carga tributária demasiada e juros altos também inibem investimentos, segundo debate realizado na Fiesp
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Renato Corona, gerente
do Decomtec da Fiesp
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A burocracia, inclusive a que envolve empreendimentos ambientais, é apontada como um dos empecilhos ao desenvolvimento. O tema foi tratado lado a lado com a iniciativa da Polícia Civil, que criou Núcleo de Estudos, em encontro do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, nesta terça-feira (27).
O crescimento de 0,66% da indústria de transformação incrementa 1% na economia total, enquanto a área de serviços necessita de impulso de 1,14% para alcançar o mesmo ponto percentual. A observação de Renato Corona, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), reflete estudo feito pela Fiesp.
Em fase de crescimento estagnado, os obstáculos que pesam para o desenvolvimento do País estão no volume da carga tributária, dos juros e do crédito caro, além de encargos de mão de obra e qualificação.
A alta carga tributária há tempos é apontada como barreira para os negócios da indústria paulista. Outro impedimento diz respeito à burocracia imposta às questões ambientais. Opinião também referendada em estudo recente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Walter Lazzarini, presidente
do Cosema da Fiesp |
Para o diretor do Decomtec, o grande diferencial competitivo brasileiro passa por questões ambientais e pela inovação tecnológica, pontos ofuscados pelos tributos e juros praticados no País, incompatíveis, inclusive, com o cenário internacional.
O presidente do Cosema, Walter Lazzarini, concordou que o Meio Ambiente não deve ser entendido como obstáculo para o desenvolvimento sustentável.
Responsabilidade ambiental e social da Polícia
A Polícia Civil conta, desde 2001, com um Núcleo de Estudos de Meio Ambiente (Nema) integrado por delegados, a maioria mestres e doutores.
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Delegado Claudinê Pascoetto, diretor de Relações Públicas do Nema
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Segundo o delegado Claudinê Pascoetto, professor da Escola de Polícia e diretor de Relações Públicas do Nema, a corporação "também é um órgão de transformação social e de proteção" e um de seus objetivos é criar doutrina do Meio Ambiente na Academia de Polícia.
Incentivam-se estudos voltados à criminalística ambiental, área ainda deficiente de especialização, além da elaboração de um Manual do Policial na Área Ambiental.
De acordo com Ugo Osvaldo Frugoli, perito criminal lotado no Instituto Médico Legal (IML) e integrante do Nema, o foco é a ecoeconomia. Ele disse estar em curso, atualmente, um pensamento revolucionário que reúne ecologia e economia.
"Não é possível discutir um sem o outro, pois perpassam a produção de medicamentos naturais, polinização de árvores frutíferas e plantas de lavouras, produção de alimentos, saneamento, secreção animal industrial e, ainda, melhoria da qualidade da água potável", argumentou.

Ugo Osvaldo Frugoli, perito criminal do IML e integrante do Nema |
Frugoli esclareceu até onde é possível avançar quando se trata de industrialização da secreção animal: "Um dos trabalhos para os quais o Federal Bureau of Investigation (FBI) dedica verbas espetaculares diz respeito à resistência do fio de determinada espécimes de aranhas. Um deles, a marrom, foi atentamente observado por um biólogo recém-formado, curioso sobre sua proporção biométrica".
Comparada ao tamanho de um ser humano, a aranha marrom conseguiria apreender presa equivalente a um prédio de seis andares em sua teia. "É um fenômeno, pois, na natureza, os predadores devem ser obrigatoriamente maiores do que as suas presas", explicou.
Após atento estudo molecular do fio da teia dessa aranha, descobriu-se que ele tem exatamente o mesmo encordoamento de um cabo de aço. A partir daí, seu gene foi isolado e inserido em um embrião de cabrito. Depois, ativou-se seu funcionamento imerso em leite para obtenção de um fio mais delicado.
O resultado dessa pesquisa se desdobra na elaboração de colete antiprojétil, devido à sua alta resistência comprovada, por iniciativa do FBI. "Os soldados norte-americanos enviados ao Afeganistão usaram capacetes revestidos com este material em um processo industrializado. É um exemplo de parceria com a bioesfera", salientou Frugoli.
Para ver as apresentações na íntegra, clique nos link abaixo:
Cosema Renato Corona
Cosema - Eron Veríssimo Gimenes
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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